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Capítulo 8 de 150
A Brandura
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Andradina América de Andrada E Oliveira*
Asserena-te e vara a desventura No caminho de dor, áspero e azedo; Serenidade – o lúcido segredo Em que a vida se eleva e transfigura.
Tudo cresce na força da brandura. A água desgasta os punhos do rochedo; Olha a chuva cantando no arvoredo, A transfundir-se em pão, bondosa e pura.
De coração batido e lodo à face, Inda que o fel da injúria te traspasse, Semeia o bem que as mágoas alivia...
Mesmo trazendo o peito por cratera, Suporta, ampara e crê, ajuda e espera, Que amanhã será sempre novo dia.
(*) Poetisa, contista, romancista, iniciou sua vida literária, quase menina, conforme afirma sua filha Lola de Oliveira em Minha Mãe!, escrevendo em inúmeros periódicos sul-riograndenses. Foi também teatróloga e aplaudida conferencista. Professora pela Escola Normal de Porto Alegre, com distinção em todas as matérias, a poetisa de Folhas Mortas lecionou em cursos particulares, em várias cidades gaúchas, depois de nove anos dedicados ao magistério público. Fundou um jornal literário feminino, O Escrínio, mais tarde transformado em revista ilustrada, e formou, segundo Antônio Carlos Machado, entre as maiores feministas brasileiras de sua época. De 1920 até à sua desencarnação, residiu na capital paulista. (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 12 de Junho de 1878 – S. Paulo, 19 de Junho de 1935.)
BIBLIOGRAFIA: Folhas Mortas; Preludiando, contos; Cruz de Pérolas, contos; etc.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.