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Capítulo 89 de 150
O Preço da Falta
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Lafayette Melo *
– “Monstro! Monstro! Olhe o monstro!...” –Esse era o grito Quando ele vinha... O rosto bexiguento... A mão mirrada... A calva exposta ao vento... Arrimado ao bastão, coxeante e aflito...
Um dia cai... Arrasta-se, febrento... Ziguezagueia o cérebro em conflito E morre qual se fora cão maldito No caos de um formigueiro em movimento...
Liberto enfim!... Alegre e delirante, Sonha empunhar espada e fino guante Picando irmãos em luta fratricida!...
Desperta! E Oscula em lágrimas ditosas As pequeninas feras belicosas Com quem purgara os erros de outra vida.
(*) Filho de Desidério de Melo e de D.Clarinda de Melo, LM, além de poeta, foi professor, poliglota e jornalista. Um dos fundadores e diretores de O Garoto, em sua terra natal. Órfão de pai desde cedo, foi um autodidata. Desde que se tornou espírita, passou a ser devotado colaborador de A Flama (hoje, A Flama Espírita), semanário espírita uberabense, com sonetos bem trabalhados, de conteúdo doutrinário. (Uberaba, Minas, 21 de Outubro de 1892 – Patrocínio, Minas, 15 de Agosto de 1953.) Augusto Carvalho Rodrigues dos Anjos *
Hidra de sentimentos fesceninos, A obsessão medonha em fúria avança; O pranto amargo purga a intemperança Do inferno de passados desatinos.
Dois revéis inimigos, dois destinos Em que a treva letífera descansa: Bela jovem, cobaia de vingança, E um vampiro a sugar-lhes os intestinos.
Morde o hipocôndrio esquerdo a larva enorme, Ovo teratológico disforme, Gerando atividade corrutora.
Mas Deus e o tempo forjam doce jugo, E encarceram-se vítima e verdugo
Sob a maternidade redentora.
(*) Bacharelando-se em Direito, na cidade do Recife, três anos depois transfere-se Augusto dos Anjos para o Rio de Janeiro, onde permanece por dois anos, lecionando na Escola Normal e no Colégio Pedro II. Muda-se posteriormente para Leopoldina, Minas, tornando-se abnegado diretor do Grupo Escolar “Ribeiro Junqueira”, até à desencarnação. Cognominado o “Poeta da Morte” por Antônio Torres, emparelha-se com Antero Quental, como sendo poeta filósofo do mais alto nível. Os temas científicos encontraram em AA “o seu grande explorador”, segundo a expressão usada por Darcy Damasceno (In A Lit. no Brasil, III, t. 1, pág. 388). Apesar do pessimismo empedernido do poeta paraibano, salienta Fernando Góes (Pan., V, pág.64) que “ em muitos passos de sua obra áspera e amarga há traços de um grande espiritualismo”. (Engenhos Pau d’Arco, perto da Vila do Espírito Santo, Paraíba, 20 de Abril de 1884 – Leopoldina, Minas Gerais, 12 de Novembro de 1914.)
BIBLIOGRAFIA: Eu; Eu e Outras Poesias.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.