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Capítulo 144 de 150
Pênfigo
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Antônio VALENTIM da Costa Magalhães (*)
15 “Fogo! Fogo!...” – esbraveja o inquisidor, fremente, Torvo olhar na expressão implacável e crua. 17 Coleia a chama enorme e, trágica, flutua A subir e bailar qual rúbida serpente.
- “Piedade, meu Deus!...” – Choram vítimas, rente Ao fogo que lhes rompe a carne viva e nua. Estorcem-se de horror, ante os gritos da rua, 22 E somem-se, a bradar: - “Inocente! Inocente!...”
O tempo voa e abate o verdugo do povo... 24 Ordena a Grande Lei que ele nasça de novo Para que o lume vivo o experimente e encangue;
E o terrível algoz na prova a que se aferra, Aos singultos de dor, arrasta sobre a Terra 28 O corpo torturado em brasas cor de sangue!...
(*) Romancista, poeta, crítico literário, teatrólogo, contista e jornalista. Bacharel pela Faculdade de Direito de S. Paulo, Valentim Magalhães advogou durante anos no Ri de Janeiro, onde foi professor de Português e, depois, de Pedagogia na Escola Normal. Diretor-fundador do celébre jornal literário – A Semana – e membro fundador da Academia Brasileira de Letras, o suave poeta de Rimário exerceu poderosa influência nos meios culturais do Pais. Colaborou em diversos diários importantes do Rio e de S. Paulo. Segundo Péricles Eugênio da Silva Ramos (Pan., III, pág. 29), foi VM um dos poetas mais representativos da poesia socialista. ( Rio de Janeiro, Gb, 16 de Janeiro de 1859 – Rio de Janeiro, Gb, 17 de Maio de 1903.)
BIBLIOGRAFIA: Cantos e lutas; Rimário; Quadros e Contos; Horas Alegres; etc.
15. Epizeuxe. 17. Note-se o efeito deste “enjambement”. Como que chegamos a ver a rúbida serpente a subir e a bailar, coleante e trágica. 22. Ricochete: “... – “ Inocente! Inocente!...” 24. Grande Lei. Refere-se o poeta à Lei de Causa e Efeito. AOS CARAVANEIROS DO BEM
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.