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Capítulo 91 de 150
Ouro
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
RODRIGUES DE ABREU (Benedito Luís de Abreu) *
Todo o ouro dos bancos Pode nutrir, um dia, a glória do trabalho...
Todo o ouro guardado Nos altares dos templos É riqueza da fé Que o tempo transfigura.
Todo o ouro das jóias Que esplende nos salões É láurea passageira Em louvor à ilusão.
O ouro dos museus A derramar-se, estanque, Faz-se ornato da morte Para a festa da cinza. Todo o ouro das minas É promessa de pão E o ouro da moeda Que auxilia e circula É sangue do progresso.
Mas apenas o ouro Que gastas apagando As aflições dos outras, Acendendo sorrisos Em mascaras de pranto, É o ouro da alegria Nos tesouros de amor Que acumulas no Céu.
(*) Poeta, teatrólogo, educador. Escreveu nos principais jornais e revistas dos Pais. Tendo sido a infância de RA uma das mais afanosas, iniciou ele o curso primário em Piracicaba, completando-o em S. Paulo. Depois de muitas reviravoltas por diversos colégios, de outras cidades, regressa o poeta à Capital paulista, onde passa a lecionar. Posteriormente, transfere-se para sua terra natal, desencarnando, mais tarde, em Bauru. Péricles Eugênio da Silva Ramos (in Lit, no Brasil, III, t. 1, página 538) classifica RA como poeta modernista não «histórico» e acrescenta, adiante, que ele <cultivou uma poesia simples, sentimental e dolorida». Embora Afonso Schmidt (in Dic. Aut. Paulistas, pág. 16) o considere «um dos maiores poetas de S. Paulo», Domingos Carvalho da Silva, <0 seu melhor critico», diz que RA, como poeta, foi "alto valor que não chegou a
realizar-se, mas que manteve sempre a sua individualidade» (apud Pan. VI, pág. 80). (Municipal de Capivari, Est. de São Paulo, 27 de Setembro de 1897 — Bauru, Est. de São Paulo, 24 de Novembro de 1927.)
BIBLIOGRAFIA: Noturnos; A Sala dos Passes Perdidos; Casa Destelhada; etc.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.