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Capítulo 68 de 150
Lágrimas
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Francisco Lobo da Costa
Quando a luta te deixe em plena estrada, Qual tronco a sós, sem flores e sem frondes, Na secreta renúncia a que te arrimas, Bendita seja a lágrima que escondes!
Quando a amargura te converta a vida Em rede estranha de sinistras horas, Mesmo nas raias do suplício extremo, Bendita seja a lágrima que choras!
Quando a prova te assalte os semelhantes Na dor de sendas ásperas e incertas, Na simpatia que te inflama o peito, Bendita seja á lagrima que ofertas!
Quando, porém, caminhas na bondade A que nobre e sereno te conjugas, Muito acima das lágrimas que vertes, Bendita seja a lágrima que enxugas!
(*) De família humilde, órfão em tenra idade, o poeta romântico do Sul, no dizer de Edgard Cavalheiro (Pan. II, pág. 298), já aos doze anos cantava em versos a retomada de Uruguaiana. Colaborou nos jornais mais importantes de sua terra, e foi sócio do «Pártenon Literário». Não conseguindo matricular-se na Faculdade de Direito de S. Paulo, veio a residir por algum tempo em Florianópolis, onde se entregou à bebida, que lhe aniquilou o corpo físico. Definiu-o João Pinto da Silva (História Lit. R. G. S., pág. 48) como «o intérprete inspirado do pensamento e dos sentimentos do povo, em face do Amor e do Infortúnio». E a respe de sua poesia assim se expendeu Guilhermino César (Hist. da Literatura R. G. S., pág. 283) : «A sua forma, tão espontânea, era às vezes muito descuidada, mas Lobo da Costa possuía, como poucos, senso musical e bom gosto inato.» (Pelotas, Rio Grande do Sul, 12 de Julho de 1853 – Ai desencarnou em 19 de Junho de 1888.)
BIBLIOGRAFIA: Auras do Sul; Dispersos; O Filho das Ondas; Flores do Campo.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.