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Capítulo 25 de 150

Caim

Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos

Augusto Carvalho Rodrigues dos Anjos *

Qual monstro hirsuto que se desenterra, Aborto horrendo de sinistro abdômen, Torna Caim, sem látegos que o domem, Para a nova balística da guerra!

As medonhas mandíbulas descerra, Indiferente às chagas que o carcomem, E, bramindo, desperta na alma do homem As maldições anônimas da Terra...

Fera oculta no brilho do proscênio, Crava as unhas na bomba de hidrogênio, Fitando o mundo que se desgoverna...

Mas o Cristo contempla o quadro obscuro, E, embora em pranto, envolve de amor puro O lobo famulento da caverna.

(*) Bacharelando-se em Direito, na cidade do Recife, três anos depois transfere-se Augusto dos Anjos para o Rio de Janeiro, onde permanece por dois anos, lecionando na Escola Normal e no Colégio Pedro II. Muda-se posteriormente para Leopoldina, Minas, tornando-se abnegado diretor do Grupo Escolar “Ribeiro Junqueira”, até à desencarnação. Cognominado o “Poeta da Morte” por Antônio Torres, emparelha-se com Antero Quental, como sendo poeta filósofo do mais alto nível. Os temas científicos encontraram em AA “o seu grande explorador”, segundo a expressão usada por Darcy Damasceno (In A Lit. no Brasil, III, t. 1, pág. 388). Apesar do pessimismo empedernido do poeta paraibano, salienta Fernando Góes (Pan., V, pág.64) que “em muitos passos de sua obra áspera e amarga há traços de um grande espiritualismo”. (Engenhos Pau d’Arco, perto da Vila do Espírito Santo, Paraíba, 20 de Abril de 1884 – Leopoldina, Minas Gerais, 12 de Novembro de 1914.)

BIBLIOGRAFIA: Eu; Eu e Outras Poesias.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.