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Capítulo 85 de 150
Nosso Filho
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
NARCISA AMÁLIA de Campos*
Guarda o tenro menino nascituro Qual se trouxesses brando sol contigo. Oferece-lhe os braços por abrigo, O coração por lar ridente e puro.
Anjo frágil e pássaro inseguro, Busca-te o pão de amor, radiante e amigo. Corrige amando... Acampara sem castigo... Vê na criança a aurora do futuro.
Não lhe firas os sonhos! Não lhe torças A santa direção das novas forças A caminho de flóreas primaveras!...
Dá-lhe o teu próprio exemplo por escudo; Tens no filho querido, antes de tudo, O teu credor volvendo de outras eras.
(*) Poetisa de grande formosura, cronista e tradutora. «Nas letras» – di-lo Antônio Simões dos Reis (Narcisa Amália, pág. 15) – «foi verdadeira deusa, em prosa e verso cantada, com exaltação, por tudo quanto houve de mais representativo na época.» O próprio Imperador D. Pedro II, quando em Resende, fez questão de conhecê-la pessoalmente, fato que ocorreu em 1874. Segundo Artur de Almeida Torres (Poetas de Resende, pág. 67), as poesias de Amália «se caracterizam pela delicadeza de sentimento, pela espontaneidade do estro e pela riqueza musical dos versos». Redigiu o jornal resendense A Gazetinha, tendo co-laborado em outras folhas de Resende, bem como de Niterói, Rio e S. Paulo. «Foi a primeira mulher, entre nós,» – diz Edgard Cavalheiro (Pan. II, pág. 296) – «a erguer a voz em defesa de suas irmãs de sexo, numa tentativa feminista avançada para o meio acanhado e rotineiro de então.» Depois de residir em Resende, passou para o Rio de Janeiro, onde se consagrou ao magistério, até que veio a 'desencarnar, cega e paralítica, com setenta e dois anos de idade. (S. João da Barra, Estado do Rio, 3 de Abril de 1852 – Rio de Janeiro, GB, 24 de Junho de 1924.)
BIBLIOGRAFIA: Nebulosas, poesias.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.