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Capítulo 18 de 150

Antevisão

Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos

Alceu de Freitas Wamosy*

E um dia chegará, de segundo a segundo, A vitória imortal... Tiranias ultrizes Dobrarão para sempre as trágicas cervizes Ante o reino do amor a espraiar-se, fecundo!

A impiedade revel, o ódio a rir-se iracundo, A usura de Harpagão e o gládio de Cambises Serão restos crostais de velhas cicatrizes, Temerárias lições no semblante do mundo!

Não mais fome ou nudez... O arado, a escola e o malho Entoarão sobre a Terra as canções do trabalho Em trompas e clarins de concerto bendito!

E os homens, céus além, ao tato incontroverso, Descobrirão, por fim, nos portais do Universo, A bússola de Deus no timão do Infinito!

(*) Poeta e jornalista, AW trabalhou ativamente na imprensa, principalmente depois que fixou residência em Livramento, tendo sido diretor de O Republicano. Patrono da cadeira n 40, na Academia Sul-Riograndense de Letras. Sua poesia é essencialmente subjetiva, com impressões de vida interior. Prefaciando-lhe a obra póstuma Poesias, Mansueto Bernardi afirmou: «Alma de eleição, um dos mais finos temperamentos artísticos do Rio Grande, uma das belas vazes da poesia, no Brasil. » E mais adiante, observava: «Ao mesmo tempo que o pensamento do amor, o pensamento da morte o acompanha sempre. (...) Foram eles, por assim dizer, o amor e a morte, assim como a luz e a sombra dos seus olhos, o mel e a cicuta dos seus lábios, a sístole e a diástole do seu coração.» (Uruguaiana, Rio Grande do Sul, 14 de Fevereiro de 1895 – Livramento, Rio Grande do Sul, 13 de Setembro de 1923.)

BIBLIOGRAFIA: Na Terra Virgem; Coroa de Sonhos; etc.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.