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Capítulo 113 de 150
Na Era do Espírito
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Antonio de CASTRO ALVES
1 O caos invadira a França, − Olimpo do pensamento.
3 O ódio − lobo famulento, Range as presas com furor. Nas ruas − Paris descansa; Em casa − chora em segredo; Gigante, arrosta, com medo, As iras do Imperador.
A Nação encarcerada Lança em nota clandestina As safras da guilhotina E explode: − “Revolução!” Recorda a Bastilha irada, Lê Rosseau, à luz da vela, Esmurra as grades da cela, Protesta rugindo em vão.
A crença herdada do Cristo Caíra no sorvedouro − Turbilhão de pompa e ouro −, Dobrada ao tacão dos reis. Em tormento jamais visto, Nos frios templos, o povo Exorava aos Céus, de novo, 24 Novos rumos, novas leis.
A Ciência − clava forte − , Contra as cadeias medievais, Partia os grilhões das trevas Em sarcástico festim, A exprobar de sul a norte, Por tirana revoltada: − “Dominemos! Deus é nada!” A morte − o portal do fim!”
Ninguém na fé militante... Mavorte, em fúria, galopa Nos campos de toda a Europa! Na África − a abjeção! Na Austrália − o progresso infante! Na Ásia − o suor dos parias Rola em bagas milenárias! Na América − a escravidão!
Mas o Espaço se descerra! Jesus, no esplendor dos sóis, Recruta gênios e heróis A iluminar o porvir. De pólo a pólo, na Terra, 46 Flamejam etéreas lampas, Mensagens brotam das campas, Ao toque de ressurgir!
Aos clarões da Imensidade, Kardec chega e inaugura A Doutrina viva e pura Da razão à luz do bem. O Espírito de Verdade
Semeia Divina Messe, O Evangelho reaparece Nas Vozes do Grande Além!
Falam tumbas, dançam mesas, Nascem livros, surgem almas, Luzem preces, chovem palmas, Hosanas aqui e ali! Consciências dantes presas Rompem torva cidadela; Pastor guiando a procela, Jesus conclama: − “Servi!”
Ante a ribalta terrestre, O Direito renovado Deixa, ao tropel do passado, Distinções de raça e cor! Em triunfo, volve o Mestre, E acende na mente humana, Desde o palácio à choupana, O facho do Eterno Amor!...
O mundo voga num misto De infortúnio e de esperança, Pranteia a sorrir e avança Nas Bênçãos do Excelso Pai! Kardec reflete o Cristo; Desfralda, em bandeira à frente, O convite permanente: − “Espíritas, trabalhai!...”
(*) Poeta social que exerceu profunda influência sobre a mocidade acadêmica, “o nosso genuíno poeta condoreiro”, no dizer de Álvaro Lins e Aurélio Buarque de Hollanda (Rot. ,II, Pág. 533), estudou Direito no Recife e em São Paulo, sem, contudo, concluir o curso. É, sem dúvida,um dos mais importantes bardos da América. “A sua musa” − disse-o Rui Barbosa − “não é só a da Natureza e a do Amor: é também, e sobretudo, a do Heroísmo, a do Direito e a da Glória.” (Apud Exposição castro Alves, pág. 339) (Fazenda das cabaceiras, Município de Muritiba, Esta. Da Bahia, 14 de Março de 1847 − Salvador, Bahia, 6 de Julho de 1871.)
BIBLIOGRAFIA: Espumas Flutuantes; Gonzaga ou a Revolução de Minas; A cachoeira de paulo Afonso,etc.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.