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Capítulo 79 de 150
Morto Vivo
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Moacir de Toledo Piza*
Reborbulha-me a idéia na cabeça... Corre o sangue nas veias de meu pulso... Os ouvidos, por mais que me estarreça, Guardam consigo os sons que eu mesmo expulso...
Minha imaginação brinca, travessa... Respiro. É o peito meu, triste, convulso... E a razão pede para que não desça à sombra imensa de meu próprio impulso.
Fulgura-me a visão na luz dos olhos... Meus pensamentos voam sem antolhos... O coração prossegue imperativo...
Tenho fome de paz e de conforto! Se ontem eu fora estranho vivo-morto, Sou agora, em verdade, morto-vivo...
(*) Bacharel, em 1915, pela Faculdade de Direito de S. Paulo, co-laborou na imprensa de S. Paulo e do Rio, «com incursões, freqüentes e ilimitadas, ao epigrama e ao sarcasmo». Mas, «apesar de toda essa aparência de mordacidade iconoclástica à flor da pele, era um sentimental e um lírico. Amigo cem por cento dos amigos» (L. C. de Melo, Dic. Aut. Paulistas, pág. 484-485). Foi redator do Estado de S. Paulo. Hilário Tácito, na apresentação à Vespeira, pág. III, afirma que «a critica dos doutos consagrou o escritor paulista como digno de figurar entre os nossos mestres do gênero satírico». (Sorocaba, Est. de S. Paulo, 19 de Abril de 1891 – S. Paulo, Est. de S. Paulo, 25 de Outubro de 1923.) Conta R. Magalhães Júnior (Ant. Hum. e Sát., pág. 291) que o poeta foi vítima de uma paixão funesta, que o levou ao suicídio com arma de fogo.
BIBLIOGRAFIA: Sátiras; Calabar, em colaboração com Juó Bananére; Vespeira; etc.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.