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Capítulo 72 de 87

Parte 72 de 87

A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro

Eles vieram, um depois de outro, em número de  sessenta, ou mais. Então estes passarinhos começaram a se agrupar no meio, respondendo  àvontade dos alunos. 386 – Reverendo G. VALE OWEN  Quando eles estavam agrupados desta forma, havia muito gorjeio de um para  outro e arrumação de plumagem. Mas, gradualmente, eles começaram a ficar quietos e  parados, até que ficaram todos dispostos a dormir. Eu estava observando curioso, e agora notei uma mudança acontecendo sobre  eles.

Suas penas multicoloridas vagarosamente mudaram de natureza e tornaram­se de  coloração acinzentada, não feia, mas pura, e de coloração neutra. Logo entendi o que estas  crianças  estavam  fazendo. Eles  tinham  retirado  de  cada  pássaro  a  sua  aura,  não  inteiramente,  mas  deixando  talvez  uma  oitava  parte  que,  entretanto,  não  era  visível  externamente, mas internamente estava distribuída através do corpo do pássaro. Então  as  crianças  da  direita,  conforme  eu  as  observava  estando  embaixo  da  Arcada, quieta e vagarosamente deixaram seus lugares e, indo para o fundo e à esquerda  da sala, tomaram lugares embaixo dos outros que ainda se reclinavam sobre seus canapés. Enquanto isso uma nuvem luminosa formou­se na frente deles, e entre eles e os pássaros.

Isto  era  a  aura  de  todos  os  pássaros,  compostas  e  misturadas  em  uma  só. Aquilo  lentamente concentrou­se sobre si mesma até que deitou no solo, no formato de um ovo  enorme. Este foi levantado lentamente sobre sua base. Seu tamanho aumentou no raio de  sua concentração. Seu formato foi mudado até que ficou ali em seu lugar uma réplica do grande  pássaro que ainda estava sentado no arco acima, muito atento às estranhas atitudes que  aconteciam abaixo dele.

Finalmente, um pássaro  fêmea recém­nascido moveu levemente  sua cabeça, e alguns dos pequenos alunos começaram a bater palmas de alegria. Mas  foram calados instantaneamente pelos mais velhos, pois uma distração na vontade poderia  estragar seu trabalho, agora quase perto de terminar. O pássaro fêmea ficou ali parado e silencioso, mas logo houve um leve levantar de  asas; então seus olhos abriram; então ela andou uns poucos passos em direção às crianças. Eles ainda aplicaram suas vontades em ação unida sobre ela, e finamente ali estava um  pássaro vivo, companheira de sua majestade acima. Ela correu para uma criança, e então para outra, recebendo seus carinhos onde  quer que fosse.

Depois disso ser feito por instantes, ela se afastou umas jardas deles e  proferiu seu chamado amoroso, e o pássaro do telhado veio para baixo e ajuntou­se à sua  companheira sobre o solo. Então, estes jovens criadores emitiram um grito alegre e começaram a conversar  com a real consciência de sua vitória. E acariciaram estes dois pássaros tão avidamente  que finalmente ambos correram para o outro lado do grupo silencioso de seus primos  menores e pousaram sobre o encosto de um dos bancos. Eu lhe adiantarei que, à medida que este processo continuou, foi ficando cada vez  mais extenuante para os jovens operadores, a cada estágio. O item mais difícil de todos foi  o de construir a garganta do pássaro para que pudesse dar voz às notas corretas de seu  trinado.

Se isto falhasse, seu companheiro não teria vindo e o trabalho deles seria todo  feito em vão. Eles fizeram tudo muito bem, conforme nos apressamos a dizer­lhes. Também  enviamos uma mensagem à Pretora, que veio e elogiou­os dizendo que nenhum erro foi  cometido por eles, como os muitos que deixaram para trás. Agora  ficou  para  eles  a  incumbência  de  reverterem  o  processo,  pelo  qual  o  pássaro  seria  novamente  dissolvido  na  nuvem  composta  das  auras,  e  esta  novamente  dispersa para seus donos originais. Isto foi efetuado, mas não pela concentração de suas vontades sobre o pássaro em  si, mas sobre os pequenos pássaros ali parados, insensíveis e inconscientes.

Este é o porquê  de não terem absorvido toda a aura deles. Ou uma das razões. Outra era que não teria sido  bom para os pássaros se fossem privados de suas auras totalmente. Era, portanto, em cima  da aura remanescente deixada neles que as crianças agora operavam e, através dela, 387 – A VIDA ALÉM DO VÉU  extraíam da nuvem composta, para cada pássaro, sua própria aura. Foi mais fácil deste  modo, do que se tivessem assumido operar diretamente sobre a nuvem e separar as auras  ali misturadas.

E este foi o problema proposto a eles; e o método pelo qual chegaram a uma  solução dele. 388 – Reverendo G. VALE OWEN VIII JOGOS QUE AS CRIANÇAS JOGAM  Quinta, 29 de janeiro de 1920. Estou pensativo em contar­lhe mais, meu filho, sobre a vida destas jovens pessoas  deixadas aqui no Eterno Presente de Nosso Pai. Servirá para o conhecimento dos que lerem  estes escritos, e também para confortá­los. Destes dois fatores verdadeiramente há pouca  coisa armazenada entre vocês.

Pela mesma lembrança, além disso, eu bem sei que o que  tenho a dizer­lhe será recebido, do seu lado do Véu, por cada um, de acordo com seu  degrau de evolução espiritual, e de acordo com o conhecimento pessoal de pessoas muito  boas, e que não é muito grande. Mas o tempos estão chegados, e não muito adiante as  pessoas olharão para trás emaravilhar­se­ão com dois aspectos desta geração. Um  deles  é  o  tremendo  acesso  à  força  motriz  por  trás  desta  fase  atual  da  evolução do mundo. O outro é a ponderabilidade das naturezas daqueles que não eram  capazes  de  aceitarem  o  movimento  progressivo,  ou  de  estimá­lo  em  sua  verdadeira  avaliação. Isto, entretanto, não pareceria estranho demais pois, apesar do Véu ser tênue,  ainda está pendurado no lugar onde o materialismo o pôs, desde os velhos tempos; e a luz  26  do Santuário de Sheckinah  somente pode brilhar obscuramente, como ainda o faz, ainda.

Não é, entretanto, e eu devo deixar isto conhecido, para a atual geração somente  que estou dando voz às minhas mensagens, mas para os que seguirão você e que agora  estão começando escalar as encostas da Montanha de Deus, no topo da qual Eles estão, e  nos chamam, nós os que estamos no meio, que devemos expor suas inspirações, nós mesmos  que estamos mais próximos de vocês que Eles, porque suas luzes eclodiriam e suas vozes  fariam a terra tremer, e o terror espalhar­se­ia no meio da humanidade em razão da  enorme beleza e poder na santidade d’Eles que clamam. Portanto vou contar­lhe tão bem quanto possa e tão completo quanto for capaz, e  deixo  para as suas crianças, talvez, para entenderem mais profundamente o que pode  parecer estranho a vocês nestes tempos atuais. E também isso, mesmo que eles, lendo  minhas palavras,  as  rejeitem  como  insensatas  ou  vãs,  mesmo  assim,  tendo  sido  lidas,  servirão  neles  como  base  de  avanço  quando  chegarem  aqui,  conosco. Apesar  de  que  primeiramente deverão reconhecer que havia loucura em tudo, mas não em nós, mas neles,  naquilo que não acreditaram, e naquele dia verão o que é verdadeiro. Vou contar, em primeiro lugar, algumas das brincadeiras de que estes Espíritos  jovens participam.

Uma é aquela que eles se agrupam em diferentes partes do Jardim de Recreio. Um  deles fica em cima da Fonte, na borda onde o desenho termina numa árvore. Ele chama um  dos companheiros, ordenando a ele certa posição na Fonte. O que foi chamado fecha os  olhos e se eleva, pelo que vocês chamam de processo de levitação, e flutua até sua posição. Um após outro é chamado até que cada um esteja em sua posição.

Então o outro desce ao  26  Shekinah: palavra hebraica para Habilitação ou Presença de Deus; (muitas vezes usada no lugar  da palavra Deus). No conhecimento judaico, vinha do fato que Ele “habitou” ou “descansou” entre  seu povo–Nota da tradutora. 389 – A VIDA ALÉM DO VÉU  solo, e os chama de volta, e eles têm que descer da mesma maneira, olhos fechados, no  mesmo  local  de  onde  saíram  no  começo  do  jogo. Se  você  seguir  este  jogo  em  sua  imaginação, e pensar nos erros que são passíveis de serem cometidos, você verá quanta  farra estes alegres jovens fazem com ele. Outro jogo é aquele em que alguém fica em pé no meio de duas filas de jogadores,  afastadas umas dez jardas uma da outra. Ele deve segurar um bastão na mão, sobre o qual  uma grande bola de opala balançará em sua ponta.

As duas filas em oposição desejam que  a bola aproxime­se ou que se afaste. O que segura o bastão deve mover o bastão para a  direita ou para a esquerda para mantê­la balançando. Um truque é que uma fila deve, com  os olhos, sinalizar para a outra, e então uma empurra e a outra puxa com rapidez. Se o  segurador for pego de surpresa, a bola perde seu balanço e flutua para o solo. Então, ele é  penalizado em sua posição e sai do jogo.

Isto continua até que somente três restem, e então  dois, e estes serão proclamados parceiros na vitória. Outro jogo é este. Um quadrado é formado e para o centro vai um dos jogadores. Eles preferem que este seja uma das crianças menores, porque são mais espontâneas em  seus gritos de alegria, enquanto que os mais velhos, entendendo melhor o processo, sendo  mais estudiosos do tema, anotam cada efeito e vão julgando a força requerida para algum  movimento em especial, e a direção de seu foco, e assim por diante. Os pequenos apenas  aceitam a alegria e gritam de deleite.

Assim, os jogadores estando colocados, começam as operações. Direi a você, do  jogo, da forma como eu o vi na última vez que brincaram. A criança do centro era uma  menininha. As  crianças  mais  velhas  puseram  suas  vontades  a  trabalhar,  e  eu  a  vi  lentamente  elevar­se  do  chão. Numa  altura  de  aproximadamente  vinte  pés,  ela  gradualmente assumiu uma posição horizontal.

Este movimento continuou até pusesse os  pés  no  lugar  mais  alto,  e  então  completasse  o  círculo  e  ficasse  na  posição  normal  novamente. Ela  gostou  muito,  e  quando  começou  o  movimento  circular  ela  ria  feliz  e  gritava  alto,  enquanto  os  membros  mais  jovens  entre  os  operadores  batiam  palmas  e  davam risada de felicidade. Em seguida deixaram­na direita, parada alto no ar. Então dobraram seus joelhos,  até que ela sentou num trono invisível, mas no ar lá em cima, e inclinava­se de um lado  para outro, como se fosse alguma rainha­nenê e seus vassalos. Então, nesta posição, obedecendo às vontades dos de baixo, eu a vi planar através  do ar e ir além dos confins do Jardim e, olhando para lá, eu a vi pousada na copa de uma  árvore  enorme.

Bem  em  cima  do  topo  da  plataforma  de  folhagem  ela  ficou,  braços  esticados para os lados, rindo feliz. Pois então este é outro de seus jogos, e tem muitas possibilidades, como vê. E  todos estes jogos têm um motivo principal de educação. Os menores são ajudados desta  forma em seu desenvolvimento, pela associação com os meninos e meninas mais velhos em  sua manipulação das forças naturais que impulsionam a serviço desta forma. E os garotos  e garotas mais velhos acuram suas faculdades por exercícios como estes, que suplementam  seus estudos mais sérios.

Estes jogos são jogos verdadeiros e são jogados pelo prazer deles,  primariamente. Somente secundariamente o aspecto científico entra. Terça, 3 de fevereiro de 1920. Jogos como estes que lhe descrevi são do tipo simples, apesar de não destituídos  de  instrução  intrínseca. Pois  é  este  o  nosso  jeito  de  ser  aqui.

Sem  dúvida,  todo  nosso  trabalho, exceto o que nos leva às esferas de trevas e angústia, é assim, mesclado com a  alegria de viver e o prazer da ação que não é, em essência, diferente dos jogos que as  crianças brincam. 390 – Reverendo G. VALE OWEN  Não obstante, alguns jogos têm mais do elemento de esporte, e outros mais do  elemento de ciência, e alguns também misturam com estes dois fatores o da devoção. O que  tenho a contar­lhe em seguida é sobre esta última espécie e, sem dúvida, não sei muito bem  por qual nome devo chamá­lo. Mas eu nomeei os outros jogos, e você pode transcrever este  item se assim desejar, não importa, portanto tome minhas ideias como eu as mando a você. Este passatempo ou jogo é para os mais velhos que são mais evoluídos na mesma  ciência da qual estive falando, a ciência da criação.

Saiba você, meu filho, que a criação  não  é,  primordialmente,  de  natureza  concreta  como  se  manifesta  na  matéria. Indubitavelmente  muita  atividade  criadora  nunca  emerge  para  o  material,  e  é  verdadeiramente  criadora,  apesar  de  tudo. E  toda  a  criação,  como  você  rapidamente  entenderá, se encontra sua ultimação na matéria ou não, mas, em seus princípios, é ideal;  isto quer dizer, é somente de conteúdo espiritual, e somente quando ela progride para  frente, ela se torna formulada em formato concreto. As crianças mais velhas, entretanto, são acostumadas a serem agrupadas de vez  em quando em algum lugar escolhido. Elas aqui conversam, transformando suas belezas  mentais em amor.

Assim elas se tornam mais unidas nos propósitos e nos focos de suas  energizações. Quando isso é atingido, então silenciosamente são postas a trabalhar. Contarei a você de uma destas ocasiões em que estive presente, como algumas  vezes é de hábito de um Diretor de uma esfera mais alta. A paisagem era de um vale onde colinas, cobertas de arvoredos e com clareiras,  aqui e ali ao longo das trilhas, que formavam um recanto agradável e impediam a visão  mais distante dos que estavam ali reunidos. Na parte mais alta surgia um córrego entre  dois altos cumes de rochas com variadas cores, e descia para o vale com muita música e  nuvens de gotículas que brilhavam como joias.

Quando o grupo de uns trinta estava sintonizado, reclinaram­se à vontade sob  27  um círculo formado de árvores floridas no vale, e então o Diretor  falou a eles numa  maneira muito suave, para que qualquer distúrbio não encontrasse lugar num exercício  como esse. Ele disse, “Deixem a paz estar em vocês, minhas crianças ­ assim ­ assim ­ assim. Paz e silêncio, silêncio  e  amor. Agora  deixem que  seus pensamentos aspirem por estes  reinos, minhas crianças, nos quais vocês penetram agora e que são reinos de paz, e nada de  desassossego ali é encontrado. Bem”.

Ele deu uma pausa e somou a potência do silêncio desejado por ele à deles por  instantes. E então olhou para cada um deles, sem pressa, mas observando­os com muito  prazer, até que os avaliou um por um. Agora voltou seu olhar para uma moça que não  estava reclinada como a maioria de suas companheiras jovens e maduras, mas estava  ajoelhada, sentando em cima de seus calcanhares, mãos espalmadas nas pernas, acima dos  joelhos. Seus olhos estavam extasiados olhando para cima, nada vendo do vale, mas o foco  estava ajustado para grandes distâncias, para se dizer assim. Bem, o Diretor, falando baixinho e vagarosamente para não quebrar a magia,  disse ao menino, chamando­o pelo nome, “Raul, meu filho, diga­nos agora, qual é a sua  visão, a região onde está localizada”.

E  o  menino respondeu­lhe, vagaroso e silente como ele, “Sobre uma rocha de  pedrapúrpura, plana em seu topo, e solitária, da altura de cinquenta homens, vejo alguém. É um homem. Sua roupa é azul até a metade dele, e sombreada de verde e âmbar até seus  joelhos. Seu cinto é escarlate e branco, entremeados. A joia de seus ombros é um rubi no  esquerdo e uma safira no direito.

Sua coroa não é vista bem em cima de sua cabeça. Está  ligeiramente pairada acima de sua cabeça. Ela tem estrelas que juntam suas cintilações e  fazem uma outra coroa consecutiva, uma peça circular, e elas são de matiz dourado e  27  O Diretor é o próprio Arnel, como veremos mais adiante. 391 – A VIDA ALÉM DO VÉU  verde alternados, de maior brilho do lado direito. Por sinais como esses, e pelo último sinal  da coroa principalmente, sei que ele é de um estado de hierarquia elevada. Quem é ele e seu  propósito aqui, eu não sei.

Penso que a posição onde ele está olhando tudo do topo da  rocha em atenção firme, fica perto da segunda esfera acima de nós, ou na fronteira mais  28  adiantada da esfera próxima da nossa”. “É  assim  que  também o vejo”, disse o Diretor, “exceto que com ele vejo  uma  criança em seu ombro. Também eles olham para cá, mas passam por nós, para as esferas  entre esta sua e a terra. Eles são Israel e o Cristo Criança, Raul. Como você os viu no bosque  na época de Natal, eles estavam condicionados para esta Esfera Sete e menos sublimes em  sua aparição.

Você os vê agora com a glória com que podem se revestir na Esfera Nove. Você contou a distância certa até ali. Mas você não viu a Criança, Cujo corpo e roupagem  são mais sublimados que os de Israel.”  “Eu vi o brilho d’Ele, meu senhor”, respondeu o menino, “mas não Sua forma, e  pensei que fosse apenas irradiação das estrelas da coroa de Israel”. “Bem”,  respondeu  o  Diretor. “Bem,  meu  filho,  lá  estão,  a  Criança  e  Israel.  pediremos bênçãos a eles, ambos, e para a Criança, prestaremos homenagem.

Assim os  deixamos ali. Para o propósito que temos pela frente, eles são muito evoluídos, meu Raul. Vamos ouvir o que uma moça pode ver em outras esferas que não seja esta de vocês. Você  foi muito bem, Raul, e está fazendo bastante progresso. Sem dúvida, sua visão ampliouseus  limites;  você  alcançou  ver  coisas  grandes  demais  para  serem  usadas  em  nossa  atual  aventura.

Deus esteja com você, meu filho. E agora, escolhamos a moça que deverá nos  contar o que vê. Venha, Raul; fique comigo, meu menino, e ajude­me nesta escolha. Você as  conhece como colegas, e eu como alunas. Assim misturaremos nosso conhecimento, e talvez  cheguemos a uma combinação de tipo mais prático do que apenas a minha”.

Quarta, 4 de fevereiro de 1920. No meio do vale, havia uma pequena piscina onde um afluente do rio parava para  ponderar, e então continuar, seu caminho mais caudaloso em direção ao mar. Aqui havia  uma casa rústica, construída em pedra, e ali também havia uma mocinha de treze verões –  falo  da  contagem da terra, e não na nossa – que tinha ali se acomodado. Ela estava  afastada, mãos cruzadas em seu colo, e assim, à vontade, absorvia a beleza da cena que viu  além das fronteiras de sua própria esfera. Raul apontou para ela e murmurou, “Senhor, aquela garota está mais relaxada  que algumas de suas companheiras.

Deveríamos perguntar a ela que maravilha abriu­se  para ela, para que esteja tão extasiada?”  “Vá  você  até  ela,  Raul”,  disse  o  Diretor,  “e  chame­a  à  atenção. Pode  ser  que  prontamente  ela  venha  nos  trazer  de  sua  sabedoria  simples,  Raul. Você  está  mais  sintonizado com ela por causa das idades que eu”. O  garoto  sorriu  pela  genial  brincadeira,  e  andando  macio  aproximou­se  da  garota. Pôs a mão em sua testa mas não falou em voz alta, apenas pelas mentes.

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