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Capítulo 83 de 150

Não Julgues

Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos

Irene Ferreira de Souza Pinto*

Não julgues o companheiro Por desumano e insensato Porque te não busque o trato, Nas rosas de teu jardim. Entende, ampara primeiro... Não digas, em contra-senso: – “Decerto, isso é como eu penca, Deve aquilo ser assim...”.

Muita vez, quem vai ausente, Do conforto que te afaga, Mostra o peito aberto em chaga, A golpes de provação. E enquanto o céu te consente A paz das horas seguras, O pobre irmão que censuras Traz fogo no coração.

De outras vezes, quem se isola, Longe de falas e festas, Não tem o mal que lhe emprestas, Nem delibera fugir. Apenas vive na escola Do dever e da constância, E se respira, a distância, É para melhor servir.

Não vasculhes lodo e jaça, Mirando a alheia conduta. Quase sempre há dor e luta Onde vês passo infiel. Frequentemente, na taça Que aparenta vinho oculto, O pranto cresce de vulto, Tisnado de angústia e fel.

Se ensinas a caridade, Ouve Jesus que nos chama! Não guardes vinagre e lama Sob a fé que te conduz. Acende a luz da bondade, Porquanto também um dia

Mendigarás simpatia Nas sombras da própria cruz!

(*) Poetisa de fino talento e bela inspiração. A seu respeito, diz Enéas de moura (cole. Poetas Paul, pág.97):” Começou seus estudos no Colégio Florense, de Jundiaí, e os terminou no Sion, de São Paulo. Colaborou na Revista Feminina; foi a criadora das crônicas sociais do Correio Paulistano.” Contista, escreveu na Feira Literária, e em 1921 estreava como romancista, publicando Rosa Maria. No Cemitério da consolação, de S. Paulo, os filhos da poetisa erigiram-lhe um túmulo, onde gravaram o belíssimo soneto “Último desejo”, de autoria dela. (amparo, Estado de São Paulo, 8 de Abril de 1887 – Rio de Janeiro, GB, 21 de Maio de 1944.)

BIBLIOGRAFIA: Primeiro Vôo; Gorjeios; O Tutor de Célia, contos; etc.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.