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Capítulo 85 de 87

Parte 85 de 87

A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro

Havia  um número deles reunido embaixo das árvores perto da água que caía numa bacia e à  esquerda dela. Diante deles ficou metade do grupo, que estavam num exercício de canto. Aqui e ali, no hall, havia pequenos grupos em conversa ocasional ouvindo a música do  coral. Perto da entrada principal estava James. Ele estava conversando com Claire e seu  irmão, de quem já lhe falei.

Ali entrou um jovem homem que era um dos que guardavam a  porta da frente. James viu que ele estava observando os vários grupos, e soube que ele  estava procurando por Shonar. E a ele disse, “Meu irmão, nosso senhor Shonar está um  pouco ocupado lá adiante da fonte. O que está acontecendo, permite que eu vá em sua  ajuda?”  “Se vier comigo lá fora, o senhor mesmo avaliará, senhor”, disse o jovem. Então  seguiram para a porta exterior da Casa.

Ali James teve uma estranha visão. Havia um  grande grupo de pessoas que se estendia na frente e nas laterais na escuridão, e pareciam  cansados. Vieram de uma longa e extenuante jornada, e suas roupas estavam cobertas de  poeira e muito rotas, e seus corpos esquálidos e ofegantes. À frente deles, e no local iluminado diante do portão, estava o Ferreiro. Era uma  pessoa que dava dó de se ver.

Todo o seu brilho pessoal, que tinha quando começou a  liderar estas pessoas até aqui, foi absorvido por eles, já que suas forças não era suficientes  para atendê­los na longa peregrinação através do deserto. Então ele lhes dava de sua  própria força, de vez em quando. E agora ele aqui estava, exaurido e exausto, mas com sua  carga pesada bravamente conduzida, trazida a salvo ao seu destino. Ele não falou, e parecia meio apagado em entorpecimento. E por um pequeno  intervalo James também ficou no portão em silêncio, olhando para ele e para os atrás dele.

Em enquanto olhava, entendia, e seus olhos marejaram com lágrimas de pena, nascidas em  suas memórias de quando também sofreu desta forma por outros, e talvez ainda o faria  novamente. Meu filho, há alguns impulsos do espírito Cristão nestas paragens áridas, e de  uma índole tão pouco provável, que algumas vezes nos fazem parar por suas virtudes  insuspeitas. Finalmente James moveu­se. Foi em direção a eles, tomou seu atormentado líder  pelas  mãos,  e  levou­o gentilmente  para  dentro do portão. Aqui,  sendo as condições de  valores mais elevados, o Ferreiro sentiu uma emoção súbita e saiu com alguma pressa,  tendo sido pego de surpresa por ela.

Isso o fez acordar de seu entorpecimento, e olhou em  volta, questionando com seus olhos o que sua língua não poderia pôr em palavras. Então James disse, “Está bem, meu irmão, está tudo bem. Você não deve ter mais 460 – Reverendo G. VALE OWEN  medo deste grande brilho, nunca mais. Você progrediu mais do que pensa.

Venha agora  para dentro, e entregarei estas suas companhias ao encargo de trabalhadores deste lugar. Eles farão tudo certo. E você, quando estiver descansado, vou levá­lo ao nosso bondoso pai  Shonar”. Então ele levou o homem ao longo do Corredor, lentamente, parando de quando  em quando. E enquanto seguiam, o Ferreiro cresceu ainda mais  em seu corpo,  e  sua  roupagem perdeu seu aspecto sombrio e tornou­se mais decente.

Quando eles chegaram na entrada do grande Hall, pararam. Shonar estava vindo  em sua direção, tendo entrado por uma porta no muro mais distante, atrás da cortina de  águas. Ele deu um forte aperto de mão no Ferreiro e disse, “Você é bem­vindo aqui, meu  bom tenente. Entre e descanse, porque o que tenho para lhe contar vai agradá­lo. Foram imediatamente para dentro do Hall e sentaram­se num canapé à direita  de sua entrada.

Então o recém­chegado disse, “Eu lhe agradeço, meu senhor Shonar, por  sua  grande  paciência  comigo. Este  jovem  cavaleiro  aqui  disse­me  que  meus  pobres  andarilhos seriam muito bem cuidados. Isto está bem, com certeza. Por isso, se me permite,  descansarei por um tempo, como me deram a licença de fazê­lo, e então retornarei ao meu  trabalho novamente”. “Ferreiro”, disse Shonar, “você, por muito trabalho, já alcançou avanços.

Temos  aqui trabalhadores que se encarregarão dos assuntos dos quais você se encarregou até  aqui. Eles farão de sua casa lá, o ponto de partida, e você estará em outros trabalhos, em  lugares mais brilhantes, como é de seu galardão”. Mas ele respondeu, “Não, apenas continuarei... continuarei...“ e parou. Havia visto  quatro pessoas que estavam conversando ali perto do meio da sala. Eles eram os que  tinham ido até lá com James.

“Então o senhor conhece estes quatro?”, perguntou Shonar; e ele respondeu. “Os dois jovens têm o semblante de meus dois filhos. Mas de filhas eu apenas tive  uma. Mesmo assim, aquelas duas são certamente irmãs, porque são rostos de irmãs. Não  consigo resolver este enigma, senhor, mas estou espantado”.

“E contudo uma tem mais idade que a outra, Ferreiro”. “Não, apenas alguns anos de diferença entre elas”. “Meu amigo, você gastou seu tempo até aqui em regiões onde a juventude é  raramente vista. Estes quatro vieram para cá para uma visita, vindos de uma esfera onde a  infância  salta  para  a  juventude,  e  a  velhice  toma  a  mesma  condição. Pais  e  filhos  preservam seu parentesco, e também encontram expressão exterior.

Mas nenhum diz que  aquele é idoso ou o outro é jovem, da forma como a idade é contada na terra”. O Ferreiro olhou intensamente para o grupo e então lentamente levantou­se e,  voltando­se para Shonar disse, “Tenho sua permissão, meu bom Senhor?”  Shonar anuiu, sorrindo, e o homem foi em sua direção. A garota saltitou em sua  direção e enlaçou seu pescoço com seus braços. Então vieram os dois meninos, e cada um  tomou uma de suas mãos e, levando aos lábios, seguraram­na longa e carinhosamente. Então afastaram­se, e a outra mulher veio até lá.

Havia lágrimas de alegria nos olhos dos  dois, quando tocaram peito a peito e ficaram ali, contentes assim por encontrarem­se e  cumprimentarem­se depois de tantos anos. Quantosanos fazia, Arnel, que haviam se separado? Não posso dar­lhe a contagem exata dos anos, meu filho. Eu diria que havia  sessenta ou setenta anos que a morte havia chegado entre eles. Então ficaram juntos, e o Ferreiro sentou­se com sua esposa em um dos bancos ao  longo da parede, e as três crianças ficaram diante deles.

Por  um  tempo  conversaram  seriamente,  e  então  o  homem  levantou­se,  e 461 – A VIDA ALÉM DO VÉU  abraçando a cada um, beijou­os e, com um aceno de mão e um sorriso, veio até onde  Shonar estava conversando com outros, perto das águas. Ele viu o Ferreiro e convidou­o a  juntar­se a eles. O homem então disse, “E agora, meu senhor Shonar, devo agradecer­lhe  por sua grande bondade comigo, e também com estes meus queridos. E também agradeço  ao senhor, meu jovem senhor James, porque eles me contaram de sua grande generosidade  dispensada  a  eles  na  Clareira. Eu  pediria  mais  uma  graça,  bom  Shonar,  se  puder  ser  concedida  a  mim.

Seria  que,  quando  eu  vier  para  cá,  de  tempo  em  tempo,  nos  meus  trabalhos, eu pudesse encontrar estes meus queridos por um curto espaço de tempo, como  aconteceu agora. Isto me dará algum alívio em contraposição ao novo turno de trabalho”. “Meu irmão”, disse Shonar, “está ordenado que você se vá com eles agora mesmo  para a Clareira, que é seu lar. Nós recebemos palavras de autorização para que lhe fosse  dado isso”. “De quem?”  “Dos que têm observado lá das esferas superiores o seu trabalho evoluindo nesta  região”.

“Eles podiam me ver e saber das coisas que fiz e por que, e como as fiz?”  “Nas formas que eles têm que comandar, eles podem fazer tudo isso”. “Então eles também saberão, bom Shonar, por que eu voltarei para meu trabalho  lá longe, e vão me dar licença para ir.”  Shonar olhava para o homem agora, da forma que já olhara para ele uma vez. Aqui estava um homem de seu próprio calibre. Não, num mesmo momento Shonar esteve  no mesmo caso que este outro, porque ele, de sua vontade própria, permanecera nesta  região,  quando  pelo  direito  de  merecimento  verdadeiro,  ele  poderia  ter  encontrado  trabalho a fazer numa esfera distante no Eterno Presente, nas alturas. “Deus lhe dá, meu irmão”, foi tudo o que poderia falar e, apertando seus braços  nos ombros de seu companheiro, andou com ele até o Hall e ao longo do Corredor ao  portão, e desejou­lhe as bênçãos de Deus para a sua jornada.

Então voltou e, olhando para os quatro, ele disse, “Boa mãe, leve estas crianças  com você para a Clareira, e diga­lhes quão felizes são por serem filhos de seu pai. Há um  lugar para você e as boas vindas aqui, sempre que quiser vir para cá. E ele virá encontrá­  los aqui, para descansar entre seus trabalhos.”  Quarta, 5 de janeiro de 1921  O Forte ficava diante de um campo aberto. À esquerda de quem se aproxima, ele  desce, e a Casa tinha continuidade num muro alto que se estendia para a colina até atrás. À  direita, a fachada era contínua, num muro de trezentos passos.

Este muro não era tão alto  como o prédio. Ele então descia até atrás, como o prédio também o fazia em seu lado  esquerdo, em ângulos retos, e dava continuidade na colina, um pouco afastado da parte de  trás. Desta forma temos uma área de forma retangular, com a Casa em si formando um dos  cantos. O restante era de jardins, o que era de muita ajuda para os que foram recolhidos ali  porque tinham progredido, até queaguentassemo ambiente mais brilhante dos jardins. Esta  terra  próxima  ao  Forte  era  condicionada  à  Esfera  Dois,  e  adiante,  em  direção à colina, à Esfera Três, e então à Esfera Quatro.

Por isso era possível, dentro de  seus domínios, ir aclimatando os residentes gradualmente, até que alcançassem o estágio  de evolução de quando fossem mandados para adiante. Alguns foram para a Esfera Dois. Mas frequentemente julgavam que seria melhor, em vários casos, prolongar o tratamento  para  que  outros  pudessem  ir  direto,  ou  com  pequenos  intervalos,  nas  Esferas  intervenientes, para a Esfera Quatro, outros para a Esfera Três. Não há regras férreas. Cada caso é tratado de acordo com seus méritos peculiares e constituintes. 462 – Reverendo G.

VALE OWEN  Estendendo­se desde a parede traseira do edifício, do lado de dentro dos muros,  há uma série de arcos. Ela tem uma calçada e, no meio desta calçada, um canal. Esta  estrutura segue direto para as montanhas. É aqui onde os que estão quase partindo para a  Esfera Quatro são condicionados para o ambiente mais rarefeito que lá existe. Pois quando  se alcança esta rua, as condições são como as que existem naquela Esfera.

Este também é o  canal pelo qual a água é trazida das montanhas para o grande Hall. Ele alimenta a queda  d’água da qual já lhe falei. O  Ferreiro  fez  várias  visitas  ao  Forte,  sempre  ligadas  ao  seu  trabalho  de  recolhimento de almas. Ele vinha até aqui, despachava seu encargo para Shonar ou então,  se ele estivesse ausente, para um ou outro de seus auxiliares. Ficava apenas um pouco de  tempo no local e, nestas ocasiões, sua mulher, ou os filhos, ou todos eles, vinham encontrá­  lo ali para alegrar­lhe o coração.

Mais  tarde,  de  acordo  com  seu  progresso,  ele  capacitou­se  a  ir  com  eles  em  passeios em torno das regiões da montanha. Ele se deliciava e descansava nestes jardins. Voltava depois ao seu trabalho novamente, nas regiões inferiores onde estava sua casa. Ele  era uma grande alma que havia se extraviado, como ele disse. E ele e Shonar encontraram  muitaafinidade um com o outro.

Tornaram­se muito bons amigos. Uma vez, o homem jovem Habdi estava andando nestes jardins, como os mais  brilhantes costumavam fazer, para que pudessem ajudar os que precisassem da ajuda  através de um conselho. Ele estava andando devagar, com a cabeça abaixada, ao longo de  uma trilha que tinha uma cerca viva verde e dourada nos dois lados. Ali, chegou a ele uma  voz de alguém chamando­o, que dizia, “Bom jovem senhor, poderia olhar o meu trabalho? Estou me esforçando nele, mas o trabalho que manuseio não está bom.

Este trabalho é  novo para mim.”  Habdi procurou e viu que aquele que  lhe falara estava podando a cerca viva no  lado direito do caminho em que ele estava. Aqui havia uma encruzilhada de caminhos, e ele  estava  trabalhando  em  uma  das  quatro  esquinas. Ele  imediatamente  reconheceu  este  podador de cercas como sendo um dos ajudaram o Ferreiro em uma de suas visitas para  conduzir seus recolhidos ao portão. Era do grupo que o amarrara, e este trabalhador era o  homem que soltara suas amarras enquanto ele estava no abrigo. Então Habdi respondeu a ele, “Apesar disso, esta esquina envergonha as outras  três.

Isto dá muito crédito ao seu senso artístico, meu irmão.”  “Sim,  senso  artístico  eu  tenho,  ou  um  dia  tive...  ou  um  dia  tive. Agora,  jovem  senhor, esta sua frase leva­me a mais um dos meus problemas que devo resolver, antes de  tantos outros. Este é um lugar estranho, estranho lugar passageiro, difícil de se entender. E,  verdadeiramente,  talvez  também  nós  sejamos  estranhamente  educados  e  difíceis  de  compreender.”  “Qual é a sua dúvida?”  “Na vida da terra eu era escritor, e dos que era notado por dar forma excêntrica  às palavras e frases. Mais ainda, meus amigos diziam que eu tinha alguma inclinação às  qualidades das artes, tanto pictórica quanto plástica.

Boa inclinação, resumindo. E aqui  estou,  nem escritor,  nem  homem mortal tampouco, e duvido que nestas esferas minha  inclinação às artes conte muito. Mas, realmente sinto dentro de mim que a razão pela qual  eu tenha gostado tanto de aparar esta cerca seja por causa do mesmo senso artístico do  qual acabou de falar. Muito estranho, eu diria. E o que me diz, meu jovem senhor?”  “Você deve saber, Doutor,” – já que assim eles, seus companheiros, haviam­no  catalogado com um nome – “todos estes tratos que são manifestados na vida terrena são  simplesmente a manifestação externa de um conteúdo mais profundo da alma.

Este senso  de proporções corretas, como você diria, podem encontrar respaldo em um homem através  da arte da música, em outro pela pintura, em outros pela escultura, ou literatura, ou  desenho de roupas, ou em outras muitas maneiras. Mas o traço é incidente em todos, e 463 – A VIDA ALÉM DO VÉU  encontra  expressões  tão  variadas  por  causa  dos  outros  traços  que  possuem,  ou  oportunidades alcançadas, ou outros fatores diversos. O esforço que você mostrou na poda  é o que uma vez você expressou em letras. Em outras ocasiões, Doutor, expressou­se de  outra forma.”  Habdi parou, e o Doutor esperou, e então disse, “Expressei­me de outra forma. Agora vou parar de segui­lo, bom jovem senhor.

Não posso lembrar­me das coisas muito  acuradamente ainda. E quando posso lembrar das coisas, não consigo vê­las de forma  clara. Meu cérebro está ainda de alguma forma tumultuado.”  “Sim, eu me lembro daquilo muito bem. Deus sabe. O êxodo da escuridão Egípcia,  com certeza.

Sim, lembro­me disso certamente.”  “Fizemo­nos companhia, sim.”  “Mas ainda não somos companheiros. Não, esse é o ponto. Ouvi falar sobre os  acontecimentos pelos quais você foi levado a ajuntar­se àquela pobre multidão. Mas você  sempre esteve  apartado deles, não foi?”  “Eles foram bondosos comigo, na rudeza deles e nas maneiras desajeitadas. Mas  eu, não, eu não era capaz de me juntar a eles como camarada.”  “Por quê?”  “Bem, quase não posso considerar isso justo, senhor.

Penso que se me pusesse  naquela maneira de viver e também na maneira de pensar, não haveria correspondência  de minha parte.”  “Aí fala o escritor das palavras e das frases,” disse Habdi, e sorriu ao outro: “esta  dádiva também tem vida nela. Mas por que não dizer a palavra “inclinação” e colocá­la  num período?”  “Inclinação, sim, é isso, inclinação.”  “Bem. E foi a mesma inclinação que o levou a ajudar o Ferreiro.”  Ele  viu  o  olhar  de assombro  na  face  do  outro  e  continuou,  “Meu  amigo,  esta  inclinação, ou senso de proporção, como você pode preferir chamar, tem uma ligação bem  longa que se estende de seu exterior até o meio de seu coração. Lá nasceu. Pense bem nisto,  e sinto que concordará comigo.”  O que Habdi queria dizer era que a grande incongruência de amarrar daquela  forma o libertador da sua escravidão tinha tocado em seu senso inato do que era certo, e  colocou nele um sentimento de vergonha e de irritação por causa da irracionalidade de  todo o acontecido.

Desta forma ele foi levado a tomar a atitude que tomou. Mas não  explicou mais nada, quando viu que seria melhor deixar o Doutor sair da confusão por si  só. O que ele realmente disse foi, “Mas quero elogiá­lo, meu irmão, pelo seu progresso desde  que adentrou por estas paredes.”  “Pouca coisa, penso, meu jovem senhor; e penso que também tenho que agradecer  seus bons amigos e meu senhor Shonar por tanta generosidade.”  “E a Outro também, meu irmão.”  “E quem seria?”  “Você  acabou  de  falar  d’Ele,  Doutor. Disse  que  Ele  sabia  da  luta  mental  e  espiritual que tem travado desde que chegou aqui. Não só pronunciou isso, mas o que disse  implica em tudo isso, e mais também.”  “Bem, veja como minha memória está sempre pregando peças, pois não tendo  ninguém assim em minha mente sobre quem tenha falado ao senhor desde que começamos  a conversar.”  “Então devo ajudá­lo.

VocêO  chamou pelo nome de ‘Deus’.”  O outro retomou, ruborizado, e disse algo veementemente, “Nunca, desde que  havia deixado a vida na terra, havia chamado este Nome, meu jovem senhor. Na terra usei  este Nome, nem sempre com a reverência devida. Aqui não mais me aventurei a prosseguir  com isso.” 464 – Reverendo G. VALE OWEN  “Você disse, ‘Deus sabe’.”  O outro parou e olhou seriamente para os olhos de Habdi por um longo tempo,  enquanto  sua  mente  trabalhava  retrocedendo,  então  disse,  “Diga­me  senhor,  como  o  senhor é chamado?”  E ele respondeu, “Chamam­me Habdi.”  Então o outro disse uma coisa estranha, “ ‘Habdi’, sim, ouvi­o sendo chamado  desta forma... ‘Habdi’. Mas aqui falta alguma coisa que um dia deverá ser completada.

Não  sei o que possa ser, nem quem inspira estas palavras para falar ao senhor. O senhor pensa  que sejam palavras estranhas para que eu as diga, bom senhor? Que significado têm nelas,  imaginou?”  “Tenho falta do que dizer para explicar ao senhor, Doutor.”  “Não. Como no outro assunto, o senhor fala verdadeiramente, senhor, e eu peço  seu perdão. Eu estava errado.

Foi minha memória que me serviu mal. Eu realmente disse  aquele Nome; sim, e não o disse com irreverência. Eu agradeço, senhor, por chamar­me à  atenção.”  Assim partiram, com umas palavras de boa vontade de um ao outro. E enquanto  continuou  em  seu  caminho,  o  jovem  Habdi  pensou  muito  sobre  as  estranhas  voltas  e  torções que vieram a formar o caráter do homem. Depois, desde que aquela conversa  começara, ele ficou sabendo que na personalidade do Doutor, enterrado e profundamente  atolado  em  recusas,  havia  um  espírito  sensível  às  altas  influências  que  apenas  por  momentos, mesmo naquela esfera inferior onde haviam conversado, emergiam e tocavam  algum belo espírito familiar.

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