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Capítulo 94 de 150

Pastoral

Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos

Luis Caetano Pereira Guimarães Júnior*

Acompanho a canção que a vida tece... Chovem raios de sol doirando o espaço... Verte o rio fugindo, passo a passo, Do monte em cujos pés o lírio cresce...

Um trilo doce ecoa igual à prece... Dorme a rosa em botão... Canta o sanhaço... A flor que não se rende ao vento escasso, Calma, espera na leira a farta messe...

Á luz do firmamento azul e escampo, Abrem-se mamonais sorrindo ao campo, E a brisa, leve e morna, escala a serra...

Meu coração soluça, sonha ainda, E escuta as gueixas da saudade infinda, Quando volito além, fitando a Terra...

(*) Poeta, jornalista, contista, comediógrafo, formou-se em Direito pela Faculdade do Recife, em 1869, depois de iniciar os estudos na Faculdade de S. Paulo, seguindo a carreira diplomática. Foi adido à legação brasileira no Chile, em Londres e em Roma, além de haver exercido as funções de secretário de legação em Lisboa. Aposentou-se no cargo de ministro plenipotenciário, na Venezuela. Sócio de várias Associações culturais do Brasil e do estrangeiro, foi fundador da cadeira nº. 31 na Academia Brasileira de Letras. Ronald de Carvalho (Peq. Hist. Lit. Brasileira, págs. 287- 288), ao estudar a poesia de Luís Guimarães Júnior, acentuou que «as notas descritivas predominam, geralmente, sobre as subjetivas, o artista sobreleva ao poeta, e o pintor se avantaja ao filosofo», acrescentando, adiante: «Há nos seus painéis um laivo de ternura discreta, um sentimento de melancolia muito particular. » Prefaciando--lhe Sonetos e Rimas, Fialho de Almeida chamou-lhe «o Massenet do soneto» (apud Iracema G. Vilela, Luiz Guimarães Júnior, pág. 110). (Rio de Janeiro, GB, 17 de Fevereiro de 1845 – Lisboa, 19 de Maio de 1898". )

BIBLIOGRAFIA: Corimbos; Sonetos e Rimas; Poema dos Mortos; Filigranas; etc.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.