Voltar ao livro Antologia dos Imortais

Capítulo 16 de 150

Alvorada

Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos

Leopoldo Vóssio Brígido Dos Santos*

“Morto! Morto!...” – inda escuto. O coração dorido E o pensamento em fogo – a vida que me resta... Meu corpo dorme exangue a derradeira sesta De quem tudo esqueceu no supremo gemido.

Levanto-me, porém, jubiloso e aturdido. Tenho outra forma em luz – alma acordada em festa A esperança é a canção que a alegria me empresta... “Vivo! Vivo!...” – respondo ao choroso alarido.

Entretanto, ninguém ouve a fé que me nutre. No quarto, o desespero – pavoroso abutre, Insufla-me visões de cinzas, sombra e nada!...

Insisto, brado, clamo, ansioso e descontente, Mas, de súbito, enxergo outro mundo e outra gente No celeste esplendor da Sublime Alvorada...

(*) Poeta de vastos recursos, crítico literário de finos dotes, veio LB para o Rio com 19 anos de idade, aí tendo colaborado em vários jornais, como A Semana, O Paiz, a Gazeta de Notícias, etc. Funcionário da Fazenda, chegou ao posto de subdiretor do Tesouro Nacional. «Tradutor inteligente e delicado,» – Fernando Góes o afirma (Pan. V, página 254) – «verteu para o português um famoso poema de Dante Gabriel Rossetti, The Rlessed Damozel, que inspirou a Debussy uma das suas mais belas melodias – La Damoiselle Élue>. Esta e outras traduções colocam-no «entre os melhores tradutores da poesia simbolista, universal no Brasil», declarou-o A. Muricy (Pan. Mov. Simb. Bras., III, pág. 256), que considerou LB um «poeta de instrumento delicado, num sincretismo discreto de parnasianismo predominante e de simbolismo não formal». (Itapipoca, Ceará, 17 de Janeiro de 1876 – Rio de Janeiro, GB, 24 de Agosto de 1947.)

BIBLIOGRAFIA: Poemas do Tempo.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.