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Capítulo 107 de 150

"Ti" Pedro

Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos

Cornélio Pires *

O mendigo que chora, treme e passa Fora cultivador de terra alheia. Em dado instante, hesita, cambaleia... Há quem o julgue cheio de cachaça.

“Ti” Pedro cai e é preso em plena praça E, morrendo, nas lajes da cadeia, Revê toda a fortuna a que se enleia: Cinco tostões num trapo de alcobaça.

De Espírito liberto, entrada afora, Ouve música ao longe... E’ quase aurora... “Ti” Pedro sobe leve como o vento;

E crê que o próprio Deus lhe acalma as dores, Nas estrelas que pendem como flores No pau d’arco de luz do firmamento.

(*)Além de poeta, contista, jornalista, humorista e conferencista, era Cornélio Pires devotado pesquisador do nosso folclore. «Seja bom» – recomendou-lhe, certa vez, Amadeu Amaral. E Cornélio Pires, ao fazer-se tarefeiro da Doutrina Espírita, não foi apenas um bom, mas verdadeiro herói da bondade permanente, a benefício dos semelhantes. Pouco antes de desencarnar, fundou em Tietê, SP, a «Granja de Jesus», entidade de amparo ao menor abandonado. Escreveu para inúmeros jornais e revistas, tendo iniciado a sua vida literária em O Malho, do Rio. Alguns dos seus livros continuam a ter numerosas e sucessivas reedições. «Sua obra» – di-lo Joffre Martins Veiga – «é eminentemente popular e de cunho essencialmente brasileiro. » (Tietê, Est. de S. Paulo, 13 de Julho de 1884 – S. Paulo, Estado de S. Paulo, em 17 de Fevereiro de 1958.)

BIBLIOGRAFIA: Musa Caipira; O Monturo; Versos; Coisas d’Outro Mundo; Onde estás, ó morte?»; etc. TRÊS ESTRELAS João de Deus Ramos*

Três estrelas que o céu guarda e emoldura, Descem, descem, velozes pelo espaço, Seguem reunidas por divino laço, Buscando a Terra além, magoada e escura...

Pousam, enfim, na gleba áspera e dura, Luzes varando o serro triste e baço, E avançam, refletindo, traço a traço, A projeção de sol da imensa altura...

A quem vão socorrer na senda humana? Sob a pálida luz da lua cheia, Para onde marcha a excelsa caravana?

Descem, agora, as três, aquém do monte, E abraçam pobre mãe que ora e pranteia, Em gelado desvão de velha ponte...

(*) De origem humilde, João de Deus bacharelou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1859 exercendo brilhantemente o jornalismo e o magistério, sendo considerado um verdadeiro apóstolo da instrução “É um lírico inimitável” dele diz Mendes dos Remédios (História Lit. Port. Pág.586) –” é o mais espontâneo e genial burilador da poesia portuguesa. Nunca ninguém teve a arte de dizer coisas mais belas em frases tão simples. » (S. Bartolomeu de Messines, Algarves, Portugal, 8 de Março de 1830 – Lisboa, 11 de Janeiro de 1896).

BIBLIOGRAFIA: a) do homem terreno: Flores do Campo; Ramo de Flores; Folhas Soltas; Cartilha Maternal, etc. ; b) do poeta desencarnado Jardim da Infância, pelo médium Francisco Cândido Xavier.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.