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Capítulo 137 de 150
Adeuses de Saudade
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
F. MANGABEIRA (FRANCISCO Cavalcanti MANGABEIRA) *
Olhando a Terra envolta em sombra escura, Fico a cismar sozinho na saudade... O’ Galera da Vida, que procura O teu giro na luz da imensidade?
5. Vejo o assomar de cenas vis e insontes Do palco de mim mesmo ressurgidas. Nos brilhos festivais dos horizontes Decifram-se mistérios de outras vidas.
9. Recordo os dias tristes e risonhos... 10. No presente, o passado entre em conflito... Na teia luminosa de mil sonhos, O meu pensar desmaia no Infinito...
13. Doces notas ecoam delicadas... Há lira oculta além dos promontórios Das nuvens de outras terras, espalhadas Por alfombras varando espaços flóreos.
Vastos campos de dores e prazeres Entreabrem-se ao mundo e aos corações. 19. A carícia da fé embala os seres, E as almas são repuxos de orações.
Em toda a parte o amor vibra e esplendora... A vida – movimento de beleza – Revela o eterno bem estrada afora Em cada pulsação da Natureza.
Quais belos focos de esperança, Almas libertas tomam novo alento. Do Amor Sem Fim derrama-se a bonança... EM tudo há melodia e encantamento...
Terra! Galera ao sol, luta e porfia! Guarda contigo a Grande Humanidade! Homens! Canta a festa da alegria, Enquanto choro adeuses de saudade!...
(*) Médico, jornalista e poeta. Viveu uma existência agitada e heróica. À maneira de Luís Delfino, soube associar a Medicina à Poesia, até que a morte o colheu, em viagem, depois de servir na libertação do Acre, vítima de terrível polinevrite palustre. Agripino Grieco coloca-o entre os poetas do “nosso segundo parnasianismo”. Nélson Werneck Sodré, por outro lado, situa-o entre os poetas menores do romantismo. Tem a poesia de Francisco Mangabeira, segundo Américo de Oliveira, “eloquentíssimos êxtases passionais, e todos os sentimentos assumiram elevações verdadeiramente inéditas” (apud A. Diniz, Francisco Mangabeira, pág. 207). Patrono, na Academia de Letras da Bahia, da cadeira nº 70. (Salvador, Bahia, 8 de fevereiro de 1879 – A bordo do paquete S. Salvador, na altura de Gapuri, entre Belém e S. Luís, 27 de janeiro de 1904.)
BIBLIOGRAFIA: Hostiário; Tragédia Épica, poema; Últimas poesias; além de inéditos.
5. Entenda-se “Vejo o assomar de cenas vis e insontes / ressurgidas do palco de mim mesmo”. 9-13 Ler com sinérese: di/as e e/co/am. Atente-se, ainda, no hipérbato: “Doces notas ecoam delicadas...” 10. Antítese 19. Leia-se com hiato: fé/ em/ba/la
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.