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Capítulo 78 de 87

Parte 78 de 87

A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro

Vinham  lentamente  em  nossa  direção. Finalmente  pararam  no  topo  da  colina  onde  estávamos; para fora da névoa saiu Shonar e, aproximando­se, ficou diante de nós. Ele disse, “Eu agradeço a você, mamãe, e a você, meus amigos, por sua reposta  tão gentil ao meu chamado. O assunto é este: Estas pessoas foram desencarnadas pelos  seus  opressores,  e  vieram  da  terra  para  cá  atordoados  e  com  violentos  clamores  de  vingança em seus corações. Eu os fiz atordoados e então os puxei de lá.

A maioria deles tem  um sentido entorpecido do que lhes aconteceu antes de sua saída, e querem retornar para  incitar seus compatriotas para atuarem em represália. Isto não pode ser. Não há lugar  naquele  pobre país  para  mais sangue  e  ódio. O  chão  já  está  mais  que  saturado  para  absorvê­los. Levem estes para adiante, e eu retornarei, sem mais delongas por aqui, para o  cenário de todo este horror.

Ainda há algum trabalho diabólico ali, e sou necessário”. Por que você se vai, Shonar?” respondeu Wulfhere, com alguma severidade, e eu  podia ver o espírito da velha loba brotando dela, dificilmente controlado. “Por  que  são  de  mentalidade  violenta  e  difíceis  de  controlar. Nenhum  outro  poderia tê­los trazido para tão longe além de sua atmosfera normal, e para este lugar,  Wulfhere. Se permitir, minha mamãe, entrego­os para você.

Você encontrará a força da  coragem dos velhos tempos de que necessita a tarefa. Eu certifico a você disto. Aceita este  trabalho?”  “Vou pegá­lo,” disse ela, e eu vi as sobrancelhas largas dela levantando mas só um  pouco, e sua cabeça parecia colocada um pouco mais firme entre seus ombros. “Siga  adiante,  meu  filho;  eles  precisam  de  nossa  proteção  pelos  caminhos  lá  embaixo. Eu aqui, você lá, faremos tudo juntos e terminaremos também.

Você fez bem,  Shonar, em mandar sua comissão em direção a nós para James. E o menino, Shonar, foi  uma boa ideia sua chamar o menino. Agora vá, e que o Grande Poder possa ajudá­lo,  porque você precisa, e vejo isto em seus olhos.”  Shonar estava muito tenso naquela hora. Cada fração de poder de dentro dele foi  usado para a tarefa em curso. Ele não tinha nenhum para desperdiçar em palavras.

Andou  a passos largos até sua mãe, colocou suas poderosas mãos na cabeça dela, sobre seu lindo  cabelo trançado, inclinou­a para sua direção, beijou­a onde era a risca dos cabelos e,  levantando a mão em adeus para nós, os dois homens, foi embora colina abaixo, passando  pela multidão que se movia desordenadamente, mas não se espalhava, apenas mantendo­  se unida pelo desamparo. E assim partiu para a escuridão ainda mais profunda além dali. Wulfhere observou seu perfil até que não fosse mais visto, e murmurou, “Ah, eu já  o vi assim em ocasiões anteriores. Será duro com seus adversários”. Quarta, 10 de novembro de 1920.

Enquanto isso ela ficou sentada numa pedra, em silêncio, profundamente imersa  em pensamentos. Seus olhos nunca deixavam a massa de pessoas, indo a eles aqui e ali, e  avaliando  seu  estado  de  espírito  em  geral,  enquanto  eles  ondulavam  como  águas  perturbadas por ventos de muitos quadrantes. Ali pairava sobre eles, e entre eles, uma  nuvem de neblina na qual fluíam o vermelho e o verde escuro. Eu observava seu número,  até onde eu podia vê­los naquela massa e na escuridão envolvente. Penso que eram perto  de três mil homens, e duas mil e quinhentas mulheres, e umas mil crianças.

Eu, como Wulfhere, concentrei­me sobre suas mentes e finalmente cheguei a uma  ideiado nosso problema. Em resumo era esse, como se apresentou a nós naquela hora:  Estas  pessoas  foram  vilmente  levadas  à  morte. Elas  não  eram  altamente  sintonizadas espiritualmente, exceto algumas delas. Se fossem acordadas repentinamente 421 – A VIDA ALÉM DO VÉU  de seu estado de torpor, sua morte súbita e violenta seria arremessada contra eles, haveria  uma explosão de raiva frenética da parte de três quartos deles. Isto envolveria os outros, e  o resultado final seria um pânico e a deflagração do medo, atirando­os de volta para a  cena do seu massacre.

Ali chegados, eles, por sua vez, enfureceriam seus compatriotas  ainda encarnados, e a matança seria por eles retomada, contra seus doentios contendores. Estes seriam vingados, e assim a horrível história de desgraça seria prolongada. Tínhamos  nossos assuntos a tratar nesta trama. Nosso objetivo estava claramente demarcado para  nós. Era prevenir esta catástrofe.

Mas os meios para tal fim não estavam claros. Cada uma  destas  vítimas  era  um  ser  de  livre  arbítrio. Livre  arbítrio  é  sagrado,  e  não  pode  ser  contestado. A cada um deles deve ser dada a oportunidade de escolher qual o caminho pelo  qual seguiria, e o que faria. E esta escolha deve ser feita com pleno conhecimento do que se  passa com ele e seus afins.

Não podemos impedir tal escolha, e de jeito nenhum podemos  defletir a sua linha de liberdade. Tudo o que podíamos fazer seria assegurar que a escolha seria feita em condições  favoráveis à sabedoria. No seu estado atual, estas pessoas não seriam capazes de usar seu  raciocínio  livremente,  pois  seriam  cegados  pela  raiva  e  terror. Pois  se  estivessem  completamente  recuperados  em  seus  domínios  neste  momento,  as  últimas  emoções  sentidas  na  carne  quebrantariam o espírito,  e a este distúrbio seria acrescentada sua  surpresa por acharem­se em novo ambiente, um deserto onde se sentiriam perdidos e  sentenciados à morte pela sede. Não entenderiam a mudança de estado.

Então aquele  arrebatamento de emoções profanas iria transferi­los rapidamente de volta para o plano  da Terra que, causando estranheza, os apavoraria. Pois seria muito estranho a eles verem  tudo, pela primeira vez, pelo lado do espírito. Contudo, sentiriam seus assassinos e todos os  feitos que fizeram estas localidades tão conspurcadas. Isso resultaria em uma daquelas  cenas infernais na terra que, atuadas por um apenas, ou por um grupo, tanto assustam os  homens,  de  tempos  em  tempos,  pela  motivação,  pela  extensão  da  crueldade  diabólica  presente ali. Nós, deste lado, vemos a origem de tais acontecimentos.

Em seguida, eu lhe darei a forma pela qual amarramos esta besta, arreamos e  deixamos na baia, onde poderia encontrar lazer em pensar nas coisas. Eu transcrevi o problema em alguns detalhes, meu filho, porque servirá como  chave para você em outros casos. Pela mesma razão, também serei tão preciso quanto  possível ao lhe passar minha narrativa da solução. Wulfhere  e  eu  levantamos  nossos  olhos  juntos  e  olhamos  um  para  o  outro,  inquirindo. Ambos vimos que, repentinamente, chegamos juntos à mesma ideia de como  deveríamos  começar.

Eu  anuí,  e  fui  para  James  que,  não tão  iluminado  neste  assunto  assombroso, tinha ficado à parte e estava observando a multidão à vontade. Eu disse a ele,  “James, meu amigo, há um trabalho extenuante por aqui. Não deixe que se cometam erros,  ou iniciaremos um desastre. Marque bem o que lhe digo, e esteja pronto para cumpri­lo,  meu filho. Você entenderá melhor quando as coisas tomarem rumo.

“Vá, portanto, para a Casa das Ordens, mande para cá quinze pessoas de nosso  grupo; eles saberão que composição o grupo deverá ter. Mande que venha com eles o  garoto Habdi também. “Vá  depois  até  Ladena. Diga  a  ela  para  adequar  as  mentes  das  pessoas  da  clareira para servirem. Ela entenderá.

Deus esteja com você, meu filho; nós estaremos por  aqui a Seu serviço”. Pus minhas mãos sobre seus ombros, e ele olhou sério nos meus olhos e então,  virando­se, foi velozmente para o alto, até o local de sua incumbência. Logo chegou o grupo. Wulfhere viu que eu entendera seu pensamento e deixou  que fizesse as ordenanças, enquanto ela usava todos seus poderes sobre a multidão de tal  forma  que  nossos  companheiros  fossem  capazes  de  cumprirem  seu  trabalho  mais  eficientemente. 422 – Reverendo G. VALE OWEN  Desta forma trabalhamos juntos, ela e eu, e o grupo funcionou como se fossem  nossos dedos para desenrolarmos esta meada emaranhada.

Eles eram sete homens e sete  mulheres, e uma mulher para liderar, e Habdi. Distribuí as tarefas e prontamente começaram a trabalhar. A multidão lentamente começou a se recompor, até que tomou a forma de longas  filas de homens e mulheres, por onde os socorristas passavam. Wulfhere e eu nos sentamos  perto um do outro, e lançamos nossa influência sobre as pessoas. Para este efeito: seus  corpos começaram a tomar um aspecto semitransparente, e dentro deles podia ser vista  uma réplica mental de seus corpos de carne recentemente arrebatados.

Suas feridas eram  vistas, a roupagem que usavam e seus ornamentos, e também a cena de onde exatamente  haviam caído­cada detalhe de seu estado terreno na hora de sua passagem podia ser visto  como fora registrado em suas mentes. Tudo foi avaliado pelo grupo e, feito isso, foram  separados em grupos de acordo com a avaliação. Então veio a tarefa de acordá­los, e para isso nós dois também enviamos nossas  mentalizações. Puxamos  as  crianças  e  trouxemo­las  para  a  colina,  para  um  lugar  ligeiramente distante, na Esfera Três. Aqui, rapidamente fizemos um cenário agradável  para elas, tratando as condições do local de forma a neutralizar os males e potencializar os  benefícios.

Por isso foi feito um agradável e amplo prado cortado por um rio, e então  banhamos tudo com a luz do sol. Mas somente aqueles para os quais nós preparamos o  lugar veriam tudo daquela forma; de forma alguma alguém fora disto seria capaz de achá­  lo, passaria ao largo sem ver tudo isto. Por isso trouxemos as crianças eas acordamos. Primeiramente levantamos uma e  levamos para Habdi, que o levou dali e mostrou as árvores e as flores, e respondeu suas  perguntas. Quando este ficou à vontade, acordamos mais três.

Então, gradualmente, nós os  tínhamos todos acordados e à vontade, quase mil deles. Quando  tinham  recuperado seus  poderes  e  puderam  pensar  prazerosamente,  perguntaram onde este lugar estava situado, como tinham chegado ali, e onde estavam  seus pais e seus outros entes queridos. Habdi, indo no meio deles, fez muito ao ajudá­los  com seu sorriso e sua alegre sabedoria de menino. E ele, tendo se colocado como habitante  daquela região que devia ser consultado para informações, ficou feliz pelo nosso pedido de  nos apresentar para as crianças. Nós, ao ganharmos a confiança deles, dissemos a eles que  conhecíamos seus amigos e os traríamos para aquele lugar dentro em breve.

Esta foi a fase  inicial  de nossas operações, mas estávamos bem contentes que tudo tivesse corrido tão  bem. Mas as crianças são mais facilmente recompostas em tais circunstâncias, mais que os  adultos. Esta  era  a  nossa  próxima  obrigação,  a  que  estava  diante  de  nós,  portanto,  deixando­os ali aos cuidados de Habdi, voltamos ao Porto Pedregoso. 423 – A VIDA ALÉM DO VÉU V O POVO DA CLAREIRA  Quinta, 11 de novembro de 1920. Voltamos  agora  nossas  atenções  sobre  os  milhares  que  estavam  ou  permaneceram na planície ao pé da montanha. Eu peguei os Sete homens e Ladena chegou  para comandar as Sete mulheres socorristas.

Nós percorremos as filas, para cima e para  baixo, por um longo tempo. Estávamos testando­os e sondando para ver se encontraríamos  alguns que servissem para o nosso propósito, aqueles em cujos corações não remanescera  amargura  demais. Estes,  nós  acordaríamos  e  conversaríamos  com  eles,  e  então  os  convidaríamos para nosso grupo, para nos ajudarem com a multidão. Mas eu não achei  nenhum, exceto alguém que tinha sido pastor entre eles. Este eu despertei e levei­o à parte.

Mas  Ladena  conseguiu  três  mulheres,  e  mais  tarde  havia  mais  oito  delas  acrescentadas ao número dos selecionados de toda aquela multidão. Realmente era uma  ocorrência lastimável,  quando tanto ódio tomara conta de seus corações. Mas deve­se  considerar um fator, meu filho, que era este: Estas pessoas estavam agora como estavam  no momento de seu assassinato. Nós sabíamos que muitos, quando acordados em suas  consciências,  e  quando  lhes  explicássemos  o  que  lhes  acontecera,  sairiam  de  seu  ódio  desenfreado e tornariam sua mente mais amável. Mas o que nós não sabíamos era quais  fariam isso e quais seriam mais renitentes.

Esta era uma questão para se prever, e a nós  era difícil de se prever sua linha de atividade mental e espiritual. O elemento problemático  era o mesmo livre arbítrio que faz um homem de fato um homem, e o leva a cavaleiro da  divindade. Isto  foi  deixado  por  agora,  deverá  esperar  nossas  operações  mais  leves. Voltamos  com  nosso  grupo  até  Ladena,  portanto,  e  a  seguimos  com  sua  busca  mais  promissora. Primeiramente eu ajudei o pastor.

Como você o acordou, Arnel? O  que ele fez quando foi acordado? Ele estava sentado sobre um pequeno outeiro na planície, a cabeça nas mãos. Mais de uma vez ele levantara os olhos, mas eles lhe diziam pouco, estando mal focados  sobre o ambiente. Ele suspirava sem saber e pensava estar dormindo, sonhando, e que  acordaria logo.

Ele não errou muito nisto. Fiquei  diante  dele  e  emiti  minha  vontade  numa  corrente  sobre  a  dele,  meus  companheiros ajudando­me. Num instante ele acordou e espichou seus braços para cima, e  suspirou mais de uma vez. Olhamos então para seus olhos, e os seguramos pelo menos nos  nossos. Vagarosamente  ele  chegou  ao  foco,  então  uma  carranca  surgiu  em  seu  rosto  gracioso,  e  num  instante,  estando  completamente  acordado,  veio  em  nossa  direção  e  dirigiu­se a nós.

Ele disse, “Peço que me perdoem, senhores, dormi por um pouco. Mas – pouco sei  –  sim,  realmente  dormi,  mas  nem  aqui  estava  –  não  creio,  senhores,  que  sejam  da  companhia daqueles outros. Vieram em meu socorro, senhor? Estou algo confuso...“  Ele  interrompeu­se  abruptamente,  pois  viu  os  milhares  de  seus  compatriotas 424 – Reverendo G. VALE OWEN  contemporâneos  deitados,  quase  desacordados,  alguns  intranquilos,  alguns  andando  vagarosamente umas poucas jardas e novamente sentando para fecharem seus olhos em  torpor.

Ele olhou para eles, firmemente e destemido. Era um nobre companheiro, e muito  me regozijei pois logo seria um de nossos companheiros. Ele disse, “Agora isto volta para  mim. Meus  pobres  companheiros  e  meu  povo. Deus  os  ajude  a  suportar,  como  eu  os  aconselhei tanto a fazerem; a suportarem, pobres ovelhas, e perdoarem.

Mas como vocês,”  ele continuou, apontando para nós novamente; e parou, continuando mais vagarosamente,  ”E contudo vocês não parecem os que nos fizeram este desserviço, nem há qualquer arma à  vista em suas mãos”. Então respondi a ele, “Não, nem temos nenhuma conosco. Senhor, vejo que já  entendeu seu atual estado, que passou através da porta da morte.” Ele anuiu. “Vejo que é  de uma ordem religiosa”. “Pastor e bispo, mas isto não é nada”.

“Você, com estes de seu rebanho, foram mortos por seus inimigos. Você perdoou  estes inimigos”. “Tudo isso é verdadeiro, senhor, porque fiz disto minha regra na outra vida, de  perdoá­los diante de qualquer coisa que pudessem fazer a mim, convivendo sempre na  presença de sua vontade doentia e intenções doentias. Mas, por obséquio, quem são vocês,  senhores?”  “Somos anjos ministrantes numa busca muito difícil”, eu disse, e contei­lhe toda  nossa  tarefa  e  nossos  temores  por  aquela  multidão. Este  era  uma  grande alma,  e  ele  rapidamente sentiu nossa seriedade, nosso objetivo e muitos detalhes, por intuição.

Então ele disse, “Posso ajudá­los nisso, se quiserem colocar­me a seu serviço e,  ajudando vocês, estarei ajudando também aqueles pobres pequeninos; porque, senhores,  são pouco mais que bebês, e vocês terão que ser pacientes com eles por serem assim”. Então fizemos um conselho, e ele foi, de fato, de muita valia para nós. Ele apontou  um e outro que foram pastores e ministros; e então outro de seus compatriotas a quem ele  sabia ser de bom coração. Também nos mostrou quais eram mais perigosos e truculentos ­  estes  eram uns setecentos, e de todos, novamente no mesmo número, os que eram do  sacerdócio. Os  mais  espiritualizados  nós  acordamos  um  por  um,  e  eles  falou  com  eles,  explicando­lhes com muita paciência tudo o que havia acontecido e como eles poderiam  ajudar os outros da melhor maneira.

Então os agrupamos de lado para descansarem um  pouco. Ladena,  enquanto  isso,  lidou  com  as  mulheres  da  mesma  maneira. Primeiramente, ela separou aquelas que tinham filhos, e levou­as para o prado onde eles  estavam começando a se acostumar, sentindo­se mais à vontade. Aqui  as  mulheres  acharam  o  que  fazer,  tendo  tempo  para  aconchegarem  e  cuidarem de seus bebês. E assim Ladena deixou­as, e voltou para o próximo grupo, na  sequência.

Assim tudo continuou até que tínhamos reduzido aquelas filas às setecentas  almas  violentas,  e  duas  vezes  isso  daqueles  que  era  difícil  de  se  considerar:  eram  os  incertos. Destes, umas cinquenta eram mulheres. Dos acordados, nós ajuntamos um grupo de cento e oitenta homens e vinte e três  mulheres que nos ajudariam no trabalho. Os outros não eram fortes de coração. À sua  frente  colocamos  o  Bispo  e  um  Vereador,  seu  amigo  e  protetor  na  vida  terrena,  e  conduzimos este grupo através dos dois.

Mas tínhamos uma dificuldade. Ali estavam aqueles mais violentos, dormindo. Eles deviam ser acordados. Mas temíamos fazer isso com eles, pois sabíamos que uma  explosão  de  violência  entre  eles  poderia  ser  calamitosa. Conversamos  muito,  e  meus  companheiros da casa de Ordens e estes recém chegados da terra não achavam uma saída 425 – A VIDA ALÉM DO VÉU  para isso.

Então ficamos em  silêncio para pensarmos. Conforme nos sentamos assim, veio  de uma pequena distância uma voz profunda e alta, mas muito forte e cheia de melodia,  “Que lição você aprendeu com o Cristo Criança, meu filho Arnel?”  Fiquei de pé e olhei em torno. Lá na encosta da montanha sentava­se Wulfhere,  da forma como eu a vira antes, tranquila e composta, como podia ver, pronta para agir. Seu queixo estava em suas mãos, cotovelo na coxa, olhos diretos nos meus, sondando­me.  29  Quando olhei para ela, da cena do Hall dos Pilares  veio a visão em minha mente,  e na Clareira, e na Rotunda de onde as crianças tinham partido para a Cidade. E suspirei  muito fundo pelo contraste entre estas cenas tão doces e esta.

Mas soube finalmente a  resposta que Wulfhere esperava, e dei­a: ”Uma criança os conduzirá, como disse o velho  profeta. Sim, em todas estas ocasiões com as crianças, foi a Criança que veio na frente”. “Não  conheço  seu  profeta,  Arnel. Mas  ele  falou  a  verdade. Cuide  deste  ensinamento–do ensinamento da Criança”.

“Ele os liderou pela doce beleza de Seu amor”, eu disse, ainda buscando a maneira  pela qual ela aplicaria este princípio neste caso em andamento. “Ele assim fez”, ela respondeu, “Sim, ele assim os conduziu, enquanto eu perdi a  arte de fazê­lo, tanto tempo atrás, pelo trabalho extenuante e violento como aquele ao  qual eu e Shonar fomos enviados para cumprirmos. Mas vem do meu coração o que minha  mente dificilmente admitiria, isto é, que a suavidade da liderança de uma criança é mais  evidente para mim, em sua força impulsora, que para você, bom Arnel. Porque, veja, esta é  a solução para seu problema, e você não a acha, meu filho”. Então  fui  em  direção  a  ela  colina  acima  e,  ficando  perto  dela,  disse,  “Mas  Wulfhere,  não podemos  evocar  a Criança  a  estas  partes.

Sua  alta sublimidade  não se  sustentaria nestas condições malignas”. “Mesmo nestes lugares, eu oraria por Sua doce Presença se fosse necessária. Mas  tamanha coisa não é necessária agora. Há outro”. Repentinamente entendi o que ela queria dizer, e falei, “Habdi!”  “Ele será suficiente.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.