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Capítulo 138 de 150

Filii Dei

Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos

José Isidoro MARTINS JÚNIOR *

Homem! Filho de Deus! Cansado itinerante! Fita a glória da Altura e avança, peregrino! 3. O livre arbítrio – a grande estrela, alva e constante, Demarca-te o fiel supremo do destino.

5. Sê prudente, sê bom, sê puro, viandante! Teu passo é ouvido além no Universo Divino, Tanto na ação do bem que se alteia abundante, Quanto na ação do mal que freme em desatino!

A clava da Justiça, horizonte a horizonte, Da Sublime Harmonia é sempre a Eterna Fonte, 11. Seja no peito em flor, seja no peito em chaga.

A todo fel da estrada estende a paz em troca, Segue, antigo viajor, para Deus que te avoca, À luz do Excelso Amor que todas a sombra esmaga!...

(*) Discípulo ilustre de Tobias Barreto, Martins Júnior foi poeta, orador, jornalista, jurista-filósofo, historiador do Direito e professor catedrático. Membro da Academia Brasileira de Letras. Patrono, na Academia Pernambucana de Letras, da cadeira nº 25. Entre outras homenagens que lhe foram prestadas no Recife, por ocasião de seu primeiro centenário de nascimento, em 1960, o acadêmico Ivan Lins, em sessão especial da Academia Brasileira de Letras, em 07-12-60, consagrou-lhe brilhante conferência sob o título “Martins Júnior e a poesia científica”. (Recife, Pernambuco, 24 de novembro de 1860 – Rio de Janeiro, GB. 22 de agosto de 1904).

BIBLIOGRAFIA: Visões de Hoje; Estilhaços; Tela Policroma; e numerosas obras de Direito.

3. Conquanto correto este alexandrino, pode, contudo, ser lido com acentuação na 4ª, 8ª e 12ª sílabas, como no 5º verso do poema “Morta_Viva”, de Tela Policroma (apud Supl. Lit. do Jornal do Comércio, 19-03-61):

“Em/quan/to eu/ vou/ mor/ren/do à/ mín/gua de/tu’/al/ma” 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

5-11. Observem-se dois casos de epímone: “Sê prudente, sê bom, sê puro, viandante!” e “Seja no peito em flor, seja no peito em chaga! (Veja-se G. Campos, N. Cl. Nº 32, nota 85, pág. 26). HOSPITAL

LUÍS DELFINO dos Santos *

Hospital! Praia viva dos efeitos, És foro das causas esquecidas, Reduto generoso de mil vidas, No espinheiral dos trilhos imperfeitos.

Incompreendida dor! Benditos leitos! Ninho-prisão de loucos e suicidas Dantes livres nas largas avenidas Do egoísmo e do orgulho, vis e estreitos.

Em teu regaço, as lágrimas são hinos... Alguém te vela o clima, atento e mudo: O médico no leme dos destinos...

Dá-nos, templo da angústia transitória, O florão da humildade por escudo, 14. O laurel do trabalho por vitória!...

(*) Médico, LD soube, desde cedo, servir-se dos pequenos lazeres da clínica para escrever os magistrais sonetos da sua obra imponente, na qual conseguiu refletir “os três movimentos poéticos do século: o romantismo, o parnasianismo e o simbolismo”. Seu filho, Tomás Delfino, já desencarnado, coligiu em vários livros a obra imensa de LD, deixada esparsas em jornais e revistas. “Era um poeta abundante”, - confirma-o Manuel Bandeira – “e tanto podia espraiar-se longamente em lirismos condoreiros, como sabia limitar-se lapidarmente num soneto”. (Apud LD, Arcos de Triunfo, pág. 29). (Florianópolis, Santa Catarina, 25 de agosto de 1834 – Rio de Janeiro, GB, 31 de janeiro de 1910).

BIBLIOGRAFIA: Algas e Musgos; Poemas; Poesias Líricas; etc. ___________________________

14. Admirável soneto, digno de um médico-poeta.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.