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Capítulo 123 de 150
Infância
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Antônio Furtado *
Esse vaso de fina porcelana Que cintila, Antes de erguer-se, em forma soberana, Era simples argila.
O rio que o sol beija em ondas de ouro,
Nas planícies amenas, Era no nascedouro Um fio de água apenas.
A laranjeira, em pomos tentadores, Que se eleva e domina, Antes de ser perfume, seiva e cores, Era pobre semente pequenina.
13 O homem que exprime as glórias da consciência 14 Com o verbo claro e terso, Antes de ser o herói da inteligência, Era uma flor no berço.
Se almejas profligar o mal sem medo, 18 Na suprema reentrância, Educa, meu amigo, enquanto é cedo, O coração da infância.
13 -18. Ler com sinérese: cons-ciên-cia e reen-trân-cia 14. Leia-se Com o em uma sílaba (Ectlipse).
(*) Poeta, crítico, contista e jurista, AF concluiu o curso de bacharelado na Faculdade de Direito do Ceará, em 1916, da qual veio a ser professor catedrático. No Território do Acre exerceu vários cargos de magistratura. Membro da academia Cearense de Letras. (Quixeramobim, Ceará, 14 de Junho de 1893 – Fortaleza, Ceará, 26 de Agosto de 1937.)
BIBLIOGRAFIA: História Azul, poemeto; Augusto Linhares, crítica; Idéia Fixa, contos; etc. Deixou vasta produção esparsa O ESPÍRITO
Caetano PERO NETO (*)
Rompeu-se a grade. 2 Pássaro livre plana, plana...
No solo profundo, Partiu-se o grilhão de pedra, 5 A fonte corre, corre...
O livro continha letras enfileiradas, Corrente encarcerando a idéia. 8 Mas a idéia era chama e fugiu...
Cântico que persistes nas lonjuras do céu, Onde a garganta que te soltou a melodia das masmorras de sombra Para a festa dos sóis? Perfume que vagas, aéreo, Onde a flor que te vazou a essência da terra limitada Para o espaço infinito? Quem és, luz que esgarçaste a bruma de todas as prisões?
16 Ave, regato, pensamento, som, aroma, Tudo que voa no sem fim, Alga consciente e imóvel, no oceano do tempo, Sou eu, O Espírito que transcende os estágios da carne e as máscaras da morte, Para ser um triunfo 22 O pólen do Universo!
2-5. Observe-se o ricochete nos dois versos: “Pássaro livre, plana, plana “...” e” “A fonte corre, corre...” 8. Epanástrofe: “...encarcerando a idéia./ Mas a idéia...” Cf. Dic. Gramatical – Português. Prof. Francisco Fernandes. 16. Cif. Nota nº.4-11, pág. 58. 22. Dentro dos moldes modernistas, “O Espírito” guarda aquela beleza das coisas transcendentais. “Pólem do Universo – o Espírito” – imagem das mais admiráveis; “soltar a melodia das masmorras de sombra para a festa dos sóis”; “esgarçar as brumas de todas as prisões” – são versos pelo seu poder imagístico e dinamismo expressivo por si só revelam a perícia do poeta para contagiar o espírito do leitor com o belo que dimana de seus versos livres. Aliás, Pero Neto preenche a finalidade do poeta: “fixar a beleza que passa”, com a diferença que ele fixa, agora, a beleza que nunca passará –o Espírito.
(*) Contista, romancista, e poeta do grupo dos <<novíssimos>>,, cursava o 5º ano da Faculdade de Direito de S. Paulo, quando desencarnou. Nos últimos tempos de ginásio, colaborava com jornais de Itápolis. Depois encetou a publicação de poesias e contos nos periódicos Álvares de Azevedo, Tribuna Liberal, XI de Agosto, etc. Orador oficial da Associação Acadêmica <<Álvares de Azevedo>>, aos 19 anos já <<era o representante intelectual do corpo discente da Faculdade>> (apud Xangô e ..., pág. 12). Em 1936, foi eleito presidente da referida Associação Acadêmica. Redigiu, com Osmar Pimentel e Mário da Silva Brito, a folha universitária Anhanguerra. Participou do movimento intelectual da <<Bandeira>>,chefiado por Cassiano Ricardo e Menotti del Picchia. Membro da Academia de Letras da Faculdade. Ulisses Guimarães (apud Dic. Aut. Paul., pág. 469) disse que ele <<foi um lírico, como tal eminentemente subjetivo>>. <<Seus poemas,>> - escreveu Dulce Salles Cunha ( Auut. Contemp. Brasileiros, pág.229) - <<em geral muito pessoais, são quase todos isentos de senões,>> (Itajobi, Est. S.Paulo, 21 de agosto de 1916 –S.Paulo, Est. de S. Paulo, 23 de Dezembro de 1937.)
BIBLIOGRAFIA: Xangô e Outros Poemas, obra póstuma.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.