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Capítulo 2 de 150
Ela
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
I RODRIGUES DE ABREU (Benedito Luís de Abreu)*
Onde ela passa qual estrela, Célere e luminosa, Varrendo a escuridão da vida humana, O carvão da miséria Faz-se bendito lume, Atraindo as mãos frias De velhos e crianças Que so1uçam na sombra.
Onde ela passa docemente, Por divina visto Entre as campas do mundo, Toda planta esmagada Reverdece de nova Ao brilha da esperança.
Onde ela passa generosa, Sabre a lama da Terra, Lírios brotam do charco, Perfumados e puros, Coma bênçãos do Céu Projetadas no lodo.
Ninguém lhe ouviu jamais qualquer palavra De azedia ou censura.
Apenas a vaidade muitas vezes Lhe toma a retaguarda E espalha a pessimismo Nos corações, em torno,
Comentando, agressiva, A torva indiferença Dos que bebem a sós O vinho da ilusão E devoram cruéis, O pão da mesa farta, Dando sobras ao mofo, Atolados na usura 35 Que a aura anestesia.
Ela passa, entretanto, Nobre, serena e bela, Em profundo silêncio,
Educando e servindo Sem que ninguém lhe escute 41 Sequer o próprio hálito... Porquanto, em tudo e em todos, E’ sempre a Caridade — a Luz que veio de Deus.
(*) Poeta, teatrólogo, educador. Escreveu nos principais jornais e revistas dos Pais. Tendo sido a infância de RA uma das mais afanosas, iniciou ele o curso primário em Piracicaba, completando-o em S. Paulo. Depois de muitas reviravoltas por diversos colégios, de outras cidades, regressa o poeta à Capital paulista, onde passa a lecionar. Posteriormente, transfere-se para sua terra natal, desencarnando, mais tarde, em Bauru. Péricles Eugênio da Silva Ramos (in Lit, no Brasil, III, t. 1, página 538) classifica RA como poeta modernista não «histórico» e acrescenta, adiante, que ele <cultivou uma poesia simples, sentimental e dolorida». Embora Afonso Schmidt (in Dic. Aut. Paulistas, pág. 16) o considere «um dos maiores poetas de S. Paulo», Domingos Carvalho da Silva, <0 seu melhor critico», diz que RA, como poeta, foi "alto valor que não chegou a realizar-se, mas que manteve sempre a sua individualidade» (apud Pan. VI, pág. 80). (Municipal de Capivari, Est. de São Paulo, 27 de Setembro de 1897 — Bauru, Est. de São Paulo, 24 de Novembro de 1927.)
BIBLIOGRAFIA: Noturnos; A Sala dos Passes Perdidos; Casa Destelhada; etc.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.