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Capítulo 34 de 87
Parte 34 de 87
A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro
Você e eu, meu amigo, somos como partícipes, pois enquanto eu o chamo, por minha vez sou chamada por aqueles que se localizam mais acima, e eles por outros de um degrau ainda mais alto, até que a fila encontre sua fonte n’Ele, Que foi chamado pelo Pai Divino e enviado em Missão à sua pobre esfera trevosa há 185 – A VIDA ALÉM DO VÉU longo tempo atrás. E é pelo fato desta “chamada” daqueles superiores a nós, em força e na faculdade deles de compartilhar aquela força com aqueles menores em posição e força, que achamos nossa confiança convicta. É uma questão de ausência de luz, asseguro a você, receber um comando “Desça para lá”. Pois à medida que vamos chegando da terra, ambos, o brilho de nosso ambiente e o nosso pessoal, também diminui pouco a pouco, e quando alcançamos a vizinhança da terra podemos ver as coisas em torno, mas com muita dificuldade. Em primeiro lugar isto; somente quando vagarosamente nossos olhos tornamse sintonizados às vibrações mais baixas neles impingidas, é que ficamos aptos a ver.
Isto também acontece mais rapidamente pela prática. Mas é uma bênção somente naquilo que nos permite fazer nosso trabalho entre vocês, e não para ser desejado de qualquer modo, por si apenas. Pois as visões que vemos são na maioria tais que não nos dão alegria, mas muito de coração partido que levamos conosco às nossas brilhantes moradas. Tais lugares como os que descrevi a você, dispostos ao lado das águas são, portanto, não só convenientes e desejáveis, mas absolutamente necessários para nosso trabalho. Então devo contarlhe outra função a que servem.
Destas Casas de Repouso são enviadas correntes de poder vital geradas das Esferas acima, armazenadas nestas Casas, e distribuídas conforme sejam requeridas. Quando nós fazemos uma ligação para lá, estando na nossa estadia na terra, sentimonos banhados em uma forte corrente de força e vitalidade. Conforme nos aproximamos da terra, o efeito dela não é tão aparente aos nossos sentidos, entretanto banhanos penetrando através de nós, permeando todo o nosso ser, e por ela somos sustentados, como o tubo de ar sustenta o mergulhador no fundo do oceano, onde a luz da atmosfera ampla e livre sobre ele é obscurecida, e ele se move pesadamente, por causa do elemento mais denso no qual ele se move. É assim conosco, e quando encontramos dificuldades em falar de forma a sermos ouvidos por você, ou cometemos erros em nosso vocabulário ou ainda no contexto da mensagem; então seja paciente, e jamais pense que há enganadores em torno. Porque, pense, amigo, quão difícil seria para um mergulhador conversar audivelmente com outro, ambos protegidos com seus capacetes e com água entre os dois, e aí poderá perceber quanto de paciência e firmeza de empenho é necessário de nossa parte, e mais rapidamente talvez dará a nós uma atenção mais paciente de sua parte.
Mas quando encaramos, estando feito o trabalho aqui embaixo, os lugares de mais altos alcances dos Céus de Deus, então mais prontamente sentimos a corrente de vida fluindo da distante Casa de Repouso e Alívio. Sentimos que estamos nos banhando mais uma vez; aquilo bate nos nossos rostos refrescantemente; nossas joias, cujas luzes, como as lâmpadas das virgens queimaram na escuridão, mais uma vez retomam seu brilho à proporção que vamos indo em direção ao celeste. Nossa vestimenta cintila numa tonalidade mais brilhante, nosso cabelo fica mais sedoso e nossos olhos menos cansados e sem olheiras, e o melhor de tudo, em nossos ouvidos ouvimos, tornandose mais plena, a melodia de nosso Chamado, clamando por nós de volta, dos campos de colheita para a Casa da Colheita, com os feixes que pudemos ajuntar amadurecidos para o Celeiro de Deus. Agora, amigo, não o deterei por mais tempo, porque sei que tem compromissos que devem ser cumpridos e não toleram delongas. Somente isto a mais: suas velhas dúvidas mais uma vez estão entre você e nós que o chamamos.
Mais uma vez, esta mensagem não é de seu próprio feitio. Como posso sabê‐lo? Somente pela paciência que assegurará progresso e fará progredir a convicção. Boa noite, amigo, e toda a Paz. Kathleen e os que a usam mandam isto a você. 186 – Reverendo G.
VALE OWEN Segunda, 12 de novembro de 1917. Kathleen, o organista vai praticar; isto não vai incomodá‐los, vai? Longe disto, ajudará, e talvez, à propósito, devo dizer a você nesta noite algumas poucas palavras sobre a música nas Esferas. Sim, temos música da mesma natureza que a sua na terra. Mas – e há um enorme mas aqui – sua música é como um extravasamento do reservatório de música no Céu.
Vocês realmente têm alguns vislumbres da harmonia gloriosa que temos aqui, conforme ela extravasa. Mas é amortecida pelo véu espesso através do qual ela passa, mesmo nas mais lindas obrasprimas da terra. Ouça, meu amigo, enquanto tento explicarlhe como você recebe sua música destes reinos de cá, e será capaz então de deixar a sua imaginação guiálo e não limitálo, senão ela não excederá sua imaginação. Olho não viu, nem ouvido ouviu – ouvido do coração não poderia ouvir – a harmonia celestial em suas pulsações e altos e baixos, e a poderosa harmonia fundamentada em um tom de glória profunda. Não somente isso, enquanto num corpo material, com um cérebro de matéria como receptor e intérprete, não há como penetrar no coração de um homem para conceber, menos ainda trazer para cá, qualquer imagem justa da doce beleza de nossa harmonia.
O que a música formou nas Esferas, nós aqui, neste estado mais baixo, não somos capazes de mensurar, assim como vocês da terra não são competentes para medir as nossas. Isto, e quase que somente isto, sabemos realmente, ou pensamos que sabemos – ela ultrapassa nosso conhecimento em qualquer sentido – o Coração de Deus é a Fonte de harmonia na música – não tanto a mente de Deus como seu Grande Coração. D’Ele fluem as torrentes de amor de Sua melodia, e aquelas esferas que estão mais perto de Sua sintonia recebem aquelas Divinas harmonias, e por elas, com outras influências combinadas, tornamse mais e mais sintonizadas com Ele, Que é a Fonte de tudo que é Amoroso e Amável. Assim, enquanto as eternidades seguem, aqueles que habitam aquelas muito altas Esferas continuam desabrochando em si mesmos mais e em atributos formidáveis e sublimes, e ao mesmo tempo, cada um em si, mais e mais de Divindade. Isto, entretanto, está alto demais para nós, para ser adequadamente transcrito.
Nosso compromisso com você neste momento é contar o melhor que pudermos, em poucas e bastantes palavras, alguma coisa do que tomamos nota enquanto esta mesma torrente desce sobre nós e passa adiante, ampliando como cada molécula do tom expandese a si mesma e empurra suas companheiras adiante, até que a corrente impingirá em seu limite, onde tenha se tornado mais grosseira e mais encorpada em sua textura, e assim costurada àquelas vibrações quase tangíveis encontradas em sua esfera. Esta corrente do alto encontra receptáculo aqui, e mais de um receptáculo. É usado como reservatório, e a música é modulada no ar, e as melodias, e iniciam mais uma vez como uma pequena mas intensa corrente em direção à terra. Imediatamente, começa a se expandir como já falei, e o que vocês recebem entretanto não é uma essência excelente, mas uma expansão atenuada da criação original. É como um pequeno buraco na janela de um quarto escuro.
Através dele atravessa um pequeno jato de luz do sol, mas quando alcança a parede oposta tem muito menos qualidades, e a corrente é cheia de notas dançando, as quais somente tendem a obscurecer o brilho com o qual ele entra através da pequena abertura. Bem, mas mesmo assim, sua música é muito louvável e elevada. Oh, pense, então, meu amigo, o que devem ser as músicas destas Esferas. Ela nos encanta enquanto enobrece o sentimento e o prazer, e cada um tornase por si um acumulador de energia que envia de 187 – A VIDA ALÉM DO VÉU volta o que ele recebeu, interpretado e modulado por sua própria personalidade, em benefício daqueles que não progrediram tanto quanto ele. Então a perfeição e a potência são temperadas por aqueles entre nós cuja aptidão especial é de tal tipo, para que não seja fino demais em sua natureza para a compreensão daqueles mais altos espíritos da terra que a captam, e em algum grau retém, aquilo que desta forma chega a eles do Mestre da Música aqui colocado.
Acho que deveríamos alongar nossas considerações, mas você não pode mais recebêlas bem agora. Nós colocaríamos resumido então que assim como é em outros assuntos, é também neste, a grande verdade mantémse verdadeira, desde o Pai, numa descida ordenada até o mais humilde dos homens: “Como o Pai tem vida n’Ele mesmo, assim Ele deu ao Filho ter vida n’Ele”, mas não somente vida, mas vida em todas as suas fases – e a Música é uma delas. Como o Filho reparte aquela vida recebida do reservatório de Seu ser, dando vida como d’Ele mesmo, assim Seus servos fazem em menor grau, na razão de sua capacidade – não somente vida, como os pais a uma criança, mas amor, beleza, pensamentos elevados e melodias celestiais. Meu amor a você, meu amigo, Kathleen, e por aqueles outros que usam a mim para passarem seus pensamentos a você, que estou mais perto de você que eles. Terça, 13 de novembro de 1917.
Falamos a você, amigo, da corrente vital do amor do Pai, da água e seus usos, da música também. E agora, nesta noite, umas poucas palavras para uma coordenação de forças em direção a algum fim certo e particular, proposto por aqueles cujo dever e responsabilidade é emitir para estas Esferas inferiores tais comandos, como lhes são determinados de cima. Saiba você, entretanto, você que habita em uma das mais altas destas Esferas, que tais deveres como os que são designados a você, foram todos elaborados conforme o nível deles, e ao fim a que se propõe, por aqueles que habitam em reinos distantes, acima de você. Estes esquemas de serviço distribuído são transmitidos para baixo até que cheguem a você, e fazem você saber algumas vezes de uma maneira, algumas de outra, e para uns mais abertamente, e para outros menos detalhadamante, não tão escampo. Contudo, todos que correm a corrida da vida terrestre podem ler o documento se quiserem, e perseverar em silêncio desejando que aquela luz lhe seja concedida, de acordo com o que sua vida for, e para qual fim ela foi guiada.
Mas a poucos é dado saberem ou vislumbrarem o futuro adiante. “Suficiente até o dia” é a regra, como Ele disse uma vez, e isto é suficiente, assim sua confiança será firme e tranquila todo o tempo. Não porque o futuro não é conhecido, mas somente porque é possível apenas para aqueles de alta capacidade e nível verem o curso distante do grande propósito da vida; e nossa capacidade é suficiente para apenas uma visão curta, e a do homem médio mal atinge alguma visão adiante. Quando tais esquemas são fornecidos, vêm através de tantas esferas descendentes que é, portanto, uma consequência natural que sejam tingidos pelas características dominantes de cada uma das esferas através das quais são filtradas até embaixo e, até que o alcancem, participam de uma natureza de planejamento tão complexa que o assunto principal é muito difícil de se descobrir, às vezes mesmo para nós que temos habilidade pela prática nesta questão. Isto é um propósito e um uso da fé, ser capaz de perceber os compromissos de alguém e nada mais e, naquela convicção, ir adiante e bravamente, em nada duvidando de que a finalidade é prevista por aqueles que participaram do plano.
Se aqueles que colaboraram na elaboração de tal plano forem fiéis e diligentes, aqueles que o conceberam terão o poder de alcançar seu fim. Mas talvez não, pois todo homem é livre para escolher, e nenhuma vontade do homem será 188 – Reverendo G. VALE OWEN ultrapassada na liberdade de sua escolha. Se ele escolher ir adiante com fé e confiança, então o final é certo. Se ele escolher sair do caminho planejado, então ele não é deixado nem forçado.
Uma guia é então oferecida, e gentilmente. Se isto for recusado, ele é deixado irse sozinho – mesmo assim, não sozinho, porque outros serão suas companhias, e isto com certeza. Para ilustrar o que queremos dizer. Um livro será projetado cuja necessidade é prevista. Diremos que aqueles de uma esfera cuja nota dominante é da ciência conceberão o esboço do livro.
Isto será entregue em mãos para outra esfera cuja nota é o amor. Neste plano será infundida uma brandura, um efeito de suavidade, e o plano segue. Uma esfera onde governa a beleza acrescentará algumas ilustrações que darão harmonia e cor ao tema. Então virá para um grupo daqueles que estudam os diferentes traços dominantes nas raças humanas. Estes estudarão muito cuidadosamente o tema em si, e observarão a nação mais adaptada para pôr o evento adiante no mundo.
Isto decidido, eles cuidadosamente selecionarão a próxima esfera ao qual será confiado. Pode ser que seja necessária uma infusão de precedentes históricos, ou uma veia poética, ou talvez romance. E aquilo, que começou na viga do fato científico profundo, pode chegar ao plano da terra como um tratado científico, uma resenha histórica, uma novela, ou mesmo um poema ou hino. Leia alguns destes hinos que você mais conhece à luz do que lhe dissemos agora, e vislumbrará, mesmo que fracamente, o que queremos dizer. “Deus se movimenta em caminhos misteriosos” poderia ser reescrito como uma exposição científica de filosofia cósmica, ou mesmo ciência.
Assim também “Há um livro, quem corre pode lêlo”. “Oh, Deus, nossa ajuda em eras passadas”, poderiam formar a base de um trabalho informativo da Divina Providência, considerada historicamente, e muito possivelmente em sua primeira concepção pode ter sido formulada naquelas linhas, em alguma alta esfera cujo tom compartilha daquela disposição. Pois você rapidamente entenderá que tais planos são originados não somente em uma esfera, mas em muitas, e não passam de uma esfera para outra em ordem idêntica. Também, o que pode originar o que poderia ser um livro, antes que chegue a você é muito transfigurado, até tornarse um ato do Parlamento, ou uma peça, ou uma negociação comercial. Não há finalidade para os caminhos e significados.
Aquilo que eventualmente pareça ser digno de confiança ao grupo de companhias concernentes à produção de qualquer plano no serviço de Deus e no comportamento do homem, é agregado ao serviço. Assim é que aqueles homens desincumbemse do trabalho daqueles que vigiam e guiam do alto. Então, percebamos quão grande hoste de ajudantes eles têm atrás de si, e indo adiante corajosamente, sem dúvidas, sem hesitação em seu caminho, porque não estão sós. * * * A estes pensamentos que escrevi por você, bom amigo, eu acrescentaria agora uns meus. Aquilo que tem sido dado por aqueles que sabem mais que eu é concernente aos homens que se ocupam com os interesses de variadas espécies do mundo. Mas o que sei por mim é que suas palavras são aplicáveis também ao seu próprio caso, pois nenhum trabalho de alguém é deixado sem guia ou sem o suporte destes reinos justos.
Tome este pequeno presente meu ao partir, portanto, meu amigo. É apenas pequenino, mas é da Kathleen. 189 – A VIDA ALÉM DO VÉU II O SAPATEIRO Quinta, 15 de novembro de 1917. Os homens costumavam dizer, naqueles tempos em que vivíamos entre vocês na terra, que aqueles que escolhem o melhor caminho de vida deveriam arrependerse logo, para um triunfo posterior. Isto alguns de nós pelo menos provamos, e achamos que não é desejável como sabedoria. Pois aqueles que assim escolhem têm um olho não no tempo, que é curto, mas na eternidade, que é longa.
Destas esferas agora nós olhamos para trás, e, olhando para nossa jornada numa visão resumida e plana como num quadro, somos capazes de marcar melhor os pontos salientes que a tela mostra, e moldar o nosso curso futuro em harmonia com aquelas lições que ali possamos ler. E quão diferente é o quadro quando é a luz branca do Céu que o mostra para nós, em comparação com a visão daquilo que ele parecia ser quando estávamos nas brumas, compondo o quadro e angariando materiais para o trabalho de composição. Não façam vocês, hoje, aquilo que fizemos então; sejam também cuidadosos com o que valorizam muito nos diferentes elementos da vida humana e no viver. Agora vemos que aqueles grandes empreendimentos dos quais tomamos parte eram grandes, na maioria, porque olhávamos para eles numa parte. Mas nossa parte é, individualmente, como um minuto, e importa a nós apenas pelo motivo, não pela parte que realizamos.
Porque, espalhado por todos que colaboraram com sua influência, cada grande empreendimento rarefazse tanto, que cada um tem somente um pequeno papel a desempenhar. É o motivo com que se desempenha continuamente aquela parte que importa. O todo é para a raça – cada indivíduo obtém sua cota de benefícios do resultado, mas cada parte é pequena, enquanto que–se seu motivo for elevado– não importa se o mundo perceba seus feitos, aqui lhe será dada a sua parte a desempenhar, à qual ele mesmo fez por merecer na batalha da vida terrena. Isto parece um pouco confuso. Poderia me darum exemploeilustrar melhor?
Poderíamos darlhe muitos. Aqui está um: Um sapateiro, que economizou somente o suficiente para pagar suas dívidas, e nada mais, depois que foram pagas despesas de seu enterro, chegou aqui há anos atrás, como vocês dizem. Ele foi recebido soberbamente por um pequeno grupo de amigos, e estava bem contente porque eles lembraramse dele, e deramse ao trabalho de vir de tão longe à terra para mostrar a ele o caminho da esfera para onde ele deveria ir. Era uma das próximas da terra, não muito alta, e, como eu disse, ele ficou muito contente. Pois ele achara paz depois de muita labuta e cansaço na sua batalha contra a pobreza, e lazer ao ir ver as várias paisagens interessantes e as localidades daquela esfera.
Para ele era, sem dúvida, o Céu, e todos eram gentis com ele, e ele estava muito feliz na companhia deles. Um dia, para usar o vocabulário terrestre, um Senhor de uma alta esfera caminhava na rua onde era sua casa e entrou nela. Encontrou o sapateiro lendo um livro que encontrara na casa à qual fora levado, e que lhe disseram ser seu lar. O Anjo Senhor 190 – Reverendo G. VALE OWEN chamouo pelo seu nome na terra–não me lembro qual–e o sapateiro levantouse.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.