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Capítulo 65 de 150
Instantâneo nas Trevas
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
José Júlio da Silva Ramos*
O Espírito de Luz desce à noite umbralina... Doce nume a lenir as feridas da furna, Escuta um malfeitor de face taciturna, Que a estorcer-se, mordaz, acusa e desatina.
Anjo à frente de um monstro... A compaixão divina Oferta ao frio e à sombra o bem por flâmea urna. Rende-se a fera humana e conta, em voz soturna, A história de si mesmo, expondo a senda em ruína...
Amaldiçoava o pai que outrora lhe trouxera A riqueza e o prazer em dourada quimera, Sem jamais dar-lhe amor ao peito maltrapilho...
Cala-se... O benfeitor beija-lhe o férreo pulso E cai-lhe, humilde, aos pés, sob pranto convulso... O emissário dos Céus achara o próprio filho.
(*) Emérito professor de Português do Colégio Pedro II, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira nº. 37, prosador primoroso e poeta lírico de profunda inspiração, Silva Ramos fêz o curso de Direito na Universidade de Coimbra. Filólogo dos mais eminentes, soube influenciar espíritos de escol quais Antenor Nascentes, Manuel Bandeira e Sousa da Silveira. Colaborou em diversas publicações, como A Semana, Revista da Academia Brasileira de Letras, Renascença, etc. «A magnanimidade de Silva Ramos» – disse Alcântara Machado – «é atestada não por este ou aquele capítulo, mas por todas as páginas da sua existência. » (Recife, Pernambuco, 6 de Março de 1853 – Rio de Janeiro, GB, 16 de Dezembro de 1930.)
BIBLIOGRAFIA: Adejos; Pela Vida Fora; A Reforma Ortográfica; Centenário de João de Deus, conferência; etc.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.