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Capítulo 47 de 150
Escuta, Coração
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Mario Veloso Paranhos Pederneiras*
Cansado coração, pélago afora, No peito infortunado, errante e aflito, Sofre na carne o estranho sambenito Das rudes provações de cada hora.
Ninguém perceba a mágoa do teu grito; Persevera no amor, sangrando embora... Além, no Grande Além, a Eterna Aurora É o porto de teus sonhos no Infinito.
Escala os topes ásperos da trilha, Agradecendo o golpe que te humilha, Onde vibres, tremendo de ansiedade.
Ama e perdoa, coração, que, um dia, Volitarás chorando de alegria Na divina ascensão à Imensidade...
(*) Depois de fazer os estudos secundários no Colégio Pedro II, não logrou o penumbrista do Simbolismo concluir o seu curso de Direito, centralizando toda a atenção no cultivo das letras, passando então a fundar e dirigir revistas quais Rio- Revista, Galáxia, Mercúrio e fonfom!. O seu prestigio ficou evidenciado no primeiro concurso para a escolha do príncipe dos poetas brasileiros: MP classificou-se em terceiro lugar, logo abaixo de Olavo Bilac e Alberto de Oliveira. Assinala Alceu Amoroso Lima (in Lit. no Brasil, III, pág. 404) que a poesia de MP «é marcada por um profundo sentimento de espiritualidade, especialmente doméstica». (Rio de Janeiro, GB, 2 de Novembro de 1867 – Rio de Janeiro, GB, 8 de Fevereiro de 1915.)
BIBLIOGRAFIA: Agonia; Rondas Noturnas; Histórias do Meu Casal; Ao Léo e à Mercê da Vida; etc.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.