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Capítulo 74 de 150
Mãe Balbina
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Cornélio Pires *
Espancaram-te o rosto, Mãe Balbina. Velha, furtaste um pão jogado ao solo, Ama de tanta boca pequenina Que afagavas, cantando, no teu colo.
Ninguém te viu, anêmica e franzina, Com o filho da patroa a tiracolo, E a dor de mãe solteira, inda menina, No suor da coivara e do monjolo.
Roubaste um pão apenas, Mãe querida, Tu que foste roubada em toda a vida Por tantos filhos que te abandonaram!...
Mas Deus guarda-te, além, por luz e enfeite, O tesouro de sangue, pranto e leite Das pérolas de amor que te furtaram!
(*)Além de poeta, contista, jornalista, humorista e conferencista, era Cornélio Pires devotado pesquisador do nosso folclore. «Seja bom» – recomendou-lhe, certa vez, Amadeu Amaral. E Cornélio Pires, ao fazer-se tarefeiro da Doutrina Espírita, não foi apenas um bom, mas verdadeiro herói da bondade permanente, a benefício dos semelhantes. Pouco antes de desencarnar, fundou em Tietê, SP, a «Granja de Jesus», entidade de amparo ao menor abandonado. Escreveu para inúmeros jornais e revistas, tendo iniciado a sua vida literária em O Malho, do Rio. Alguns dos seus livros continuam a ter numerosas e sucessivas reedições. «Sua obra» – di-lo Joffre Martins Veiga – «é eminentemente popular e de cunho essencialmente brasileiro. » (Tietê, Est. de S. Paulo, 13 de Julho de 1884 – S. Paulo, Estado de S. Paulo, em 17 de Fevereiro de 1958.)
BIBLIOGRAFIA: Musa Caipira; O Monturo; Versos; Coisas d’Outro Mundo; Onde estás, ó morte?»; etc.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.