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Capítulo 75 de 150
Maria Doida
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Cornélio Pires *
“Doida! Maria Doida!” A meninada Persegue a pobre louca em longas filas. Cerrando as mãos nervosas e intranqüilas, Maria corre em fúria desgrenhada.
Ah! minha irmã, que em sombra te aniquilas; Desditosa, sozinha, desprezada, Bebes, com sede e fome, na calçada, O pranto que te verte das pupilas!...
Mas, à noite, Maria, enquanto dormes, Revês, de novo, as árvores enormes Do teu solar de luxo noutras eras...
E agradeces, na palha seca e fria, A rude provação de cada dia, Como preço do júbilo que esperas!
(*)Além de poeta, contista, jornalista, humorista e conferencista, era Cornélio Pires devotado pesquisador do nosso folclore. «Seja bom» – recomendou-lhe, certa vez, Amadeu Amaral. E Cornélio Pires, ao fazer-se tarefeiro da Doutrina Espírita, não foi apenas um bom, mas verdadeiro herói da bondade permanente, a benefício dos semelhantes. Pouco antes de desencarnar, fundou em Tietê, SP, a «Granja de Jesus», entidade de amparo ao menor abandonado. Escreveu para inúmeros jornais e revistas, tendo iniciado a sua vida literária em O Malho, do Rio. Alguns dos seus livros continuam a ter numerosas e sucessivas reedições. «Sua obra» – di-lo Joffre Martins Veiga – «é eminentemente popular e de cunho essencialmente brasileiro. » (Tietê, Est. de S. Paulo, 13 de Julho de 1884 – S. Paulo, Estado de S. Paulo, em 17 de Fevereiro de 1958.)
BIBLIOGRAFIA: Musa Caipira; O Monturo; Versos; Coisas d’Outro Mundo; Onde estás, ó morte?»; etc.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.