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Capítulo 143 de 150
Fábio Montenegro
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Contempla o campo agreste... Eis a tela soturna Do imenso chapadão a perder-se de vista... 17. Mas se tudo é deserto e tristeza na crista, Sob a terra que dorme, a semente se enfurna.
19. Da cova pequenina, improvisada urna, Anônima e largada à lama que a contrista, A árvore ao sol com beleza imprevista, Vencendo a expectação da gleba taciturna...
Ausculta, assim também, a solidão da lousa... Nem fala que a revele ou força que a transporte... Tudo aparente inércia ao lodo em que se olvida!
Entanto, à plena sombra, em que a cinza repousa, Onde se junge o caos à escuridão da morte, 28. Emerge, soberana, a excelência da vida...
(*) Como poeta, colaborou na imprensa santista e paulistana, tendo sido um dos redatores da revista O Verso, escrita todas em versos, inclusive os anúncios. É patrono de uma das cadeiras da Academia Santista de Letras. A seu respeito diz Fernando Góes (Pan. V, pág. 157): “Seus versos traem, a todo instante, a preocupação da forma, que ele próprio confessa, mais de uma vez, desejar seja impecável!. E S. Galeão Coutinho, no seu prefácio a Flâmulas, pág. 12, escreveu: “O verso foi para ele o palácio encantado onde se isolava para entregar-se a orgias maravilhosas de sons coloridos.” (santos, Esta de São Paulo, 26 de maio de 1891 – Santos, 21 de agosto de 1920).
BIBLIOGRAFIA: Jornada Lírica; Flâmulas; etc.
17. Aliteração em t. 19. Leia-se com hiato: “... improvisada/ ur/na”. 28. Não obstante o poeta, em algumas de suas composições, tais como “introspecção” e “A um descrente”, deixe transparecer, pelo menos intuitivamente, idéias reencarnacionistas, pedimos vênia para transcrever-lhe, aqui, o soneto “A Árvore” (apud Pan. Págs. 157-158), escrito por ele quando se achava no Plano Físico, a fim de comprovar que “Nem tudo é silêncio” revela a preocupação do poeta de desfazer a idéia negativa que existe em “A Árvore”:
“Hirta, negra, espectral, chora talvez. Responde Seu próprio choro à voz do vento que a fustiga, Ela que ao sol floriu às chuvas, onde A paz é santa, o campo é doce, a noite é amiga...
Essa que esconde a chaga, essa que a história esconde, Que conhece a bonança e a borrasca inimiga, Já foi flor, foi semente, e, sendo arbusto, a fronde Ergueu para a amplidão às aves e à cantiga.
Que infinita tristeza o fim da vida encerra A quem já pompeou do Sol na própria luz. As flores para o céu e a sombra para a terra!
Foi semente, brotou... Árvore transformada, Sorriu em cada flor; e hoje, de galhos nus, Velha, aguarda a tortura estúpida do nada!”
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.