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Capítulo 42 de 150

Diante da Vida

Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos

A. BRANCO *

Encarcerado, enfim, nas grades da memória, Tudo tresanda em mim o sinistro bafio Da torva escuridão a que me sentencio, Na câmara de fel da sombra merencória.

Mocidade, ilusão, tudo é lodo e vanglória Esbarrando na morte – horrendo desafio! –

Para a descida ao caos ignoto, imenso, frio, E ser lama pensante, escória sob a escória.

O’ minhalma infeliz, porque assim te sublevas? Corvo triste da mágoa a crocitar nas trevas, Volve em prece a dormir na paz inerme do ovo!

Sepulta, coração, no tremedal medonho, A aflição derradeira e o derradeiro sonho Para tudo esquecer e começar de novo!

(*) Não se identificando por óbvias razões, ensina-nos o poeta que, após a desencarnação, se carregamos frustrações e culpas, debalde procuraremos fugir às «grades da memória». Só a reencarnação, com efeito, representa a terapêutica ideal, quando teremos de «começar tudo de novo».

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.