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Capítulo 129 de 150

Escalada

Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos

João da CRUZ E SOUZA*

Louva o suplício da matéria escrava, No turbilhão de cárceres e algemas. E canta, coração, inda que espremas O fel da própria dor em pranto e lava.

Chora e avança cansado, mas não temas; Sangrem-te embora os pés na urtiga brava, Caminha imune al lodo que deprava, Purificado em lágrimas supremas.

51 Indiferente às cóleras e às fúrias, Apaga o fogo das paixões espúrias, Sofre humilde e sereno por vencê-las...

Peregrino de trágico deserto, Um dia, subirás, enfim liberto, Gema solar em túnica de estrelas!... _____________________ (*) Filho de pais escravos, Cruz e Souza é a figura mais expressiva do Simbolismo no Brasil e, ao lado de Mallarmé e Stefan George, um dos grandes nomes do movimento simbolista no mundo, segundo Roger Bastide. 《Tinha》 - escreveu seu grande amigo Virgílio Várzea (apud A. Muricy, Pan. Mov. Sim. Brás., I, pág. 98) - 《uma grande paixão pelas idéias humanitárias, e serviu-as sempre, como um fanático, sem se poupar sacrifícios, na tribuna, em praça pública e principalmente no jornalismo.》 Tendo sofrido acerbas provações, naturalmente dentro das dívidas cármicas, o grande poeta continua, hoje, em afanosa luta pela difusão das 《ideais humanitárias》, entre as quais agora incluiu o Espiritismo e o Esperanto, a corroborar que a vida, com efeito, não cessa no túmulo. Principalmente no setor esperantista, o artista de Faróis é uma personalidade atuante na Espiritualidade.

Em 1961, ano em que se comemorou, em todo o Brasil, o primeiro centenário de seu nascimento, os mais representativos centros culturais do país lhe tributaram mil e uma homenagens, culminando com a publicação de suas Obras Completas, organizadas por Andrade Muricy, em primorosa apresentação, pela Editora José Aguilar Ltda. A extraordinária produção do genial poeta provocou, dos que o rodeavam, os epítetos de 《Cisne Negro》, 《Dante Negro》,《Poeta Negro》, epítetos – diz A. Muricy (op. Cit.,pág. 101) 《compreendidos no senso mais elevado e consecratório de tais expressões》. (Desterro, hoje Florianópolis, SC, 24 de Novembro de 1861 – Sítio, atual Antônio Carlos, Minas Gerais, 19 de Março de 1898.) BIBLIOGRAFIA: Broqueis; Evocações; Faróis; Últimos Sonetos; etc. ALÉM DO AZUL João da CRUZ E SOUZA*

Além, além do humano sorvedouro, Cornucópia mirifica desata Orbes luzindo em flórida cascata, Onde a vida cinzela o céu vindouro...

Constelações e sóis... Ancoradouro Da excelsa luz dos séculos sem data... Almos ninhos em pétalas de prata, Coroados de acanto, mirto e louro...

Por cerúleas alfombras estelares, Flâmeos jardins e edênicos solares, O coração do amor pulsa disperso...

Entre esferas de cálidos fulgores,

Domicílios das almas superiores, 70 Freme a glória divina do Universo.

_____________________ (*) Filho de pais escravos, Cruz e Souza é a figura mais expressiva do Simbolismo no Brasil e, ao lado de Mallarmé e Stefan George, um dos grandes nomes do movimento simbolista no mundo, segundo Roger Bastide. 《Tinha》 - escreveu seu grande amigo Virgílio Várzea (apud A. Muricy, Pan. Mov. Sim. Brás., I, pág. 98) - 《uma grande paixão pelas idéias humanitárias, e serviu-as sempre, como um fanático, sem se poupar sacrifícios, na tribuna, em praça pública e principalmente no jornalismo.》 Tendo sofrido acerbas provações, naturalmente dentro das dívidas cármicas, o grande poeta continua, hoje, em afanosa luta pela difusão das 《ideais humanitárias》, entre as quais agora incluiu o Espiritismo e o Esperanto, a corroborar que a vida, com efeito, não cessa no túmulo. Principalmente no setor esperantista, o artista de Faróis é uma personalidade atuante na Espiritualidade.

Em 1961, ano em que se comemorou, em todo o Brasil, o primeiro centenário de seu nascimento, os mais representativos centros culturais do país lhe tributaram mil e uma homenagens, culminando com a publicação de suas Obras Completas, organizadas por Andrade Muricy, em primorosa apresentação, pela Editora José Aguilar Ltda. A extraordinária produção do genial poeta provocou, dos que o rodeavam, os epítetos de 《Cisne Negro》, 《Dante Negro》,《Poeta Negro》, epítetos – diz A. Muricy (op. Cit.,pág. 101) 《compreendidos no senso mais elevado e consecratório de tais expressões》. (Desterro, hoje Florianópolis, SC, 24 de Novembro de 1861 – Sítio, atual Antônio Carlos, Minas Gerais, 19 de Março de 1898.) BIBLIOGRAFIA: Broqueis; Evocações; Faróis; Últimos Sonetos; etc. A VITÓRIA Casimiro cunha *

Pedes mapas e instruções Para o caminho a trilhar. Entretanto, onde estiveres, O roteiro é trabalhar.

Escalas monte espinhoso No desejo de avançar... Há pedras cerrando a frente? A mudança é trabalhar.

Alegas tédio invencível Da cabeça ao calcanhar; Mas todo enfado se extingue: A fórmula é trabalhar.

13 Lamentas incompreensões, No seio do próprio lar. Toda mágoa foge e cessa. O recurso e trabalhar.

Dizes notar tentações 18 Na idéia, no chão, no ar...

Mas, hoje, podes ser livre. A defesa é trabalhar.

Transportas na alma intranqüila A dor de antigo pesar... Qualquer aflição tem cura O remédio é trabalhar.

Acusas-te perseguido, Afirma-te sem lugar... Renova-te e sê feliz. A melhora é trabalhar.

Problemas são sempre muitos... Não te ponhas a indagar. A vida responde certo. O preceito é trabalhar.

O próprio Cristo na cruz, A sofrer e desculpar, Ensina que, em toda luta, A vida é trabalhar.

(*) Órfão de pai aos sete anos, tendo cursado apenas as primeiras letras em escolas primárias, Casimiro Cunha, depois de haver uma vista aos 14 anos por acidente, cegou da outra aos 16. Adolescente, ainda, colaborou na impressa vassourense. Desde que se tornou espírita confesso, estendeu aos periódicos espiritistas, principalmente ao Reformador, a sua produção poética. Foi um dos fundadores do Centro Espírita “Bezerra Menezes”, de Vassouras. Mário Cis era o pseudônimo que ele comumente usava. Prefaciando o primeiro livro do poeta – Singelos -, M. Quintão chegou a afirmar que ele “fechara os olhos às misérias da Terra, para melhor entrever as belezas do Céu”. Jamais se lhe ouviu dos lábios um queixume, uma palavra de revolta. Era a resignação em pessoa. “Alma feita de luz,” – afirmou-o Armando Gonçalves (Colar de Pérolas, pág. CXXVI) – “é um dos mais vigorosos literatos que enchem de orgulho o torrão fluminense.” (Vassouras, Estado do Rio, 14 de Abril de 1880 – Vassouras, 7 de novembro de 1914.) BIBLIOGRAFIA: a) do homem terreno: Singelos; Efêmeros; aves Implumes; Pétalas; Perispíritos; Álbum de Delba, póstumas. b) do poeta desencarnado: Cartas do Evangelho; cartilha da Natureza; História de Maricota; Gotas de Luz – todas pelo médium Francisco Cândido Xavier; Juca Lambisca e Timbolão – pelos medianeiros desta Antologia.

13. Leia-se in-com-preen-sões,com sinérese. 18. Ler no/ ar, em duas sílabas. 83. Cf. a nota nº. 13 deste capítulo. 114. Note-se a mestria com que o poeta se serviu do bordão: “Simplifica, simplifica.” 162. Leia-se com as, em uma sílaba (Ectlipse).

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.