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Capítulo 78 de 150
Morte Úmida
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Augusto Carvalho Rodrigues dos Anjos *
Ei-lo, o doente que se desengana... A úlcera enorme baba gosma escura; O esqueleto senil se descostura Ao bote da gangrena soberana.
Linfa, sangue e suor em papa insana, Na fusão miasmática sem cura, Por sânie e fel no ventre da amargura Cospem a podridão da casca humana.
Última convulsão que desgoverna. A morte chega brusca, horrenda e terna... Corre na goela hirta fino gume.
A alma ditosa nasce noutro nível. E’ o parto novo... E a vida imperecível Desabrocha qual lírio sobre o estrume.
(*) Bacharelando-se em Direito, na cidade do Recife, três anos depois transfere-se Augusto dos Anjos para o Rio de Janeiro, onde permanece por dois anos, lecionando na Escola Normal e no Colégio Pedro II. Muda-se posteriormente para Leopoldina, Minas, tornando-se abnegado diretor do Grupo Escolar “Ribeiro Junqueira”, até à desencarnação. Cognominado o “Poeta da Morte” por Antônio Torres, emparelha-se com Antero Quental, como sendo poeta filósofo do mais alto nível. Os temas científicos encontraram em AA “o seu grande explorador”, segundo a expressão usada por Darcy Damasceno (In A Lit. no Brasil, III, t. 1, pág. 388). Apesar do pessimismo empedernido do poeta paraibano, salienta Fernando Góes (Pan., V, pág.64) que “ em muitos passos de sua obra áspera e amarga há traços de um grande espiritualismo”. (Engenhos Pau d’Arco, perto da Vila do Espírito Santo, Paraíba, 20 de Abril de 1884 – Leopoldina, Minas Gerais, 12 de Novembro de 1914.)
BIBLIOGRAFIA: Eu; Eu e Outras Poesias.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.