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Capítulo 136 de 150
Basílio Seixas
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
1. Alguém partiu... E ao longe a estranha e muda escolta Segue um casulo inerme à estreita cova escura... Se a trilha humana foi a vasta semeadura, O caminho do Além traz a justa recolta.
O corpo cai, a terra o esconde e a turba volta... Morrem na alcova fria e ultriz da sepultura Os derradeiros ais da escala da amargura
Em que o triste marcava o suplicio e a revolta...
Mas dilema cruel de ansiedade me inunda, Ao fitar a alma livre até que se reintegre Na extrema exaltação da vida que persiste...
Não sei dizer quem sente a emoção mais profunda: Se quem ficou na sombra arrasado e alegre; 14. Se quem subiu à Luz ditoso e triste!...
(*) Poeta de origem humilde, nascido em 1884, dele diz Edgard Rezende (Os Mais..., pág. 211): “Criado por sua avó, quitandeira, foi tipógrafo, tendo sido impressor e assíduo colaborador da revista Tagarela, dirigida por Peres Júnior. (Teles de Meireles)”. Atacado de tuberculosos galopante, o poeta veio a falecer em 23 de março de 1903, com apenas 19 anos de idade, quando ainda cursava o 2º ano do curso jurídico, no Rio de Janeiro. A revista Tagarela de 26 de março desse ano, em breve necrológico à pág. 3, após afirmar que “Basílio Seixas era um talento de primeira água”, salientou que ele “se fez à custa de uma raríssima força de vontade, estudando com denodo enorme e inabalável”. Mário Linhas (Poetas Esquecidos, pág. 209), diz que o único livro de versos de BS, publicado em 1902, “colocou o seu nome na plana dos nossos melhores poetas”. Foi Basílio Seixas amigo e ardente admirador de Emílio de Menezes.
BIBLIOGRAFIA: Ópera, versos.
1. Atente-se na eloqüência do “enjambement” dando a idéia de que, realmente, um séqüito leva alguém “à estreita cova escura...” Observe-se, ainda, a aposiopese: “Alguém partiu...” 14. A nosso ver, “Dilema” é a resposta sincera do poeta ao seu “Pela Glória de Partir”, por ele escrito quando ainda na terra e dedicado a Peres Júnior, que vamos transcrever, a fim de que possamos comprovar semelhante fato:
“É um funeral que passa. Um mais que, venturoso, Abandonou do mundo as dores e as quimeras, E sua alma, espalhando o horror pelas esferas, Sumiu-se qual se fora um sopro vaporoso.
Irmão nosso – mortal – tão deslumbrante gozo Jamais ele sentiu nas esquecidas eras. Vida, sonhos liriais, amores, primaveras Nada lhe vale esta hora o cândido repouso!
Por que chorais? Por que sofreis dessa ventura, Se não há mais para ele a ríspida tortura Que ora as nossas paixões amargurando vai?
Todo sonho da vida encerra-se na Morte, Portanto, pelo amor desse final transporte, Hosanas, meus irmãos, seu funeral saudai!”
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.