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Capítulo 9 de 87

Parte 9 de 87

A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro

E aqui mantemos uma reverência diante  da entidade “o Nome” que, para você, pareceria provavelmente boba. Todavia, é em parte  por  esta  razão  que  os  nomes  não  chegam  a  vocês  tão  fartamente  como  muitos  investigadores bem fracos gostariam. Também o mero enunciar e transmitir de alguns destes nomes é, quando estamos  nesta região da terra, um fato de uma dificuldade maior do que vocês talvez julguem. É um  tema, entretanto, que é difícil de explicar a você, e somente alguém será capaz de entender  quando estiver familiarizado com a Quarta Dimensão que é alcançada aqui – este termo,  também, usamos por falta de melhor. Faremos, a título de exemplo, a referência de dois ou  três nomes e deixaremos o assunto.

Um foi a entrega a Moisés do Nome do Grande Oficial do Supremo Que o visitou. Moisés pediu seu Nome, e o obteve – e nem ele, nem ninguém mais até os dias de hoje foi  capaz de dizer seu significado. Aí o Anjo menor que veio a Jacó. Jacó pediu seu nome, e foi­lhe recusado. Os Anjos  que vieram a Abraão e aos outros no Velho Testamento raramente deram seus nomes.

Da  mesma  forma  no  Novo  Testamento,  a  maioria  dos  Anjos  que  vieram  ministrar  aos  moradores da terra são chamados assim simplesmente; e onde o nome é dado, como no  caso de Gabriel, é pouco entendido quanto ao seu significado mais íntimo.  4  Arnol, aqui mencionado pela primeira vez, comunicou‐se eventualmente através do reverendo  George Vale Owen numa série de mensagens que estão colocadas em “O Ministério dos Céus” e em  “Os Batalhões do Céus”  (livros III e IV desta coleção), porém ali com o nome de Arnel, como será  oportunamente explicado. 54 – Reverendo G. VALE OWEN  Qualé o seu nome, mamãe? Quero dizer seu novo nome? É permitido dá‐lo? Permitido, sim, mas não prudente, querido.

Você sabe que o daria se pudesse. Mas  isso, por ora, devo omitir até de você, sabendo que entenderá meu amor, mesmo que meu  motivo não seja muitoclaro. Sim, querida, você sabe o que é melhor. Algum dia, você também saberá, e verá que glórias esperam aqueles cujos nomes  estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro, frase que vale a pena se pensar nela, já que é  uma verdade gloriosa e viva, e os que usam este Nome tão levianamente, certamente  apreenderam pouco, ou quase nada. Deus o abençoe, querido, e Rose e as crianças, Ruby mais uma vez me pede, na sua  forma tão delicada, que diga que ela virá vê­lo logo mais, e espera que possa seguir seus  comandos  –  esta  é  a  palavra  que  ela  usou,  abençoada,  ela  que  é  tão  graciosamente  humilde, e amada por tantos quantos a conheçam.

Deus o abençoe, querido. Boa noite. Quarta, 15 de outubro de 1913. Como começaríamos a explicar a alguém, que tenha uma pálida ideia de um  mundo espiritual acima dele, a verdade da vivência além do túmulo, a realidade desta vida,  e todo o seu amor e beleza? A princípio, você provavelmente iria torná­lo ambientado ao  fato de sua atual e verdadeira existência como um ser imortal.

Então, quando ele tivesse  realmente  captado  a  significação  disto,  de  como  afeta  seu  futuro,  ele  talvez  estivesse  aberto a umas poucas palavras descritivas sobre a vida em que ele se encontrará inserido e  posto em contato, quando puser de lado o Véu e emergir nagrande luz do Além. Assim pensamos que se os homens pudessem apenas entender que a vida que  agora  vivem  é  vida  sem  dúvida,  e  não  uma  efêmera  existência,  eles  ficariam  mais  inclinados em levar mais em conta as palavras dos que provaram por eles mesmos a  realidade desta vida eterna e individual, e também a bênção que espera pelos que na terra  são capazes de lutar e superar. Bem, não é pouco querer que os homens vivessem suas vidas na terra de tal forma  que, quando atravessassem o limiar para o plano maior e mais livre, se soerguessem e  continuassem seu serviço no Reino, sem delongas maiores ou menores em seu progresso. Vimos já a história de muitos, como é vista como extensão da de seu lado, e sentimos que  não podemos enfatizar muito a importância da preparação e do autotreinamento quando  a oportunidade aparece. Muitos deixam de lado as considerações sérias sobre isso, com a  ideia de que quando chegarem aqui recomeçarão, e quando aqui chegam veem que não  haviam percebido no que implicava em recomeçar tudo.

Quem está escrevendo? Ainda é sua mãe e seus amigos. Astriel não está aqui esta noite, mas estará  conosco  em  outra  ocasião. Faremos  com  que  saiba  quando  for  ele  e  seu  grupo  se  comunicando. Bem, continuemos.

Já lhe falamos sobre a Ponte e o Abismo... Sim. Mas o que mais sobre sua experiência nos domínios de Arnol, e sobre seu  retorno à sua própria esfera? Não tem mais nada para me contar daquele episódio? Nada  mais  a  não  ser  que  aprendemos  muito,  fizemos  muitos  amigos,  vimos  muitas  coisas  mais  e  agora  transmitimos,  e  visitaremos  o  lugar  novamente  em  breve.

Agora, continuemos naquilo que gostaríamos de abordar, e que será talvez mais útil que se  continuássemos em nossa descrição da Colônia daquela região. 55 – A VIDA ALÉM DO VÉU  O Precipício e a Ponte – traga de volta à sua mente o que já lhe falamos deles. Queremos relatar­lhe um episódio que testemunhamos naquele lugar onde a Ponte – como  continuarei chamando aquele lugar – emerge para os planos mais elevados de vida e de  luz. Ali  fomos  enviadas  para  recebermos  uma  mulher  que  tinha  sua  chegada  esperada, tendo já travado sua luta naquelas regiões apavorantes e escuras que ficam  baixo da Ponte. Ela não viera pela grande estrada, mas através dos horrores da escuridão e  da depressão daquelas regiões inferiores. Conosco viera um alto Anjo de uma esfera acima  da nossa, que estava especialmente comissionado para esta tarefa.

Era uma das Irmãs  Angélicas que organizam nossos lares quando os socorridos são recolhidos. Pode dar‐me seu nome? Bearn...  não,  não  conseguimos  transmitir­lhe. Deixe  assim,  e  pode  ser  que  consigamos conforme continuamos. Quando lá chegamos, vimos que uma luz brilhava um pouquinho ali em baixo do  caminho  de  pedra  que  descia  para  o  vale,  e  soubemos  que  algum  anjo  estava  ali  observando.

Aos poucos tornou­se mais escuro, e percebemos que estava afastando­se de  nós, lá embaixo. Depois, passado algum tempo, vimos uma faísca distante no vale, e a ela  houve uma resposta imediata através de um facho de luz de uma das torres da Ponte. Não  é diferente do que você conhece como farolete, e de fato respondeu a um propósito similar. Foi direcionado para baixo e permaneceu aceso. Então Bea...

– nossa Irmã Angelical –  pediu­nos que ficássemos onde estávamos por um tempo, e seguiu pelo ar ao topo da torre. Nós a perdemos na luz, mas uma das minhas companheiras disse que pensava tê­  la visto voando ao longo do raio de luz direcionado para aqueles departamentos. Eu não a  vi, mas depois vi que ela estava certa. Devo  parar  por  aqui  para  explicar  que  a  luz  não  era  para  permitir  que  os  Espíritos vissem (já que podiam fazê­lo com seus próprios poderes), mas para dar força  para o trabalho e proteção contra as influências maléficas que predominam na região  inferior. Foi por esta razão que o primeiro anjo enviou seu sinal, e foi compreendido pelos  observadores na Ponte, e respondidos da maneira que lhe descrevi.

O raio de luz é, de uma  maneira que eu ainda não entendo, impregnado com poder de vida e força – é a melhor  descrição que sou capaz de dar – e foi enviado para ajudar aquele em quem estava a  vontade de ajudar. Aos poucos vimos os dois retornando. Ele era um Anjo forte, mas parecia fatigado,  e soubemos depois que ele encontrara um grupo deEspíritos muito malignos que fizeram o  que podiam para retomarem a mulher de volta entre eles. Eis o porquê dele ter precisado  de ajuda. Ele andava de um lado e ela andava do outro lado da pobre alma torturada e  judiada,  a  meio  caminho  de  desfalecer.

Por  causa  dela  vinham  vindo  bem  devagar,  andando no raio de luz a caminho da torre da Ponte. Nunca havíamos visto tal coisa antes,  exceto uma vez, e eu lhe contei o caso. Estou falando do Pavilhão de luz e a reunião de  pessoas de cores muito variadas nas roupagens. Mas aqui, de certa forma, foi muito mais  solene; havia  angústia em meio à alegria, e lá, apenas alegria. Eles alcançaram a Ponte, e  a socorrida foi levada a uma das casas e atendida, e ali ficou até que tivesse se recuperado  para ser levada aos nossos cuidados.

Bem,  há  diversos  pontos  nesta  narrativa  que  nos  trouxeram  novos  conhecimentos, e alguns que confirmaram o que antes eu meramente supunha naquele  tempo desta experiência. Alguns deles passo a relatar. É um erro pensar que Anjos, mesmo do nível destes dois que foram para lá a fim  de  socorrer  aquela  pobre  mulher,  são  incapazes  de  sofrer. Eles  sofrem  realmente,  e  frequentemente. E é possível aos maliciosos feri­los quando estes se aventuram na região  daqueles.

Teoricamente não vejo por que os malignos prevaleceriam até tê­los sob seu 56 – Reverendo G. VALE OWEN  poder. De tal intensidade, entretanto, são os poderes da luz e tão bem organizados, e tão  bem vigilantes, que não ouvi que esta catástrofe tenha realmente acontecido. Mas a luta  deles foi uma luta real, e fatigante também. Este é o segundo ponto.

Mesmo estes elevados  Anjos ficam cansados. Mas não se importam nem pelo sofrimento nem pela canseira. Pode  soar como paradoxo, mas apesar disso é verdadeiro que seja uma alegria a eles terem  sofrido quando alguma alma sofredora estava batalhando por ser salva. Também  aquele  raio  de  luz  –  ou  talvez  eu  poderia  dizer  “raio  de  poder  e  vitalidade” – era tão forte que se eles não tivessem protegido a mulher através de uma  certa cobertura de influência negativa, o raio teria machucado, porque seria um choque  grande demais para alguém despreparado como ela. Outro  ponto  é  este.

Aquele  raio  foi  visto  bem  distante  na  região  de  treva,  e  ouvimos  um  murmúrio se  aproximando,  como se  parecesse,  de  centenas  de  milhas  de  distância, vindos através do vale. Foi uma experiência estranha, já que o som foi o de  muitas vozes, e algumas de raiva e ódio, e outras de desespero, e outras gritavam por  socorro e clemência. E estes e outros gritos diferentes pareciam agrupar­se cada um em  uma localidade particular, vindo de diferentes direções. Nós apenas podíamos entender um  pouquinho, mas apesar disso, enquanto esperávamos pela socorrida, perguntamos para  Beanix (temo não poder fazer melhor que isso, por isso assim ficará. Nós a chamaremos de  Beanix, mas não parece correto quando acabo de escrever.), perguntamos a ela sobre estas  lamentações e de onde vinham.

Ela disse não saber, mas que havia provisão para seus  registros, tanto coletivamente quanto individualmente, para serem analisados, e poderiam  ser tratados cientificamente na ciência do amor, e então o socorro seria enviado segundo o  merecimento dos que se lamentavam, e também da melhor forma que fosse necessária. Cada lamentação era uma evidência do bem ou mal em alguma alma humana naquela  região, e receberia sua resposta apropriada. Quando a mulher nos foi encaminhada, primeiramente a deixamos descansar e a  circundamos com uma influência repousante e silenciosa, e então, quando ficou fortalecida  o suficiente, nós a levamos a uma casa onde está sendo cuidada e atendida. Não fizemos perguntas quaisquer, mas deixamos que ela falasse o pouco que  pôde. Mas descobri que apobre coitada tinha estado nas trevas por mais de vinte anos.

Sua  história de vida na terra eu já havia lido parcialmente, mas não o suficiente para fazer  uma narrativa conexa. E não é bom relembrar tão vividamente aos que ela deixou na terra  tanto tempo atrás. Eles usualmente têm que se esforçar para voltarem ao presente, vindos  de experiência na vida espiritual, para entenderem­na e a relação com o todo – causa e  efeito, semeadura e colheita – tudo explicado. Isto é o que basta por agora. Boa noite, querido, e as bênçãos de Deus e nossas  orações estarão contigo.

Possa Ele mantê­lo em Sua paz. Amém. 57 – A VIDA ALÉM DO VÉU IV A CIDADE E O REINO DE CASTREL  Sexta, 17 de outubro de 1913. Quando chegamos a Casa aonde fomos encarregadas de levar nossa pobre irmã,  agora  tão  abençoada,  fomos  avisadas  de  outra  missão  determinada  para  nós. Fomos  convidadas a irmos para outro distrito em direção ao Leste... Você hesita novamente, mas é  a palavra que queremos.

Por Leste queremos dizer a direção de onde a Luz Brilhante é  vista sobre as montanhas que bordejam a planície onde a Visão do Cristo e da Cruz foi­nos  apresentada. Nós  sempre  nos  referimos  a  esta  direção  como  sendo  Leste,  porque  nos  lembra da Aurora. Saímos, nos cinco, todas mulheres, e mantivemos diante de nós a descrição que  recebêramos do lugar que estávamos agora buscando. Devíamos ir a uma grande cidade  entre as montanhas, com uma grande cúpula dourada no meio dela, e a cidade em si é  rodeada por uma colunata num terraço que cerca a Cidade por todos os lados. Andamos  pela planície e depois fomos pelo ar, que requer mais esforço, mas é mais rápido, e, num  caso como o nosso, mais conveniente porque nos permitiu ter uma visão da região.

Avistamos a Cidade e descemos diante do pórtico principal, por onde adentramos  na principal via de acesso. Ela cortava reto por toda a Cidade e terminava em outra  avenida no outro lado. Em cada lado desta ampla rua havia casas enormes, ou palácios, em  amplos terrenos, residências dos principais oficiais daquele distrito do qual esta mesma  Cidade é a Capital. À  medida  que  caminhamos  em  direção  à  Cidade,  havíamos  visto  pessoas  trabalhando nos campos, e muitos edifícios, evidentemente não residenciais, mas erigidos  para algum outro propósito útil. E agora que estávamos dentro dos muros da Cidade  podíamos ver a perfeição dos edifícios e da jardinagem.

Cada edifício tinha um jardim  típico para combinar com suas cores e forma. Seguimos adiante, esperando por alguma  sinalização  quanto  ao  nosso  destino  e  a  nossa  missão,  já  que  nestas  ocasiões  uma  mensagem é sempre enviada na frente, assim os visitantes são esperados. Quando  andamos  um  bom  trecho,  entramos  numa  praça  bem  grande  onde  cresciam lindas árvores em campos da mais verde das gramas, e fontes compunham em  harmonia o conjunto; isto é só para dizer que havia talvez umas doze fontes, cada uma em  seu tom, cada um delas composta de pequeninos jatos d’água dando sua nota. Elas eram  manipuladas, em certas ocasiões, de tal forma que uma complicada peça musical poderia  ser tocada com o efeito semelhante ao que é produzido por um órgão com muitos foles. Nestas ocasiões há grande quantidade de pessoas reunidas naquela praça, ou parque,  como posso chamá­lo, tanto de cidadãos quanto daqueles que habitam fora dali, entre as  colinas e pastos.

Mas, quando chegamos, as fontes estavam tocando uma simples série de  acordes, em perfeita harmonia, com um efeito delicioso. 58 – Reverendo G. VALE OWEN  Aqui  permanecemos  por  um  tempo,  já  que  era  muito  lindo  e  repousante. Sentamo­nos ou deitamo­nos na grama, e nesta hora veio um homem em nossa direção, o  qual  sorria  enquanto  se  aproximava,  e  soubemos  que  era  aquele  que  nos  aguardava. Levantamo­nos e postamo­nos diante dele em silêncio, já que não nos sentíamos à vontade  para uma conversação, pois percebemos que ele era um anjo de um grau considerável  acima de nós. Por favor, descreva‐o e dê seu nome, se possível.

Tudo a seu tempo, querido. Aprendemos a eliminar a impaciência por aqui, como  sendo uma coisa que nos confunde sem acrescentar ímpeto ao tema em pauta. Ele era alto – mais alto que a média humana na terra. Eu diria que ele teria sete  pés  e  meio  na  medida  terrestre. Eu  estou  consideravelmente mais  alta do que quando  estava com vocês, e ele era muito mais alto que eu.

Usava uma túnica da cor creme, quase  até seus joelhos, pernas e braços nus, e sem sandálias. Veja que estou respondendo o que  você está questionando em sua mente. Não, ele não tinha nada na cabeça, a não ser a linda  cobertura de cabelos castanhos e macios, partidos ao meio e ondulados em torno da face e  do pescoço. Usava um largo filete de ouro, no centro e nas laterais estavam engastadas três  pedras azuis enormes. Ele usava um cinto de prata mesclado com um metal rosado, e seus  membros cintilavam com um suave brilho.

E estas características, junto a outras, diziam­  nos de sua alta hierarquia. Havia também uma calma benevolência e poder em seu semblante firme mas  bondoso, que nos transmitia paz e confiança enquanto estávamos diante dele, mas também  nos induzia a uma reverência que nos alegrávamos em prestar a quem realmente merecia,  como ele. Ele  finalmente  falou,  silenciosamente,  modulando sua  voz  para  o  nosso  caso,  como instintivamente soubemos. Pudemos, apesar disso, detectar seu poder reverberando  naquela tonalidade. Ele disse, “Meu nome é Cast...“ Desculpe.

Estes nomes parecem ser a  minha fraqueza. Eles sempre me deixam perplexa quando eu tento reproduzi­los aqui em  baixo. Mas não importa seu nome por enquanto. “Eu sou C...,” disse ele. “Vocês já escutaram  seus Superiores falarem de mim, e agora nos encontramos pessoalmente.

Agora, minhas  cinco irmãs, venham comigo, e eu contarei o porquê de terem sido enviadas até esta Cidade  e a mim”. Então o seguimos, e no caminho conversamos bastante, e ficamos bem à vontade  em sua presença. Ele nos conduziu por uma avenida perpendicular à praça, e então saímos numa  outra praça; mas logo percebemos que esta era particular, e aquele grande palácio, que  ficava no meio do parque e em torno dele, era a residência de algum grande Senhor. Fomos  levados através do parque até que nos aproximamos do grande prédio queficava, como um  grande templo grego,  num  platô  que  tinha  um  lance  de  escadarias  em  todas  as suas  laterais. O prédio era imenso e estendia­se diante de nós, para a esquerda e para a direita,  e tinha grandes arcos, entradas e pórticos, tudo recoberto por uma grande cúpula.

Era a  marca que vimos quando nos aproximamos da Cidade, somente que vimos que não era  toda de ouro, mas dourada e azul. Perguntamos quem morava ali, e ele respondeu, “Oh,  esta é a minha casa: isto é, minha casa da cidade, já que tenho também outras casas nas  paragens campestres, aonde vou de vez em quando para visitar meus amigos cujas funções  estão  naqueles  distritos. Entrem,  e  receberão  as  boas  vindas  que  merecem,  vocês  que  vieram de tão longe para nos ver”. Ele  falava  bem  simples. Vim  a  saber  que  a  simplicidade  aqui  é  uma  das  características de grande poder.

Alguém pensaria que a maneira apropriada de anunciar  alguém na presença de um grande nobre seria mandar servos para nos conduzir pelo  Palácio, e então ele nos receberia em seu status. Mas aqui se encaram as coisas de modo 59 – A VIDA ALÉM DO VÉU  diferente. Não haveria propósito em tal cerimonial por aqui, portanto foi dispensado. Nos  casos em que o cerimonial é esperado ou desejado, ele é mantido, e algumas vezes com  muita grandiosidade. Quando não é necessário, não é usado.

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