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Capítulo 103 de 150
Sinhá Teodora
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Cornélio Pires *
Ah! minha outra mãe, Sinhá Teodora, Ninguém te enxuga às lágrimas do rosto, Mas prossegues gemendo a contragosto, Arrimada à muleta que te escora...
Sofreste, sorridente, vida afora; Cantarolavas, tonta de desgosto... Para onde te encaminhas, ao sol-posto, A tropeçar, cansada e triste, agora?
Que demandas com tantas agonias? Ergues ao céu as mãos magras e frias... Há luz que se derrama de alta esfera...
Choras... No entanto, a paz do firmamento Diz-me que vais, assim, coxeando ao vento, Para os braços do Cristo que te espera.
(*)Além de poeta, contista, jornalista, humorista e conferencista, era Cornélio Pires devotado pesquisador do nosso folclore. «Seja bom» – recomendou-lhe, certa vez, Amadeu Amaral. E Cornélio Pires, ao fazer-se tarefeiro da Doutrina Espírita, não foi apenas um bom, mas verdadeiro herói da bondade permanente, a benefício dos semelhantes. Pouco antes de desencarnar, fundou em Tietê, SP, a «Granja de Jesus», entidade de amparo ao menor abandonado. Escreveu para inúmeros jornais e revistas, tendo iniciado a sua vida literária em O Malho, do Rio. Alguns dos seus livros continuam a ter numerosas e sucessivas reedições. «Sua obra» – di-lo Joffre Martins Veiga – «é eminentemente popular e de cunho essencialmente brasileiro. » (Tietê, Est. de S. Paulo, 13 de Julho de 1884 – S. Paulo, Estado de S. Paulo, em 17 de Fevereiro de 1958.)
BIBLIOGRAFIA: Musa Caipira; O Monturo; Versos; Coisas d’Outro Mundo; Onde estás, ó morte?»; etc.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.