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Capítulo 38 de 150

Desertor

Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos

Galba de Paiva*

Silêncio... Inércia... Morte, O fim de tudo... Era o estranho ideal que acalentara Quando vivi qual cego, surdo, mudo, Ou sonâmbulo em crise longa e rara.

Covarde e tresloucado, em transe agudo, De súbito fugi à vida amara E marchei, constrangido, para o estudo Do enigma que, em vão, me acabrunhara.

Mas não morri... Morreu-me o vaso impuro... E, distante da carne transitória, Colho o passado e planto o meu futuro.

Nem mistério, nem cinza à nossa frente... Apenas o homem louco de vanglória Procurando enganar-se inûtilmente.

(*) Poeta distinto, jornalista, conferencista e crítico literário. Depois de cursar o Liceu Alagoano, de Maceió, bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, tendo sido o orador da turma de 1915. Exerceu várias funções públicas na administração e na magistratura do Rio Grande do Sul. Colaborou em diversos jornais e revistas, dentre outros o Diário do Interior, de Santa Maria, Ultima Hora, de Porto Alegre, Fon-Fon! e Leitura Para Todos, do Rio de Janeiro. Na revista carioca A Semana foi critico literário ao tempo de Adelino Magalhães. De 1930 até à sua desencarnação, viveu no Rio de Janeiro, advogando no foro. (Uruguaiana, Rio Grande do Sul, 26 de Setembro de 1893 – Rio de Janeiro, GB, 1 de Julho de 1938.)

BIBLIOGRAFIA: Folhas, versos; Hora Azul, conferência; Elogio das Cores, idem; etc.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.