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Capítulo 54 de 150

Fascinação

Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos

Ciro Costa*

Atravessara, aflito, os umbrais do outro mundo E, ao erguer-se da lousa, exânime, febrento, No sepulcro imagina o suntuoso aposento Onde, a sós, afagava o tesouro infecundo.

– “Meu dinheiro!” – reclama, exasperado e atento. – "Ouro! Meu ouro só! Por nada me confundo! Ladrões! Quem me furtou?” – esbraveja iracundo, Em largo desafio aos sarcasmos do vento.

Ouve o silêncio em torno e ruge: – “Agora, agora! Achei meu cofre! Achei!... ” – gargalha, grita, chora, Na homérica ilusão que ele mesmo proclama...

Inclina-se. Algo colhe e, em delírio perfeito, Investe contra a sombra e aperta contra o peito Velha tampa de esquife empastada de lama.

(*) Depois de formar-se em Direito pela Faculdade de S. Paulo, o artista de «Pai João» viajou pela Europa e pelo Oriente, chegando a visitar a India e o Egito. Residiu por algum tempo no Rio de Janeiro. Juntamente com Olavo Bilac, Martins Fontes e outros intelectuais, fundou a «Sociedade dos Homens de Letras do Brasil». Colaborou nas revistas paulistas da época, dentre elas A Cigarra e A Vida Moderna. Eleito para a Academia Paulista de Letras, não chegou a tomar posse. «Ciro Costa era uma irradiação larga, amplíssima de talento e de simpatia» – afirma Marques da Cruz na Revista da Academia Paulista de Letras, nº. 25, pág. 169. «Epígono da geração acadêmica do Romantismo», fundamentalmente um romântico, ele viveu, porém, a vida da sua época. «Foi parnasiano e simbolista» – escreve Marques da Cruz, concluindo. (Limeira, Est. de S. Paulo, 18 de Março de 1879 – Rio de Janeiro, GB, 22 de Junho de 1937.)

BIBLIOGRAFIA: Estelário; Terra Prometida.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.