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Capítulo 11 de 150
A Sublime Sentença
Antologia dos Imortais · Chico Xavier, espíritos diversos
Francisco Antônio de carvalho Júnior*
Ao pé de templo enorme, a praça tumultua. Ansiosa expectação na calçada poeirenta... A massa encontra o Cristo e, trágica, apresenta Consternada mulher a chorar seminua...
– “Adúltera, Senhor!” – velho escriba insinua. – “Que dizes, Mestre?” – insiste a multidão violenta – “Somos o tribunal que a tradição sustenta, A lei é apedrejar nos libelos da rua!”
– Fita o Mestre a infeliz que à miséria alanceia; Inclina-se, em seguida, e escreve sobre a areia, Como quem grava o sonho onde a vida não medra.
Depois, contempla em torno a malícia, o veneno, E exclama para a turba, entre nobre e sereno: – “Quem for puro entre vós, lance a primeira pedra!”
(*) Depois de ingressar na Faculdade de Direito de S. Paulo, fazendo o terceiro e quarto anos no Recife, sòmente em 1877 concluía o curso em S. Paulo. Ainda estudante, colaborou na República, de Lúcio de Mendonça. Poeta, folhetinista, critico literário, dramaturgo. Nomeado promotor de Angra dos Reis, em 1878, transferiu-se depois para o Rio, onde viria à desencarnar no ano seguinte, como juiz municipal. Machado de Assis reconheceu o talento do jovem CJ, afirmando ser ele «poeta, e de raça» (Apud Péricles Eug. da S. Ramos, in Lit. no Brasil, II, pagina 292). (Rio de Janeiro, GB, 6 de Maio de 1855 – Rio de Janeiro, GB, '3 de Maio de :1879. )
BIBLIOGRAFIA: Escritos Póstumos.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.