[user_registration_my_account]
Capítulo 61 de 150
História do Destino
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Artur Gonçalves De Sales*
Rogava o barro a sós, preso a lodosa charpa: – “Liberta-me, Senhor, do lixo que me escorna! Ai de mim que sou lama envilecida e morna!...” Veio a chuva e, oh! beleza! o brejo vibra e zarpa.
A água que dormia em túmida madorna Põe-se, turva, a correr no solo que se escarpa, Atormenta-se, luta e vai, de farpa em farpa, Como pranto de dor que, súbito, se entorna...
Agita-se e obedece, escrava à gleba obscura, Beija os rijos punhais da rocha em que se apura, Abraça as provações e canta a bendizê-las!
Depois, é fonte ao mar, qual poema divino!... Alma, a história do charco é a história do destino Que nos arrasta, além pata além das estrelas...
(*) Depois de ter assentado praça no 9º Batalhão de Infantaria e tentado matricular-se na Escola Militar, no Rio de Janeiro, Artur de Sales voltou a Salvador, onde, em 1905, recebeu o diploma de aluno-mestre, da Escola Normal. Exerceu o magistério primário «em aprendizados agrícolas». Foi um dos fundadores da Academia de Letras da Bahia, aí ocupando a cadeira nº. 8. A obra poética de AS, a princípio simbolista, passou depois a ser concebida parnasianamente. Suas poesias, em geral abrangendo temas populares, revelam-lhe o grande interesse pelas coisas do mar. Considerado «admirável plástico do verso» por Jackson de Figueiredo, foi ainda Artur de Sales, na expressão de Eugênio Gomes, um «ébrio de Shakespeare», traduzindo-lhe, em versos alexandrinos, a peça Macbeth. (Cais Dourado, Salvador, Bahia, 7 de Março de 1879 – Salvador, 27 de Junho de 1952.)
BIBLIOGRAFIA: Poesias (1901-1915) ; Poemas Regionais; etc.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.