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Capítulo 88 de 150
O Lema da Vida
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Osório Pais*
Um dia, perguntei ao Sol: que fazes Para fulgir no eterno alvorecer? O astro divino respondeu, brilhando: – Ajudar e esquecer!
Interroguei à árvore: que fazes Para florir, amar e frutescer? Ela, embora ferida, falou calma: – Ajudar e esquecer!
Interpelei, depois, o pão: que fazes Para ser vida e bênção no dever? O pão amigo acrescentou, sereno: – Ajudar e esquecer!
E disse à fonte límpida: que fazes Para dar-te à renúncia por prazer? Atada ao solo, resumiu cantando: – Ajudar e esquecer!
A própria terra consultei: que fazes Para tudo alentar e refazer? Maternalmente, replicou, bondosa: – Ajudar e esquecer!
Alma, se aspiras à ascensão sublime Na luz do amor, sem nunca esmorecer, Guarda o lema da vida em toda parte: – Ajudar e esquecer!
(*) Informa Liberato Bitencourt, em sua obra Homens do Brasil, vol. II, que Osório Pais estudou em João Pessoa, e, aos dezesseis anos, se entregou ao comércio. Abandonando, depois, a vida comercial, seguiu para a Bahia, onde se diplomou em Odontologia. «Alma boêmia, foi um poeta lírico, um trovador espontâneo, tocador de violão e fazedor de serenatas» – escreveu Luiz Pinto em sua Col. de Poetas Paraibanos –, continuando mais adiante: «A sua colaboração nos jornais e revistas da Paraíba e do Brasil ficou muito esparsa, dela não havendo noticia segura. Era arredio, por índole, a instituições culturais.» E o mesmo autor, Luiz Pinto, é quem afirma em seu livro Cad. de Poetas Brasileiros, pág. 47: «Uma das vocações poéticas mais belas que conheci na Paraíba foi a desse inveterado boêmio, de bondade extrema.» (Alagoa Grande, Paraíba, 14 de Junho de 1886 – João Pessoa, Paraíba, 24 de Abril de 1949.)
BIBLIOGRAFIA: Primícias, versos.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.