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Capítulo 84 de 150

Nhá Chica

Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos

Cornélio Pires *

Dos olhos de Nhá Chica o pranto rola... Não mais levanta a voz e o rosto ossudo. Oitenta anos vivera... E ao fim de tudo, A palhosa vazia, o pão de esmola...

A professora anciã relembra a escola... Pensa ver, entre o catre e o chão desnudo, A mesa, o livro, a lousa, o giz do estudo E os meninos rixando junto à bola.

Pobre Nhá Chica em lágrimas banhada Morre, esquecida e só, assim sem nada, Na tristura das últimas lembranças...

Mas acorda em florida caravela Num mar azul... E vê-se, moça e bela, Carregada nos braços das crianças!...

(*)Além de poeta, contista, jornalista, humorista e conferencista, era Cornélio Pires devotado pesquisador do nosso folclore. «Seja bom» – recomendou-lhe, certa vez, Amadeu Amaral. E Cornélio Pires, ao fazer-se tarefeiro da Doutrina Espírita, não foi apenas um bom, mas verdadeiro herói da bondade permanente, a benefício dos semelhantes. Pouco antes de desencarnar, fundou em Tietê, SP, a «Granja de Jesus», entidade de amparo ao menor abandonado. Escreveu para inúmeros jornais e revistas, tendo iniciado a sua vida literária em O Malho, do Rio. Alguns dos seus livros continuam a ter numerosas e sucessivas reedições. «Sua obra» – di-lo Joffre Martins Veiga – «é eminentemente popular e de cunho essencialmente brasileiro. » (Tietê, Est. de S. Paulo, 13 de Julho de 1884 – S. Paulo, Estado de S. Paulo, em 17 de Fevereiro de 1958.)

BIBLIOGRAFIA: Musa Caipira; O Monturo; Versos; Coisas d’Outro Mundo; Onde estás, ó morte?»; etc

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.