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Capítulo 7 de 150

Ternura Maternal

Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos

Carlos Dias Fernandes

As paredes da casa em vão procuro, Quero dizer adeus e não consigo... 3 Vejo apenas o vulto amargo e amigo Da morte que me estende o manto escuro.

Choro a estirar-me, trêmulo, inseguro; O leito ensaia a pedra do jazido... Padeço, clamo e indago a sós comigo, Qual pássaro que tomba contra um muro.

A névoa espessa enreda o corpo langue. É o terrível crepúsculo de sangue Que me tinge de sombra os olhos baços;

Mas surge alguém, no caos que me entontece, É a minha mãe, que alonga as mãos em prece, Doce estrela brilhando nos meus braços!...

II

15 Ave que torna, em chaga, ao brando ninho, Ouço divina música na sala, É a sua voz celeste que me embala, Motes do lar que tornam de mansinho.

19 Ergo-me agora... O corpo é o pelourinho De que me desvencilho por beijá-la... 21 “Mãe! Minha Mãe!,,,” – suspiro, erguendo a fala, A soluçar de júbilo e carinho.

23 - “ Dorme, filho querido! Dorme e sonha!...” Nossa velha canção terna e risonha Regressa com beleza indefinida...

Tomo-lhe os braços em que me acrisolo E durmo novamente no seu colo Para acordar no berço de outra vida.

3. Note-se o efeito expressional resultante da aproximação de amargo amigo e amigo. 15. Há leve semelhança deste soneto com ” Volta à Casa Paterna “ de Luís Guimarães Júnior. Todavia, aqui o poeta consegue receber, em generosas manifestações de carinho, as vibrações de coragem e amor materno, que lhe aconselha dormir e sonhar para, em breve, “acordar no berço de outra vida.” 19. Cf. nota nº. 1, pág. 44 21. Cf. nota nº. 7, pág. 42. 23. Cf. nota nº. 2, pág. 36.

(*) Jornalista, romancista, poeta, crítico, autor dramático, Carlos D. Fernandes residiu em várias cidades e, por onde passava, era temido por sua combatividade característica. Esteve no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Pará, no Recife. De sua vida nesta última cidade,onde se formou em Direito, Gilberto Amado, em Minha Formação no Recife, dá-nos fiel descrição do poeta. Como redator, ou colaborador, escreveu em inúmeros jornais e revistas. Amigo dos mais calorosos de Cruz e Souza, participou do movimento da Rosa-Cruz e da Meridional, segundo informações que colhemos em A. Muricy ( Pan. Mov. Simb. Bras., II, pág. 195). (Mamanguape, Paraíba, 20 de Setembrode1875 – Rio de Janeiro, GB, 9 de Dezembro de l942.)

BIBLIOGRAFIA: Solaus; Vanitas Vanitattum; Livro das Parcas; Terra da Promissão; etc...

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.