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Capítulo 50 de 150

Esplendores

Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos

Afonso Celso de Assis Figueiredo Júnior*

Além, a luz do espaço se esfacela Em explosões de sons e cores raras, Tecendo o amor e a glória nas searas Da vida universal sublime, bela...

Brilham, depois do azul que o céu revela, Astros em bando, iguais longas aparas De altas constelações, em formas claras: Sóis pendendo de vasta passarela...

O homem fita espantado as nebulosas Bailando em formações maravilhosas, E vê-se um verme à frente do Destino...

Ante o excelso esplendor finda-se o engano... Como se faz pequeno o orgulho humano! Como se torna imenso o Amor Divino!

(*) Poeta., romancista, historiador, jornalista, dramaturgo e orador consumado. Doutorou-se Afonso Celso na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1881. Professor e diretor da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Reitor da Universidade do Brasil. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira nº. 36. Pertencia à Academia das Ciências de Lisboa. Colaborou em muitos jornais e revistas de S. Paulo e do Rio, principalmente no Jornal do Brasil desta última cidade. Veio a ser presidente perpétuo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Possuía numerosos títulos honoríficos. Foi um dos primeiros esperantistas no Brasil. A sua musa era natural e espontânea, clara e simples. Rodrigo Octávio Filho, à beira do túmulo do grande brasileiro, afirmou: «Afonso Celso foi poeta, e emocionou. Foi mestre, e ensinou. Foi patriota, e pregou. » (Apud Homenagem à memória do Conde Affonso Celso, pág. 35.) (Ouro Preto, Minas Gerais, 31 de Março de 1860 – Rio de Janeiro, GB, 11 de Julho de 1938.)

BIBLIOGRAFIA: Prelúdios; Devaneios; Telas Sonantes; etc.

ESSE PEQUENO... Irene Ferreira de Souza Pinto*

Esse pequeno sozinho, Ã noite, no pó da estrada, De roupa suja e rasgada, Que passa pedindo pão, E’ um anjo pobre a caminho, Sob inocente amargura... Pássaro triste à procura De ninho e consolação.

Criança desconhecida... Dormirá? Quem sabe onde?... E’ órfão?... Ninguém responde. Aceita o que se lhe dê. Quantas mágoas tem na vida, Quanta miséria a consome, Quanto anseio, quanta fome, Ninguém sabe, ninguém vê...

Nunca lhe atires ao lado Qualquer palavra ferina... Socorre, ampara, ilumina Em nome do Eterno Bem, Que esse menino exilado, Sem lar e sem companhia, Se o Céu quisesse podia Ser teu filhinho também!

Encoraja-lhe a esperança, Envolve-o no teu sorriso E sentirás, de improviso, A bênção de doce luz! E’ que no amor da criança, Que te agradece o carinho, Receberás, de mansinho, A gratidão de Jesus!

(*) Poetisa de fino talento e bela inspiração. A seu respeito, diz Enéas de moura (cole. Poetas Paul, pág.97):” Começou seus estudos no Colégio Florense, de Jundiaí, e os terminou no Sion, de São Paulo. Colaborou na Revista Feminina; foi a criadora das crônicas sociais do Correio Paulistano.” Contista, escreveu na Feira Literária, e em 1921 estreava como romancista, publicando Rosa Maria. No Cemitério da consolação, de S. Paulo, os filhos da poetisa erigiram-lhe um túmulo, onde gravaram o

belíssimo soneto “Último desejo”, de autoria dela. (amparo, Estado de São Paulo, 8 de Abril de 1887 – Rio de Janeiro, GB, 21 de Maio de 1944.)

BIBLIOGRAFIA: Primeiro Vôo; Gorjeios; O Tutor de Célia, contos; etc.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.