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Capítulo 128 de 150
Último Instante
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Manuel da SILVA LOBATO *
Tudo parece agora o termo do caminho... O velho carrilhão bate as horas na sala: É a palavra do tempo ao coração que estala, 4 Afirmando, cruel, que partirei sozinho.
Lá fora, ruge o vento ululante e escarninho.
Fito, além da janela. O céu de cinza e opala... 7 “ Adeus! Adeus! Adeus!...” – geme o peito sem fala, Algemado à aflição de estranho pelourinho.
Desce, torva, no olhar, a noite em que me espanto, Ressume-se a existência às gotas de meu pranto. Silêncio, sombra, nada... A morte a despedida...
Mas subido clarão rasga as trevas do quarto. Ai !.. o corpo é grilhão de que enfim,me descarto, Para exaltar, cantando, o esplendor de outra vida!
4. Leia-se cru-el, como dissílabo. 7.” Adeus! Adeus! Adeus!...” : Epizeuxe - “ Nome dado a FIGURA que resulta quando se repete a mesma palavra, sem intervalo...” ( Geir Campos, Op. Cit.)
( * ) Poeta notável. Um dos fundadores da revista Heliópolis, em sua cidade natal. Jornalista, desempenhou as funções de redator do Diário de Notícias, no Rio de Janeiro. Viveu e uma existência atribulada, mas com resignação, caracterizando-se pela sua simplicidade e bondade. Informa Mariano Lemos ( Poetas..., pág.326) que Silva Lobato foi membro da Academia Pernambucana de Letras, tendo ocupado a cadeira nº 26.( Recife, Pernambuco,10de Setembro de 1886 –Rio de Janeiro, GB, 4 de Junho de 1931.)
BIBLIOGRAFIA: Flauta de Pã; Céus do Brasil; e diversos livros inéditos DIVINO SOL AUGUSTO Carvalho Rodrigues DOS ANJOS *
Noite. Retorne À Terra. Entre os aflitos Que a luta impele aos últimos degraus, Sinto a perturbação que envolve o caos 10 E a exalação de todos os detritos.
Entre o mundo e meu pranto, a sós, vagueio,
Na torva indagação que me constringe. A vida é aterradora e imensa esfinge No horror que me tortura de permeio.
Ao coro estranho de sinistros ventos, Ergue-se a angústia num milhão de vozes... Do choro mudo a imprecações ferozes, Há turbilhões de trágicos lamentos.
Paixões embatem com medonha fúria. O fel da provação verte sem peias... O homem é como alguém que abrindo as veias Tenta fugir debalde à carne espúria.
Em toda a parte, a dor comprime o cerco, E os que dormem, quais míseros cativos, Assemelham-se a tristes morto-vivos, Agonizando em túmulos de esterco.
Acorrentada entre os horrendos muros Dos seus próprios grilhões imanifestos, A Humanidade escuta os vãos protestos Dos sonhos que morreram nascituros...
Mas, dissipando a sombra por rompê-la, Na gleba que de lodo se engalana, Como sinal de Deus na furna humana, 28 Surge sublime e resplendente estrela.
Há nova luz de amor que tudo invade. E percebo, no pântano entrevisto, Que a redenção virá, brilhando em Cristo, Ante o Divino Sol da caridade.
(*) Bacharelando-se em Direito, na cidade do Recife, três anos depois transfere-se Augusto dos Anjos para o Rio de Janeiro, onde permanece por dois anos, lecionando na Escola Normal e no Colégio Pedro II. Muda-se posteriormente para Leopoldina, Minas, tornando-se abnegado diretor do Grupo Escolar “Ribeiro Junqueira”, até à desencarnação. Cognominado o “Poeta da Morte” por Antônio Torres, emparelha-se com Antero Quental, como sendo poeta filósofo do mais alto nível. Os temas científicos encontraram em AA “o seu grande explorador”, segundo a expressão usada por Darcy Damasceno (In A Lit. no Brasil, III, t. 1, pág. 388). Apesar do pessimismo empedernido do poeta paraibano, salienta Fernando Góes (Pan., V, pág.64) que “ em muitos passos de sua obra áspera e amarga há traços de um grande espiritualismo”. (Engenhos Pau d’Arco, perto da Vila do Espírito Santo, Paraíba, 20 de Abril de 1884 – Leopoldina, Minas Gerais, 12 de Novembro de 1914.) BIBLIOGRAFIA: eu; eu e outras poesias.
4. Observa-se a semelhança desta estância com a primeira de “As Cismas do Destino” (Eu e Outras Poesias, pág. 67), que vamos transcrever na íntegra: “Recife. Ponte Buarque de Macedo.
Eu, indo em direção à casa do Agra, Assombrado com a minha sombra magra, Pensava no destino e tinha medo!” 28. Atente-se na aliteração em s. 61. Ei-lo, o doente... Cf. a nota 3-4, pág.110. A respeito do metro deste verso em que a 6ª sílaba tônica recai no que cf. o 1º verso do soneto “Solitário”: “Como um fantasma que se refugia”; o 10º verso de “O Lamento das Coisas”: “Da transcendência que se não realiza...”, etc. 70-71. horrenda – hirta. Não raro, freqüentavam o vocabulário do poeta estas palavras. Cf. “Os Doentes” – VII, VIII e IX; “ Noite de visionário”; “Apóstrofe à Carne”; “Louvor à Unidade”; etc. 73. Aposiopese: “E’ o parto novo...” 76. abdômen: “ a rima abdômen é, do ponto de vista orto-épico, camônico, imperfeita. Mas em verdade revela que, embora requintado em muitos aspectos de sua pronúncia, Augusto do Anjos se deixaria levar de certas tendências populares. A pronúncia canônica, aliás, de abdômen é práticamente inexistente, salvo nas situações tensas de cátedra, oratório ou teatro culto requintado.”
(Nota de Antônio Houaiss – N. Cl., nº. 46, da pág. 21.) 82. E’ ainda de M. Cavalcanti Proença que vamos citar uma estatística: “No Monólogo de uma sombra, de Augusto dos Anjos, 55 entre 186 decassílabos (30%) são acentuados na 6ª sílaba, que é a tônica do proparoxítono.” (Ritmos e Poesias, Págs. 80- 81.) Nos 88 decassílabos que ora estudamos, o poeta, que por este ritmo tem acentuado parentesco com Cesário Verde, ostentou 16 vocábulos proparoxítonas acentuados na 6ª sílaba (18%). ALMA DO AMOR João da CRUZ E SOUZA*
Alma do Amor, cansada, erma e fremente, Arrastando o grilhão das próprias dores, Sustenta a luz da fé por onde fores, Torturada, ferida, descontente...
Nebulosas, estrelas, mundos, flores
Rasgam, vibrando, excelso trilho à frente... Tudo sonha, buscando o lume ardente Do eterno amor de todos os amores!
Alma, de pés sangrando senda afora, 10 Humilha-te, padece, chora, chora, Mas bendize o teu santo cativeiro...
Não esperes ninguém para ajudar-te, Ama apenas, que Deus, em toda a parte, É o sol do amor para o Universo inteiro.
_____________________ (*) Filho de pais escravos, Cruz e Souza é a figura mais expressiva do Simbolismo no Brasil e, ao lado de Mallarmé e Stefan George, um dos grandes nomes do movimento simbolista no mundo, segundo Roger Bastide. 《Tinha》 - escreveu seu grande amigo Virgílio Várzea (apud A. Muricy, Pan. Mov. Sim. Brás., I, pág. 98) - 《uma grande paixão pelas idéias humanitárias, e serviu-as sempre, como um fanático, sem se poupar sacrifícios, na tribuna, em praça pública e principalmente no jornalismo.》 Tendo sofrido acerbas provações, naturalmente dentro das dívidas cármicas, o grande poeta continua, hoje, em afanosa luta pela difusão das 《ideais humanitárias》, entre as quais agora incluiu o Espiritismo e o Esperanto, a corroborar que a vida, com efeito, não cessa no túmulo. Principalmente no setor esperantista, o artista de Faróis é uma personalidade atuante na Espiritualidade.
Em 1961, ano em que se comemorou, em todo o Brasil, o primeiro centenário de seu nascimento, os mais representativos centros culturais do país lhe tributaram mil e uma homenagens, culminando com a publicação de suas Obras Completas, organizadas por Andrade Muricy, em primorosa apresentação, pela Editora José Aguilar Ltda. A extraordinária produção do genial poeta provocou, dos que o rodeavam, os epítetos de 《Cisne Negro》, 《Dante Negro》,《Poeta Negro》, epítetos – diz A. Muricy (op. Cit.,pág. 101) 《compreendidos no senso mais elevado e consecratório de tais expressões》. (Desterro, hoje Florianópolis, SC, 24 de Novembro de 1861 – Sítio, atual Antônio Carlos, Minas Gerais, 19 de Março de 1898.) BIBLIOGRAFIA: Broqueis; Evocações; Faróis; Últimos Sonetos; etc. CORPO João da CRUZ E SOUZA*
Carne! Vaso de dor, sinistro e belo, Estruturado em grânulos de escória, Relicário de lama transitória, Tugúrio estreito e fúlgido castelo!
Assinalas, em lúgubre duelo, O bem e o mal na cinza merencória; Mas elevas o lodo para a glória,
Da sombra à luz, em trágico flagelo.
Louvor à encarnação que te sustenta, Lâmpada de amargura ansiosa e lenta, Ergástulo do amor puro e profundo!....
És a humana e arcangélica fornalha, Templo e gleba onde Deus sonha e trabalha 28 Santificando as lágrimas do mundo!...
_____________________ (*) Filho de pais escravos, Cruz e Souza é a figura mais expressiva do Simbolismo no Brasil e, ao lado de Mallarmé e Stefan George, um dos grandes nomes do movimento simbolista no mundo, segundo Roger Bastide. 《Tinha》 - escreveu seu grande amigo Virgílio Várzea (apud A. Muricy, Pan. Mov. Sim. Brás., I, pág. 98) - 《uma grande paixão pelas idéias humanitárias, e serviu-as sempre, como um fanático, sem se poupar sacrifícios, na tribuna, em praça pública e principalmente no jornalismo.》 Tendo sofrido acerbas provações, naturalmente dentro das dívidas cármicas, o grande poeta continua, hoje, em afanosa luta pela difusão das 《ideais humanitárias》, entre as quais agora incluiu o Espiritismo e o Esperanto, a corroborar que a vida, com efeito, não cessa no túmulo. Principalmente no setor esperantista, o artista de Faróis é uma personalidade atuante na Espiritualidade.
Em 1961, ano em que se comemorou, em todo o Brasil, o primeiro centenário de seu nascimento, os mais representativos centros culturais do país lhe tributaram mil e uma homenagens, culminando com a publicação de suas Obras Completas, organizadas por Andrade Muricy, em primorosa apresentação, pela Editora José Aguilar Ltda. A extraordinária produção do genial poeta provocou, dos que o rodeavam, os epítetos de 《Cisne Negro》, 《Dante Negro》,《Poeta Negro》, epítetos – diz A. Muricy (op. Cit.,pág. 101) 《compreendidos no senso mais elevado e consecratório de tais expressões》. (Desterro, hoje Florianópolis, SC, 24 de Novembro de 1861 – Sítio, atual Antônio Carlos, Minas Gerais, 19 de Março de 1898.) BIBLIOGRAFIA: Broqueis; Evocações; Faróis; Últimos Sonetos; etc. SOB A NOITE João da CRUZ E SOUZA*
Alma triste, cansada, insatisfeita, Dentro da noite espessa que te alcança, Ergue o facho sublime da esperança Ante os golpes da treva que te espreita.
Entre pedras e lágrimas avança, Na sarça que domina a senda estreita, E sonha a luz da Imensidade Eleita, Aprisionada à externa insegurança.
37 Segue, arrostando em glória, por sofrê-los,
Turbilhões, agonias, pesadelos, Nos assombros de longa tempestade...
E, além da pavorosa travessia, Encontrarás, chorando de alegria, O amanhecer da Grande Liberdade!
_____________________ (*) Filho de pais escravos, Cruz e Souza é a figura mais expressiva do Simbolismo no Brasil e, ao lado de Mallarmé e Stefan George, um dos grandes nomes do movimento simbolista no mundo, segundo Roger Bastide. 《Tinha》 - escreveu seu grande amigo Virgílio Várzea (apud A. Muricy, Pan. Mov. Sim. Brás., I, pág. 98) - 《uma grande paixão pelas idéias humanitárias, e serviu-as sempre, como um fanático, sem se poupar sacrifícios, na tribuna, em praça pública e principalmente no jornalismo.》 Tendo sofrido acerbas provações, naturalmente dentro das dívidas cármicas, o grande poeta continua, hoje, em afanosa luta pela difusão das 《ideais humanitárias》, entre as quais agora incluiu o Espiritismo e o Esperanto, a corroborar que a vida, com efeito, não cessa no túmulo. Principalmente no setor esperantista, o artista de Faróis é uma personalidade atuante na Espiritualidade.
Em 1961, ano em que se comemorou, em todo o Brasil, o primeiro centenário de seu nascimento, os mais representativos centros culturais do país lhe tributaram mil e uma homenagens, culminando com a publicação de suas Obras Completas, organizadas por Andrade Muricy, em primorosa apresentação, pela Editora José Aguilar Ltda. A extraordinária produção do genial poeta provocou, dos que o rodeavam, os epítetos de 《Cisne Negro》, 《Dante Negro》,《Poeta Negro》, epítetos – diz A. Muricy (op. Cit.,pág. 101) 《compreendidos no senso mais elevado e consecratório de tais expressões》. (Desterro, hoje Florianópolis, SC, 24 de Novembro de 1861 – Sítio, atual Antônio Carlos, Minas Gerais, 19 de Março de 1898.) BIBLIOGRAFIA: Broqueis; Evocações; Faróis; Últimos Sonetos; etc.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.