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Capítulo 36 de 150
Desculpa
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Irene Ferreira de Souza Pinto*
Escuta serenamente Quem te repele ou censura. Há muito fel de amargura, Em forma de maldição. Às vezes quem te maltrata Arrasta apenas consigo Sede, fome e desabrigo Por brasas no coração.
Quem te injuria e escarnece, Na frase agressiva, azeda, Em si sofre a labareda Que verte do próprio mal. Toda cólera é doença. Aquele que se enraivece Solicita o pão e a prece Do socorro fraternal.
Muita gente cai nas trevas, Por não achar, no caminho, Brandura, silêncio e ninho, No peito amigo de alguém. Inda que ofensas te cubram E lâminas te retalhem, Que as tuas forças não falhem Na força que espalha o bem.
Desculpa, constantemente, O golpe, a pedrada, o insulto, Apesar do pranto oculto, Amargo, desolador!
– Quem tolera e quem perdoa, Embora de alma ferida, Encontra, na própria vida, O reino do Eterno Amor.
(*) Poetisa de fino talento e bela inspiração. A seu respeito, diz Enéas de moura (cole. Poetas Paul, pág.97):” Começou seus estudos no Colégio Florense, de Jundiaí, e os terminou no Sion, de São Paulo. Colaborou na Revista Feminina; foi a criadora das crônicas sociais do Correio Paulistano.” Contista, escreveu na Feira Literária, e em 1921 estreava como romancista, publicando Rosa Maria. No Cemitério da consolação, de S. Paulo, os filhos da poetisa erigiram-lhe um túmulo, onde gravaram o
belíssimo soneto “Último desejo”, de autoria dela. (amparo, Estado de São Paulo, 8 de Abril de 1887 – Rio de Janeiro, GB, 21 de Maio de 1944.)
BIBLIOGRAFIA: Primeiro Vôo; Gorjeios; O Tutor de Célia, contos; etc.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.