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Capítulo 63 de 150

Hora Extrema

Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos

Júlio Mário Salusse*

Céu de chumbo a rugir na imensidão remota Verte em largos bulcões indômita procela. No tempestuoso mar que se agita e encapela, Sofro o anseio febril dos náufragos sem rota.

Mergulho a vastidão, qual mísera gaivota Que, em tentando fugir da nau que se esfacela, Logra apenas ferir-se e tombar junto dela, Sonho audaz de infinito amargando a derrota.

Desço às vascas do fim, no pélago profundo... Irrompe de improviso a tela de outro mundo, Sob a luz que transcende os fastos da memória.

Faz-se a treva esplendor, raia o dia opulento... Ante a luz divinal, que banha o firmamento, Levanto-me do abismo, em suprema vitória.

(*) Poeta lírico de inspiração invulgar, o autor de «Cisnes estudou em Nova Friburgo e no Rio, ai se bacharelando em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais. Advogou durante alguns anos sendo posteriormente promotor público na comarca de Paraíba do Sul e de Friburgo, no Estado do Rio. Fixou-se, depois, na terra carioca., onde continuaria a exercer a advocacia. Nilo Bruzzi (Júlio Salusse, o último Petrarca, pag. 16) considera-o o «maior poeta, platônico deste século, no Brasil» e o «mais delicado romântico havido nas nossas letras». E afirma: «Jamais teve um momento de revolta contra o destino, porque, sendo filho da mais atroz adversidade, recebia a dor como corolário natural da sua existência silenciosa. » Pertenceu à Academia Fluminense de Letras. (Friburgo ,Estado do Rio, 30 de Março de 1872 – Rio de Janeiro, GB, 80 de Janeiro de 1948.)

BIBLIOGRAFIA: Nevrose Azul; Sombras.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.