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Capítulo 100 de 150
Reencarnação I
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Jesus Gonçalves*
Há séculos, num carro de esplendores, Minha vida era a angústia de outras vidas, Estraçalhava multidões vencidas, Coroado de púrpura e de flores.
Depois... A morte, os longos amargores... Depois ainda... A volta a novas lidas, O berço pobre, o manto de feridas, A solidão e os prantos redentora.
Volve do rei antigo um réu que espanta, E o Senhor concedeu-me a lepra santa Para cobrir-me em chagas benfazejas!...
Mas, hoje, livre enfim de toda algema, Posso saudar a dor justa e suprema: – Emissária da luz, bendita sejas!...
(*) Poeta, jornalista e teatrólogo. Filho de pais pobres, só à custa de muito trabalho e esforço próprio conseguiu ocupar o cargo de tesoureiro na Prefeitura Municipal de Bauru. Inteligente e estudioso, fez parte da redação do Correio da Noroeste, da mesma cidade. Por volta de 1930, ao saber-se portador do mal de Hansen, abandonou aqueles; cargos. Internando-se no Asilo Colônia de Aimorés, prestou ativa e ampla colaboração às autoridades do Sanatório e aos companheiros de infortúnio. Transferido, em 1937, para o Asilo Colônia de Pirapitingui, aí construiu e dirigiu um Centro Espírita, que, a seu tempo, constituía autêntico oásis de paz para quantos ali se encontravam agrilhoados ao carro da provação. Sua vida, como ele mesmo o afirmou (Flores de Outono, pág. 7), «está dividida em duas etapas, – a do homem comum, sem objetivo além da morte, e a do homem espírita-cristão, que já viu os clarões da aurora boreal da imortalidade». Não obstante coberto pelo manto da lepra redentora, o poeta de «Uma Vida» soube alimentar a esperança, confiante na Providência. (Borebi, Est. de S. Paulo, 12 de Julho de 1902 – Asilo Colônia Pirapitingui, Est. de S. Paulo, 16 de Fevereiro de 1947)
BIBLIOGRAFIA: Flores de Outono.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.