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Capítulo 83 de 87

Parte 83 de 87

A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro

Mas há os que vocês deixaram para trás, próximos à terra, porque não estavam  prontos para a subida que completaram. Devemos ir em seu socorro, e o que pudermos  fazer em sua ajuda, faremos”. 447 – A VIDA ALÉM DO VÉU  Então virando para o Anjo que atuara como seu Responsável naquela ocasião, ele  disse, “E a ti, meu senhor, damos todas as nossas bênçãos em gratidão, e aos que trabalham  contigo,  naquela  esfera  elevada,  por  nós. Enviamos,  através  de  tuas  mãos,  os  nossos  cumprimentos. Por  favor,  senhor,  dize  a  eles  que  estamos  indo  pelo  caminho,  mas  primeiramente retornaremos sobre nossas pegadas, pois há quem não conheça a estrada  até aqui, e devemos mostrar­lhes, senão continuarão perdidos. “Por isso, abençoa­nos, meu bom senhor, e enviaremos com o senhor o nosso  amor e gratidão como seus companheiros em seu caminho”.

Então James ajoelhou­se diante do Anjo, que colocou sua mão esquerda sobre sua  cabeça inclinada. A direita, ele estendeu às pessoas e abençoou­as, enquanto também elas  inclinavam suas cabeças diante do brilho de sua pessoa na plenitude de seus corações. 448 – Reverendo G. VALE OWEN IX TRABALHO NOS PLANOS UMBROSOS EXTERIORES  Terça, 21 dedezembro de 1920. Encontramos Shonar em sua residência principal, naqueles reinos inferiores. Era  uma  fortificação,  solidamente  construída  e  assentada,  ao  lado  das  encostas  de  uma  montanha.

Você deve perceber, meu filho, que o que lhe conto não é como eu faria num  grupo de amigos neste lado do Véu. Por aqui eu seria capaz de usar termos exatos e  naturais em nossas operações mais variadas. Mas, falando a você no outro lado, devo  colocar minha pintura na tela, e delinear uma obra de forma que vocês da terra possam  apreciar. Por isso digo que esta casa de Shonar era uma fortaleza. Ele a elevou durante os  muitos  anos  de  trabalho  entre  os  diabos  encarnados,  entre  os  quais  sua  tarefa  era  determinada.

E quando passavam para cá pela morte, ele então ainda os encontrava e  lidava com eles, e a primeira lição que lhes ensinava era que ele era o Mestre. Algumas  vezes  isto  era  rapidamente  aprendido  e  guardado. Mas,  frequentemente,  os  que  eram  conferidos à sua guarda eram grandes almas que agiram desencaminhados. Estes eram  teimosos e afrontavam sua autoridade por um longo tempo. Mas até que o aceitassem  como o dominante, eram seguros ali com correias, tanto  quanto  possível,  para que  o  malefício que continuassem a fazer a seus companheiros fosse limitado à menor medida  possível.

Isto não seria eliminado totalmente enquanto, ainda encarnados na terra, fossem  chamados aos seus como em espírito. Mas Shonar fazia o que era possível. Por fora, este bloco de pedra era de cor bem escura. Ficava ali numa claridade  quase  menor  que  a  do  crepúsculo,  contemplando  uma  grande  planície. Esta  era  interrompida por ravinas e rochas e, aqui e ali, uma corrente escura de águas fétidas.

Em  torno, altas e escarpadas montanhas elevavam seus pináculos nos compartimentos escuros  acima. Havia muitas cavernas entre essas montanhas. Viajando através de um país como esse, um recém chegado primeiramente diria  que era desabitado. Então, numa pesquisa mais cuidadosa, encontraria um grande número  de escondidos nas fissuras ou ao longo das ravinas, com um andarilho perdido aqui e ali  nas planícies. Ele acharia que aqui era uma terra de ninguém, sem ordem e sem ninguém para  registro das pessoas.

Não era assim. Escondidos entre os picos das montanhas, ou dentro  das cavernas mais profundas, onde quer que se perdessem, cada um dos perdidos era  contado, e tabulado, e classificado naquela Fortaleza. O prédio em si tinha um duplo propósito. Foi feito forte contra assaltos, e foi feito  forte  para  a  cura. Forte  contra  os  que,  tanto  sós  como  em  grupos,  viessem  para  cá  e  freneticamente procurassem adentrar estas paredes; e forte na influência que lançasse  sobre os que fossem admitidos ali, inválidos, para fortalecimento.

Isto quando tivessem 449 – A VIDA ALÉM DO VÉU  chegado até onde seus próprios crimes e desejos permitissem um destino melhor do que  haviam tido nas terras escuras lá fora. A grande arcada estava sempre aberta, já que ninguém poderia passar por ela, a  menos que os que ali trabalhavam permitissem. Alguém poderia invadir até três ou quatro  passos, mas então rapidamente pararia pasmado, respirando com dificuldade, viraria e  apressadamente retornaria pelo mesmo caminho mais uma vez. A razão era que o pequeno  espaço cúbico embaixo da arcada estava condicionado à Esfera Quatro. Se você tivesse  aprendido as lições que já tentei ensiná­lo, entenderia que ninguém poderia passar esta  barreira se não fosse de mais elevado grau de evolução que os daquela região, ou sem a  ajuda enviada dos que administram o lugar.

Passando por ali, segue­se um longo corredor para cima e, saindo dele há muitos  compartimentos, alguns amplos, outros pequenos. Estes estão, cada um, preparados para  um propósito diferente. Estão condicionados em diversos graus e variadas influências. Aqui  ficam os que são tratados de acordo com sua necessidades particulares. No centro do corredor está um amplo hall, com passagens e quartos localizados  nestas paredes.

Este hall é coberto com ricos cortinados e é um lugar muito agradável, não  majestoso, mas pleno de conforto aos olhos, aos ouvidos e ao corpo. Ao olho, porque se a luz  não é brilhante, é suave. Ao ouvido, porque as cortinas são de tal forma feitas que emitem  sons musicais suaves quando tocadas; também pode­se ouvir águas, e na extremidade fica  uma grande bacia com o fundo de mármore e peixes dentro. Também dali verte, do alto da  parede,  uma  queda  d’água que  é  muito  agradável  aos  olhos e  aos  ouvidos. Ao  corpo,  porque este é o lugar aonde os trabalhadores vêm de vez em quando para descanso, e  naquele  hall  há  uma atmosfera de  descanso,  e bondade,  e  pureza  e,  para  alívio,  uma  mistura de todos os opostos aos sentimentos malignos endereçados para eles pelos pobres  espíritos enegrecidos de fora, sobre as montanhas e planícies.

Aqui encontramos Shonar. Ele estava sentado perto do viveiro de peixes, e com  ele estava uma jovem garota que se sentou ao lado dele sobre a lateral de pedra. De vez em  quando ela olhava para ele com amor e gratidão. Eu a conhecia, pois encontrei­a em  minhas visitas anteriores. Conforme eu ia chegando, ela levantou­se e, correndo para mim, pôs sua mão em  meu  peito  e,  olhando  feliz  em  meus  olhos,  disse,  “Oh,  meu  senhor  Arnel,  novidades,  novidades!” “Que, para uma jovem mocinha, são como  açúcar para uma égua,” disse eu,  sorrindo.

“Não”, disse ela, “verdadeiras notícias desta vez, querido Arnel. Finalmente ele  está  dentro  destas  paredes;  realmente  aqui,  Arnel. Agora  mostre­me  sua  alegria  por  minhas notícias!”  Ela  me  segurou  com  ambas  mãos  no  meu  peito,  e  manteve­me  num  abraço  enquanto olhava firmemente em meu rosto com um olhar de triunfo. E sem dúvida baixei  minhas defesas. Tomando­a em meus braços com ternura, deitei sua cabeça em meus  ombros e disse, “Claire, minha pequena, são de fato novidades, e as bênçãos de Deus.

Valeu  a pena todo o trabalho na estrada para que eu chegasse até aqui, neste lugar longínquo,  para ouvir isso. E agora, minha querida, vai me levar até ele, porque eu também vou dar as  boas  vindas. Não,  mais,  vou  cumprimentá­lo  bastante,  pequena  Claire,  por  sua  mais  esplêndida luta, e a vitória em seu final. Mas, primeiro, ao meu senhor Shonar, já que por  causa de sua doce ânsia de contar­me tudo isso, fez­me esquecer a arte gentil da cortesia”. Ele nos cumprimentou alegremente, e conversamos por instantes sobre trabalhos  que iniciamos.

E daquilo agora. Estou com vontade de contar a você sobre esta garota, e o  tema sobre o qual ela me falou. O homem, sobre quem ela havia me contado estas novidades, era seu irmão*. Eles  eram duas crianças de nobre linhagem e abastados na terra. Para a própria proteção, pois 450 – Reverendo G.

VALE OWEN  ela soube algo de seu comportamento maligno, ele a matou. Quando ela soube que ele  também havia passado para cá, sendo morto numa luta à qual chegara por seu modo de  ser, ela pedira para retornar para perto de seu lugar de expiação, para ajudar o quanto  pudesse, e dar­lhe as boas vindas quando se arrependesse. Mais vezes que apenas uma, eu a  encontrei esperando, esperando por ele que ainda habitava lá adiante, na escuridão. Ela  era solene e quieta, mas cheia de doce resignação e fé em que suas orações valeriam no  tempo devido. E  agora  ele  chegou  ao  Forte,  e  estava  colocado  num  daqueles quartos  escurecidos, um pouco próximos das paredes externas da cidadela.

Então ela me levou até ele. Estava sentado num banco contra a parede, e falei  com gentileza, e disse­lhe de como todos nós tínhamos ajudado a encontrar seu caminho  até aqui, ele todo o tempo inconsciente. Contei­lhe do propósito de sua irmã em estar por  ali, e de sua paciência em esperá­lo. Quando terminei, ele estava em pranto, com seu rosto em suas mãos sobre os  joelhos. Era ele que na vida terrena tinha sido um jovem zombeteiro de tudo que era bom,  um seguidor de tudo que era maligno e, através disso, de comportamento arrogante, e  nisto era de bom gabarito e de velha linhagem.

Atrás de mim, nas sombras do corredor,  estava James, uma vez um escrivão num escritório de contabilidade, de berço humilde e  pobre em bens mundanos. E aqui estava ele agora, um jovem nobre da cavalaria celeste  com gabaritos e riquezas além do que sonhou na terra este pobre jovem caído e arruinado. Pensei naquilo tudo enquanto estava ali, em silêncio, por instantes. Então Claire  falou, “Foi permitido a mim vir até aqui, Arnel, muito antes que agora. E já contei a ele que  agora ele não é mais daqueles que precisam se desesperar por qualquer coisa, porque  chegou vitorioso nesta casa”.

“Isto é verdade”, disse eu, “e agora que chegou tão longe, continuará. Seja bravo,  querido rapaz, e Claire vai ajudá­lo, e nós o ajudaremos também”. Então ele levantou sua face, lentamente ficou em pé, ficando ali pensando por  momentos, então lentamente andou em nossa direção. Sobre nós a escuridão não era tão  profunda, porque não podíamos diminuir nossa condição brilhante no total. Ele disse, “Eu  sei senhor, porque minha irmã disse o seu nome – Senhor Arnel.

Eu agradeço­lhe, senhor,  por tudo o que fez por mim, um estranho. Pelos horrores e quanta tortura que pratiquei, eu  bem mereci. Mas que a gentil Claire, minha irmã, desse seus sorrisos para mim, eu que lhe  fiz tanto mal, é para mim, ao mesmo tempo, angustiante e doce. E quem é este, senhor, por  gentileza? Não havia visto este jovem senhor por aqui antes”.

Eu lhe contei a história de James, e ele se voltou para o jovem líder e disse, “Se nos  encontrássemos na vida da terra, senhor, eu o teria desprezado como tolo e muito inferior  a mim. Encontro­o aqui, e almejo que permita que eu toque sua mão”. A isso, James rapidamente andou em sua direção e segurou a mão do outro na  sua, num ardoroso aperto de mão. Então, olhando gentilmente para o jovem, disse, “Meu  irmão, o seu sangue nobre não fez com que seu curso na terra fosse bom. Mas há em você  algum merecimento verdadeiro e alta nobreza.

Encontramos isso aqui, meu irmão, em  pessoas  improváveis. Você  é  um  desses. Mantenha­me  em  sua  mente,  pois  você  e  eu  podemos fazer grandes  coisas ainda”. Senti que ali havia uma simpatia mútua de entendimento entre estes dois que eu  não podia alcançar. Era, como pude ver, um desses casos onde duas almas encontram  quem nunca haviam encontrado antes e, sem  mais, buscam um ao outro por instinto.

Pois  eles perceberam, sem raciocínio, que no fundo de seus corações eram família. Quarta, 22 de dezembro de 1920. Num grupo com Shonar, fizemos a ronda dos muitos departamentos onde os 451 – A VIDA ALÉM DO VÉU  assuntos  daquela  região  eram  decididos. Fomos  com  um  propósito  definido. Era  para  examinar  cuidadosamente  os  registros  mantidos  ali.

Nisto  encontramos  detalhes  das  condições, progressos e falta de progresso, a atual habitação de todas as numerosas almas  que estavam espalhadas nas vizinhanças. Não tínhamos nenhum propósito a tratar com  outros, exceto os do grupo que havia chegado com o Vereador e o Bispo. Mas, se surgisse  ocasião, estaríamos preparados para conduzir isso em pauta também. Vou contar­lhe como demos andamento em uns poucos casos. Estes servirão de  exemplo para que possa ver de que maneira estes trabalhos são feitos por aqui.

Terminei com os admitidos na Fortaleza, e contarei um pouco dos de fora. Tendo em mente os detalhes que aprendemos dos registros, seguimos adiante. Éramos eu, Shonar, Habdi e James. Fomos pela planície até que chegamos num lugar onde  uma pequena cabana foi erigida. Entramos, e encontramos lá dentro três homens e uma  mulher.

Os três estavam deitados no chão, mas a mulher estava em pé. Ela era uma das  trabalhadoras sob o comando de Shonar. Ela fôra prevenida de nossa presença, mas os  outros não. Ela estava falando, e agora um dos homens estava respondendo, “De onde você  veio,  senhorita? Suas  palavras são  justas  e  sua  voz  é  bondosa.

Mas aqui  temos  estado  longos dias, e não vemos nada das coisas alegres de que você fala”. Ela respondeu a ele, “Não, mesmo assim elas são para vocês, se continuarem em  seu caminho de progresso com coragem. Porque a palavra chegou até nós, de lá do Forte  para o qual querem se mudar, saindo deste lugar monótono em direção à luz onde seus  queridos habitam”. “Por que eles não vêm mais aqui até nós, agora que passamos a porta da morte? Você diz que eles ainda nos amam.

Por que não trazem de seu amor para nós?”  “Meu irmão, recorde­se um pouco. Sua esposa e seu filho vieram ultimamente?”  Então ele pensou no assunto. Diante de sua mente espocavam cenas de blasfêmia  que ele lançou em seu desespero; o caminho louco que fizera nas terras trevosas, quando  até a luz sombria do Porto Pedregoso doeu­lhe nos olhos; os raios de maldade que ele mais  tarde lançou, e as companhias dos homens e das mulheres que ele tomou para si, de  aspecto  vil  e  de  coração  também  trevoso. Então  respondeu,  “Senhora,  para    minha  vergonha digo que senhora diz a verdade. Eu não os faria vir pelos meus caminhos por  onde passei, nem aguentaria que testemunhassem aquele modo de vida que mantive desde  que ultimamente os vi.

Não, estão melhor onde habitam. E diz você que posso ir até eles,  senhora, eu e meus amigos?”  “Se eles têm vontade de alcançarem seus parentes, eles e você podem vir. Mas não  iremos diretamente. Há ainda muita necessidade de treinamento para ir à luz. Mesmo  assim o caminho é um caminho seguro, desde que me aceitem como guia e aqueles com  quem trabalho, meu irmão”.

O homem levantou e chamou seus dois amigos. Eles tinham estado em meditação  profunda. Agora estavam completamente acordados e levantaram­se também”. Um deles disse, “Há uma moça perto de lá, a quem devo obrigações. Quando  aquele tirano, chamado Ferreiro, quis me derrubar uma vez, ela veio entre nós e tomou o  baque por mim.

Senhora, diga­nos se  vai nos  levar  para as  nossas  mulheres  e  nossas  crianças. Eu  gostaria  de  levar  aquela  garota  conosco,  para  que  minha  esposa  possa  manifestar­lhe seus agradecimentos pelo que ela fez por mim”. A  mulher  assentiu,  e  eles  saíram  pela  planície  para  buscar  a  garota. Fomos  também, estando invisíveis para eles, mas ela sabia de nossa presença. Depois de um certo tempo, eles chegaram a uma floresta de árvores nuas, sem  folhas.

Algumas delas foram tecidas juntas, com cipós, para formarem um abrigo. Havia uma fogueira diante da entrada, e em torno dela sentavam­se alguns  homens  e  mulheres. Quando  se  aperceberam  da  aproximação  dos  quatro,  riram  com 452 – Reverendo G. VALE OWEN  desprezo,  e  um  gritou,  “Eu  disse  a  vocês  antes,  meus  prezados  companheiros. Então,  voltaram a nós, não é?

Bem, por que não? O que mais poderiam ter achado para fazer  nesta maravilhosa região? Não é bom estar sozinho nesta localidade, com certeza.” E com  uma risada cínica, ele voltou a esquentar suas mãos na fogueira. Mas  dali  levantou­se  outro,  de  aspecto  diferente. Ele  era  alto,  de  grande  compleição e de semblante feroz.

Ele veio na direção deles e, ficando com os pés afastados,  colocou seus punhos nos quadris, e em sua mão direita havia um bastão cheio de nós. Primeiramente dirigiu­se aos três homens. Ele disse, “Agora o que significa isso, meus  prezados companheiros? Vejo que têm uma mulher em sua companhia. Bem, já a vi antes, e  ela não se dá bem em nossa companhia.

Madame, estes três homens não são homens, mas  corações moles. Responda por eles. Qual é o propósito que os traz até aqui?”  Ela contou­lhe resumidamente, e ele retrucou, “A desleixada está em seu abrigo  de folhagens. Se a quer, leve­a e caia fora para seu caminho!”  A mulher se aproximou do abrigo e, quando parou de chamar a garota lá dentro,  o Ferreiro levantou seu bastão para atingi­la. Mas os três homens se apressaram em pegá­  lo, antes que pudesse fazê­lo.

Eles o empurraram de volta, e ele caiu sobre o fogo e rolou  algumas jardas, para dentro da escuridão. Então, mais uma vez ele se levantou e veio  correndo em direção aos seus assaltantes, quando três mulheres e dois homens saíram do  círculo e postaram­se em seu caminho. Um destes homens disse, “Não, Ferreiro, você já tiranizou esta garota por muito  tempo, e a nós também. Aqui estão três que rompem com isso, e há mais cinco, e uma no  abrigo para aumentar o número. Fique fora, porque nós estamos todos cansados da vida  que aqui levamos, e iremos com eles e a senhora que os guia.

Nós não somos brilhantes, nós  não; mas encontraremos algum lugar para morar, e não será pior que este local com a sua  companhia”. Então  Shonar  assumiu  visibilidade  e  foi  em  frente. Ele  disse,  “Quanto  tempo  ainda, meu irmão, você continuará se enganando, e a estas suas vítimas? Você não é o  homem poderoso que tenta aparentar. Você nem tem força em seu corpo, nem a força de  vontade que demonstra.

Pare com este escárnio e com sua própria loucura. Somente desta  forma cumprirá seu destino, que não é ser procurado neste lugar lúgubre, como bem sabe”. Então o homem mudou. Estas pessoas da região que eram observadas lá do Forte  eram os que haviam recebido um pequeno apoio em direção à luz. Alguns deles tinham  vindo  de  lugares  mais  escuros.

Alguns  haviam  achado  seu  caminho  pela  gravitação  normal, depois de passarem pelo portal da morte. O único do grupo que foi rebaixado foi o  Ferreiro. Mas  agora  cada  palavra  pronunciada  por  Shonar  encontrava  lugar  em  seu  coração. Ele sabia que as palavras eram verdadeiras. Mas ele não podia, naquela hora,  minorar sua ostentação totalmente.

Mas disse, “Sim, mestre, estas suas palavras são boas  palavras, mas por enquanto não são para mim. Mas se estes outros escolherem ir, não mais  os deterei. Eles irão, e ficarei sozinho com minha própria tarefa de decifrar o enigma do  meu enigmático coração. É melhor assim. Estão me escutando, seus fracos?

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.