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Capítulo 44 de 87

Parte 44 de 87

A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro

A joia de seu ombro era de um verde profundo  e violeta. Seus cabelos eram castanhos, mas a cor de seus olhos não é conhecida de vocês. Assim ficou lá, sentado e olhando para adiante dele, e eu olhando para ele e seu  grande amor por um longo tempo, e então disse ele, “Meu irmão,  este  local  é  muito  aconchegante e agradável para se descansar, não acha?” E eu respondi, “Sim, meu Senhor”,  porque não tinha mais palavras que aquelas. “E ainda assim”, disse ele, “é um berço de flores isto que você escolheu para se  apoiar”. E para aquilo não pude dar nenhuma resposta.

Então continuou, “Pense bem,  amigo, estas pequeninas belezas vermelhas da família das flores que estão repletas de  graças  e  de  vida  germinando,  exatamente  como  as  crianças,  foram  feitas  para  tal  propósito como este ao qual lhes propomos?”  E tudo o que pude responder foi, “Não havia pensado nisto, senhor.”  “Não, é como a maioria de nós, e é estranho também se olharmos o que somos,  cada um de nós, emanações do Um Que está pensando o tempo todo, e Que nada faz que  não esteja em concordância com a razão. E é no oceano da Vida d’Ele que nadamos de era  em era, nunca fora dele. É estranho como podemos atuar sem raciocinar, nós que somos  filhos de um Pai como Ele.”  Ele parou um pouco, e eu enrubesci envergonhado. Mas sua voz e suas maneiras  não eram severas nem um pouco, mas gentis e cativantes, como uma babá cuidando de um  homem. Mas comecei a pensar agora, se não antes.

Aqui eu estava, espremendo pelo peso  de meu corpo, todo descuidado, estes pequenos botões que eram tão bonitos, tão cheios de  vida, e ainda assim tão desamparados em seu submisso amor. Então finalmente disse, “Vejo  o  alvo  de  sua  flecha,  senhor,  e  o  senhor  atingiu  profundamente. Não  é  bom  que  nos  sentemos mais aqui, pois esmagamos estas pequenas flores com o peso do corpo”. “Então, levantemo­nos e caminhemos juntos”, ele disse. E assim fizemos.

“Frequenta muito esta trilha?” perguntou ele, conforme íamos andando lado a  lado. “Este é o meu passeio favorito”, contei a ele. “É para cá que venho sempre, para  pensar nos temas que me perturbam”. “Sim”, disse ele, pensativo, “esta é uma esfera de confusões, mais que as outras. E,  vindo até aqui, você sempre se senta em algum lugar e raciocina sobre as coisas – ou  prefere pensar no íntimo dos problemas, penso eu.

Mas deixemos isto de lado. Onde você  sentou da última vez que veio para cá a pensar?”  Ele parara para fazer a pergunta, e eu apontei a encosta diante dele e disse, “Foi  aqui que sentei quando vim paracá na última vez”. “E foi recentemente?” perguntou; e eu disse, “Sim”. “E mesmo assim”, disse ele, “não vejo marcas da forma de seu corpo no musgo ou  nas flores. Rapidamente se recuperaram de qualquer pressão que tenham sofrido”.

Pois  é  assim  nestes  reinos. Não  é  assim  na  terra. Estas  flores  e  musgos  e  o  gramado rapidamente recuperam sua aparência e é difícil, mesmo ao levantarmos, de ser  percebido onde nos deitamos. É da Esfera Cinco que falo. Não é assim em todas as esferas, e 238 – Reverendo G.

VALE OWEN  menos ainda nas pertoda terra. Mas ele continuou, “Ainda isso é concernente ao Criador de Tudo, igual em valor e  avaliado como as feridas das almas dos homens. Porque qualquer que seja o Seu trabalho,  é Seu sem dúvida, e apenas Seu. E agora venha, irmão, e vou mostrar­lhe o que não tem  sido capaz de ver por falta de fé. Você agora começa a duvidar da sabedoria de sua própria  imaginação, e nesta dúvida reside o núcleo da fé na bondade d’Ele, Cujo Reino é Amor, e a  Luz deste Reino Sua Sabedoria”.

Então ele me conduziu por um atalho da floresta para uma colina, que subimos  até que ficamos mais altos que o topo das árvores abaixo, e eu olhei para a paisagem longe  dali. E enquanto eu olhava, vi, na longínqua planície além, o templo da esfera, e ali se  elevaram através das aberturas do teto, luminosos fios de luz, e estes uniram­se em um só,  sobre a cúpula central. Estes fios eram emanados pelos exercícios espirituais daqueles que  ali se encontravam. Ao final, ali se levantou no meio da neblina a figura de um Homem, Que subiu até  que se pôs acima de tudo. Era a figura do Cristo, todo vestido de branco.

A vestimenta que  Ele usava vinha dos Seus ombros até Seus pés, mas não os escondia. E enquanto Ele ali  estava,  um  matiz  róseo  começou  a  emanar  de  Sua  roupagem,  e  isto  aprofundou  em  tonalidade  até  que,  finalmente,  Ele  estava  ali  totalmente  envolvido  em  um  carmim  profundo, e sobre sua testa um círculo de rubis vermelhos como sangue, e Suas sandálias  em  Seus  pés  eram  enfeitadas  de  rubis  também. E  quando  ele  manteve  suas  mãos  estendidas, vi que em cada palma uma pedra vermelha cintilava, e eu soube o que aquela  visão significava para mim. Ele fora amoroso em Sua pureza. Mas agora Ele brilhava com  amor vermelho, e enriquecido em beleza tão profunda que me fez suspirar em êxtase  enquanto olhavapara Ele.

Aí, à medida que olhava, sobre Ele se formou uma nuvem dourada, cravejada de  esmeraldas e safiras. Mas atrás d’Ele, vinda por sobre Sua cabeça até em baixo, uma  profunda e ampla faixa vermelho­sangue. E outra faixa, de igual profundidade de cor,  cruzou a faixa de cima atrás d’Ele na altura de Seu peito, e Ele permaneceu diante disto no  esplendor total de Seu colorido. Lá fora na planície abaixo, vimos pessoas tentando obter uma visão desta glória. E ali, sobre suas faces e suas roupas brilhava uma luz projetada de Seu corpo, e parecia  uma inspiração de algum chamado de sacrifício e de serviço que necessitava de fé para ser  levado adiante, já que estes que se ofereceriam para o trabalho deveriam seguir e sofrer,  ainda  que  sem  saber  no  total  os  mistérios  do  sofrimento.

Mas  havia  muitos  que  se  ajoelharam e inclinaram suas cabeças à terra em resposta, e estes Ele tomou, e disse­lhes  que se encontrassem com Ele no Templo e Ele lhes daria sua palavra de missão. Então Ele  desapareceu abaixo, através da cúpula, para dentro do prédio, e não O vi mais. Eu havia me esquecido do homem ao meu lado, nem pensei na sua presença por  uns tempos depois que a visão terminara. E então virei­me e olhei para ele, e vi que em sua  face sofrida haviam sido traçadas muitas e profundas linhas. E não eram do presente, mas  do passado, e apenas o faziam parecer mais amável no crepúsculo.

Mas não pude falar com ele, apenas fiquei ali, em silêncio. E então ele disse, “Meu  irmão, eu vim de um lugar muito mais brilhante que esta esfera sua, para trazer você até  aqui,  para  que  visse  o  Homem  das  Tristezas  em  Sua  glória. Estas  tristezas  ele  quis,  deliberadamente, tomá­las a si e fazê­las Suas. Sem elas, iria faltar­lhe aquele Amor que é  Seu, hoje em dia. E estas tristezas que dão a Ele tanta bondade são aquelas que, em seu  estado cru e sem desenvolvimento, inundam a terra com dor e os infernos com tormento.

Estas são apenas para o momento, para cada um que passa em baixo de sua sombra. Não  podemos penetrar, meu irmão, em toda a grandeza do Coração de Deus. Mas podemos,  como até mesmo agora foi feito, obter de vez em quando relances de lucidez brilhando  sobre tudo, e então somem da confusão seus mais sinistros aspectos, e a esperança ressurge 239 – A VIDA ALÉM DO VÉU  até que um dia possamos ser capazes de entender melhor. “Mas até que aquele dia venha para mim, estou contente em saber que Ele, Que  veio do Coração do Pai, veio branco e puro e, com firme propósito, encarou sua tarefa, onde  Seu caminho estava, entre as nuvens túrgidas de pecado e ódio que se agruparam sobre o  planeta terra. Não, aos infernos profundos Ele foi e buscou aqueles que lá sofriam, e por  causa da angústia deles Ele sofreu também; portanto o Homem das Tristezas retornou aos  Passos do Trono de Seu Pai, Sua tarefa cumprida.

Mas Ele não fez Seu retorno da maneira  como Ele havia ido. Ele foi branco em pureza e santidade. Retornou novamente carmesim,  o Príncipe Lutador e Conquistador. Mas o Sangue que Ele derramou não foi de outro, mas  somente o Seu. Estranha guerra esta, e nova na história do mundo, em que o conquistador  encontrando seu inimigo deveria virar a lâmina em direção ao seu próprio peito, e ainda  assim chegar a conquistador pelo sangue derramado.

“Assim, acrescentando estes rubis à Sua coroa, e à sua pessoa a tinta rósea do  sacrifício, Ele retornou mais belo de que quando se foi. E agora a tragédia de Sua Descida à  matéria é apenas como a pressão momentânea do musgo no qual você, sem pensar, se  deitou, e o qual está sem estragos em seu perene vigor de crescimento e florescência. “Ele,  vindo  até  aqui  daqueles  elevados  reinos  de  Luz  e  Poder  além  de  nossa  imaginação, Ele nos diz da grandeza do sacrifício de si – Ele é minha comprovação da boa  sabedoria de Deus. “Como pela tragédia do pecado e do desespero das rebeliões do Inferno­bem, eles  quetrilharam aqueles caminhos escuros trazem algo de volta, também. Por causa do amor,  Ele e Seu Filho mostraram, ao trazerem da escuridão aqueles que haviam se desviado do  caminho da obediência e buscaram outros comportamentos em Si, que alguma coisa lhes  foi acrescentada que lhes é preciosa e doce, já que os conduz para mais perto d’Ele.

Sim,  meu irmão, você um dia entenderá mais um pouco desta sabedoria. Seja paciente até  então. Será  um  longo  tempo  até  que  possa  chegar  a  entender. Não  virá  a  você  tão  prontamente, nem tão cedo, como aconteceu comigo, penetrar nesta profunda miséria,  porque  você  não  afundou  nestas  profundas  cavernas de  remorso  e  agonia. Mas  eu  já  habitei ali, vim por este caminho”.

Quinta, 20 de dezembro de 1917. Então chegamos à Esfera Dois, e encontramos o lugar onde a maioria se reunia,  porque  desde que  lá  estive,  mudanças  processaram­se,  então tive  que  me  esforçar  em  renovar meu conhecimento dos caminhos e dos modos de se chegar a eles. Porque você  sabe, amigo, que nestas esferas mais próximas da terra há mais mudanças nas menores  coisas  que  nas  esferas  mais  remotas  e  mais  evoluídas. Na  esfera  Dois,  o  progresso  do  conhecimento  terrestre  e  da  intercomunicação  das  pessoas  é  sentida  em  seu  desenvolvimento  de  geração  a  geração,  porque  uma  esfera  intervém  mas  pouco  as  modifica, e as maneiras terrenas de se pensar e os preconceitos ainda têm muita influência  naquela esfera, cuja influência é gradualmente neutralizada conforme se atravessam as  outras esferas. Mesmo nestas mais evoluídas permanecem traços destes fatos, mas não tão  intensificados que cheguem a prejudicar o desenvolvimento, nem perturbar a Irmandade  dos Filhos de Deus.

Elas se tornam, estas diferenças na vida terrestre, variedades de tipos  que acrescentam em interesse e charme de uma Esfera como a Sete e mais para a frente. Não há mais a mácula da divisão, nem a depreciação de outras opiniões ou credos. Estes  que já atingiram tal distância na luz, aprenderam pela luz a ler as lições escritas no Livro  dos Atos de Deus, e há apenas um Livro de Todos que falam uma única língua, e lá são  todos de uma grande família do Pai. Não como na vida terrestre, fora de uma tolerância  meramente  passiva  e  constrangedora,  mas  na  cordial  cooperação  no  trabalho  e  na 240 – Reverendo G. VALE OWEN  amizade–únicano amor.

Mas agora falamos da Esfera Dois e de nossos afazeres ali. Ali as pessoas estavam  agrupadas em turmas, conforme lhes agradava a escolha. Alguns buscaram consorciar­se  com os da mesma raça. Outros grupos foram formados com aqueles a quem o Credo tinha  apelo mais forte que o sangue. E mesmo círculos políticos não estavam ausentes.

E alguns  destes grupos de vez em quando participavam da assembleia de outros grupos que eram  em parte de sua mesma opinião. Um Muçulmano faria uma visita amigável a um grupo de  socialistas  internacionais,  ou  um  imperialista  ficaria  apartado  daqueles que  adoram a  Deus de acordo com a fé cristã. Muita diversidade havia ali nos agrupamentos de pessoas. Mas na maior parte permaneciam e continuavam na mesma fé que sempre tiveram, e no  grupo de mesma opção política e no de mesmo sangue. Mas a chegada de uma missão da Esfera Dez foi logo sabida por toda a região,  pois  não  permanecia  tanta  amargura  neles  que  chegasse  a  dividi­los  como  na  vida  terrestre,  e  havia  muita  boa  vontade  ali.

Eles  estavam  aprendendo  a  lição  como  nós  aprendêramos  em  tempo  passado,  portanto,  por  parecerem  um  pouquinho  lentos  no  começo  em  agruparem­se  todos  juntos  em  geral,  dissemos  que  assim  devia  ser,  se  quisessem nos ouvir, porque nós não poderíamos falar aos grupos, mas apenas a uma  assembleiade todos, como se fossem um. Então eles chegaram e ficaram agrupados onde pequenas colinas e elevações de  relva estendiam­se de um monte, não muito alto mas mais alto que os outros em torno. Nós  ficamos na encosta de uma colina, na metade da subida, onde podíamos ser vistos por eles  todos, e atrás de nós havia uma rocha de grande tamanho e lisa em sua superfície. Então oramos ao Pai Único juntos, e nos sentamos na rocha, e um dos nossos, que  estava mais em contato com eles desta esfera, falou­lhes. Ele era da Esfera Sete, mas foi  elevado à Décima para receber conosco esta ordenança e a força para o caminho.

Ele já tinha grande habilidade em discursar a agrupamentos, e elevou sua voz e  espalhou­a sobre  toda  esta  gente  dispersa,  diversa  em  coloração  de  vestimenta  tanto  quanto na opinião do que é a verdade. Sua voz era forte e doce, e assim também a essência  do que falou. Abaixo no plano da terra habitava uma família, que estava dividida em muitas  seções, e, vendo os males de tais divisões, apareceram muitos que os aproximariam mais  uma vez. Mesmo nesta esfera dava para ser observada a mesma teimosia orgulhosa que  diz: “Minha raça e o meu credo são mais perante os olhos do Pai que as outras raças”. Foi  pela razão de que isto deveria ser desfeito para que o progresso pudesse ser liberado e  desimpedido, que os trouxemos juntos como uma só família, para enviar a mensagem que  recebemos do Único Pai, através do Único Cristo.

Ao ser dito isto, houve algum desconforto entre eles, mas não foi dita nenhuma  palavra entre eles, pois quando viram que nosso brilho era além do deles, eles tomaram  muito cuidado, sabendo que um dia nós chegamos a pensar como eles pensavam agora, e  que  somente  pelo  abandono de  algumas de  nossas  opiniões, e  com  a  remodelação  de  outras, é que nós pudemos ser de formas e faces mais brilhantes que as deles. Por isso  deram atenção ao nosso orador. Ele deu uma ligeira pausa, e então retomou seu tema novamente: “Agora ouçam­  me pacientemente, meus companheiros peregrinos na estrada real do progresso para a  Cidade do Esplendor de nosso Rei. No Calvário havia três cruzes, mas apenas um Salvador. E havia três homens, mas somente Um que podia fazer a promessa de um lugar no Reino,  porque somente um dos três era Rei.

E apesar da escuridão cair, e com a escuridão chegar  o repouso, ainda somente Um ali podia dormir – e vocês raciocinaram, por quê? Foi porque  nenhum outro ali era tão meigo em sua compaixão, nem de amor tão grande, nem de  espírito  tão  puro,  para  poder  entender  o  propósito  do  Pai  em  criar  o  homem  à  Sua  semelhança, e as tremendas forças que surgiram através das eras para desmanchar o reino 241 – A VIDA ALÉM DO VÉU  e a família de Deus. Foi o conhecimento da magnitude daquilo, longamente sustentado  pela guerra e o esmagador fardo do ódio do inimigo que O cansou, tão extremamente que  Ele se sentiu sonolento. Na matéria Ele foi examinar as profundezas da divergência do  Maior. Agora ele deixou o corpo material e começou Sua ascensão em retorno aos Elevados  Lugares mais uma vez.

E Seu primeiro cativo foi aquele que suplicou com Ele no Tronco, e  outro foi aquele que por trinta dinheiros deu seu Senhor à morte. Aqui, então, há uma  estranha trindade de pessoas. Assim, como na outra Trindade os Três encontram Unidade,  nestes três a unidade deve ser encontrada. “O ladrão buscou o Reino do Cristo, e Judas havia buscado o reino do Cristo, e o  Senhor havia procurado e encontrado que Ele devia apresentá­lo ao Pai. E somente Ele  havia encontrado o que viera procurar.

Pois o ladrão não chegou a entender que o Reino  não era somente daterra até que viu diante de seus olhos mortiços a face real do Único que  estava justamente no limiar do espírito. O outro, o Traidor, não achara aquele reino até  que passou através do portal em direção da escuridão, sem olhar o Rei na emergente  Beleza de sua graça natural. Mas Ele, Que veio e encontrou explicado de que espécie é o  reino, era quem o Pai aprovaria. Era dos dois, da terra e dos Céus. Estava neles enquanto  encarnado.

Era adiante que eles estavam indo. Assim isto uniu os Céus e a terra, como foi  no começo das coisas, quando da Mente de Deus vieram a terra e os Céus. “E  assim  falei  a  vocês  e  peço  que  considerem  cada  um  como  seu  irmão. Considerem a diversidade destes três nos troncos do Calvário; ou estes Três, o Um Perfeito e  Seus dois redimidos no começo de sua vida triunfante. Ainda eles mostram que a vontade  de Deus é esta, de um lado a outro da terra, todas as pessoas de todos os graus devem ser  uma só no Cristo, e uma n’Ele, Que é maior que Seu Cristo.

Portanto agora peço que  encontrem  entre  vocês  qualquer  diversidade  como  aquela  entre  Jesus  de  Nazaré  e  o  Iscariotes, ou uma das que têm em mãos. E pensando assim, meus irmãos, verão que Ele,  por Cuja sabedoria permissiva os homens dividiram­se, deverá trazê­los mais uma vez para  Casa nos Céus de Sua Glória, pois a maior de todas as Suas glórias é a glória de Seu amor, e  o amor une o que o ódio dividiria. Noite de Ano Novo, 1917. De nossa descida até aqui falamos resumidamente, mas agora chegamos a estas  esferas onde a luz torna­se mais obscura, e de onde não falaram muito aqueles que vêm à  terra para mostrar aos homens o que espera pela humanidade quando cruzam a fronteira  e  tornam­se vibrantes com a curta vida, enquanto ela pulsa nestes reinos do espírito. Portanto agora deveríamos ser mais discursivos por aqueles que poderiam atingir um  conhecimento equilibrado do que é da luz ou da sombra; e aqueles que são mais fracos, e  aqueles que desejam e precisam da leveza da alegria e do belo, que possam voltar e deixar  que atravessemos o abismo sozinhos, esperando pelo nosso retorno às esferas onde a luz  domina sobre tudo e pouca sombra há que macule a justiça da vida em torno.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.