Voltar ao livro A Vida além do Véu

Capítulo 71 de 87

Parte 71 de 87

A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro

E, enquanto ele cantava, a forma daquilo que cantavaformou contornos  em suas mentes, na hora em que elas ficaram em silêncio para escutá­lo cantar. Seria  alguma coisa como estas palavras, em vocabulário humano: 380 – Reverendo G. VALE OWEN  A canção do passarinho  Não é para a sabedoria da terra que cantamos,  Pois de sabedoria tem o suficiente;  Ou, na falta dela, deixam de saber  Que a sabedoria não é nada  A menos, a menos que seja mesclada  Com o agradável silêncio de essência. “Não é para os grandes em poder mundano  Que nossa música muito oferta;  Apesar de serem parentes de tudo isso,  Diferentes valores para tudo designam;  Não podemos cantar sobre riquezas ou armas  Que são para eles seu único encantamento. Mas, quando abaixo de nossos ninhos de folhas  O trabalhador cansado se deita,  Nós aliviamos seu coração, campestre ou urbano,  E preenchemos sua alma com suave repouso,  Preenchemos sua alma com graciosa leveza,  Sussurramos a ele, abençoando­o: PAZ  “Assim ele, que busca a dominação  Pela força das armas ou do poder mundano,  Achará seu lugar solitário e duro,  Pois ninguém com ele alegremente ficará;  Assim, agarrando­se a tudo, tudo perderá,  Porque é grandioso demais.

“Tomem­me como exemplo todos vocês. Posso vibrar apenas de uma forma,  Um tema, e único, dia após dia,  Mas o que posso fazer, faço  E, tendo feito, quem poderá dizer,  Que não cumpri com minha obrigação? “E agora, boa gente, todos vocês,  Façam apenas aquilo que podem fazer bem,  Evitem o quase impossível;  E assim dando­lhes adeus,  Vou a outros enganados cumprimentar,  E assim, piu­piu, piu –piuar.  (Observação: “A canção do Passarinho” foi transmitida para o Sr Vale Owen na forma de prosa, e  foi dividida em estrofes e versos pelo Editor inglês). Quarta, 21 de janeiro de 1920  “Bem, minhas crianças, aquelas senhoritas entenderam a lição daquela canção  no fundo de seus corações, e moldaram seu método por ela. Qual foi, pensem, o curso das  atitudes delas?

Como esta colônia foi construída?”  Não vou trabalhar para lhes dar as respostas delas, meu filho. Darei apenas a  solução que foi levada adiante na fundação, apesar de que você provavelmente já tenha  chegado a ela. 381 – A VIDA ALÉM DO VÉU  Eu diria que elas primeiramente estabeleceram uma espécie simples de escola  e, conforme o necessário, foram aumentando. Bem, sim, meu filho, isto sem dúvida foi assim, como você diz, simples o suficiente. Mas, realmente se soubesse de todas os múltiplos departamentos de instrução daqui, você  se maravilharia de como o simples pode se transformar em tal complexidade. Seria algo nas linhas de evolução, como nós da terra as entendemos?

Quero  dizer, desde a célula única até, digamos, o corpo do ser humano? Quase,  quase. E  não  é  uma  má  ilustração,  se  a  entendermos  como  sendo  meramente geral e não verdadeiramente detalhada. Você vê, meu filho, sua teoria da  evolução  é  verdadeira  em  suas  linhas  principais,  mas  superficialmente  o  tema  mal  se  desenvolve. Não  falaremos  até  o  fim  neste  tema  para  que  não  saiamos  de  nossa  tese  principal.

Vou apenas relembrar que o corpo humano, se fosse composto de células iguais  umas  às  outras,  se  ele  crescesse  somente  da  forma  unicelular  inicial,  cresceria  pela  aglomeração consequente da expansão e da subdivisão. Mas se cada célula primária fosse  como  cada  uma  das  outras,  de  onde  viria  a  variedade  de  estruturas  nos  organismos  complexos e diversificados de, digamos, uma amoreira, um sapo ou um cavalo? Não, há um outro fator externo a ser levado em conta. Esta fator é externo não  em  matéria  de  lugar,  mas  de  condição. É  a  personalidade  inerente  de  Seus  Senhores  Criadores.

Este princípio de personalidade é continuamente diversificado entre os Senhores  Criadores  menores,  e  assim  por  diante,  descendo  através  da  hierarquia  de  ordens  angélicas, cada ordem manifestando uma quantidade menor em cada individualidade, até  que finalmente atinjamos a partícula unicelular de vida. Aqui a personalidade parece ter se  tornado extinta. Mas não é assim: quando comparada com a mais alta manifestação de  Deus – a do Maior dos Senhores Criadores – a personalidade dinâmica é mais externa e a  entidade,  a  célula,  é  mais  de  natureza passiva que  portadora  de iniciativa. Em  outras  palavras,  o  círculo  aqui  é  visto  na  metade  do  caminho  em  direção  à  sua  plenitude. O  processo, tendo passado através de todos os degraus, foi ultimado, na direção externa, na  simples célula.

Agora a célula deve ser tratada do outro lado do arco do círculo e lançada  de volta ao longo da Segunda metade da circunferência, não sozinha por um curso inverso  –inversoquanto a sua direção–mas também por um processo inverso. Eu não entendo isso, Arnel. Captei de forma certa? Tão certa quanto a linguagem da terrapode conter tudo isso, meu filho, penso eu. Escute intensamente, enquanto eu continuo.

Sim, estou escutando. Havia dois garotos que se sentaram para descansar nas terras montanhosas da  Suíça. Falavam da criação e do processo pelo qual ela continuava. “Evolução” era, claro, a  palavra que eles usavam. Mas eram garotos maiores, e numa idade de raciocinar em tais  temas.

Tais mentalidades maduras são frequentemente originais, e estas eram assim. Eles  cogitavam se o processo de criação e evolução poderia ser considerado em paralelo no  concreto; se por algum curso de ação deles o principal princípio pudesse ser exemplificado. Postulavam que, como Deus é Único, tudo emanando d’Ele deve, no fim, retornar a Ele  novamente. Por isso fizeram este teste no dia a dia. No primeiro dia saíram da base da montanha, escalaram seu cume e desceram  até a base do outro lado.

“É óbvio”, disseram eles, “que não há um curso verdadeiro para  direcionar o progresso das eras. Estamos num nível tão baixo quanto quando começamos,  e com umamontanha entre nós e nosso objetivo”. No  dia  seguinte  eles  foram  ao  cume,  desceram  a  montanha  e  subiram  a  montanha que estava em frente a eles no vale. Eles disseram que estariam dispostos para 382 – Reverendo G. VALE OWEN  estudar o tema aqui, pois estavam em alta altitude, e de fato um pouco mais altos que  quando começaram, já que o cume estava mais alto que os dois.

Também tinham uma  visão clara  de todo o caminho de cume a cume. Mas não retornaram ao ponto de partida –  haviaum oceano de atmosfera no meio. Quando escalaram na manhã seguinte, a filha do estalajadeiro estava fazendo  bolhas de sabão. Eles observavam o crescimento de uma grande e linda bolha e, conforme  ela crescia, as veias coloridas eram vistas num movimento circular no globo. Disse um ao outro, “Aquiestá nossa solução do problema”.

O outro disse, “Menininha, o que é que há dentro desta bolha?”  E a criança respondeu, “Quando faço minhas bolhas, senhor, sempre penso que  cada uma é o céu”. “Mas se essa bolha é o céu, pense, então onde está Deus?”  “Dentro”, disse a garotinha. “Mas esta bolha, pense, grande o suficiente para conter Deus?”  “Não”, disse a garota. “Você vê, é o porquê de sempre estar cada vez maior, maior. Olhe!”  Ela fez um esforço poderoso e a bolha expandiu ainda mais e–estourou.

“Agora”,  disse  o  menino,  “sua  linda  bolha,  com  todos  os  seus  continentes  e  oceanos e árvores nela, tornou­se nada. Quando você a inflou mais, você viu, ela estourou”. “Sim; mas Deus não”, respondeu a pequenina. Quinta, 22 de janeiro de 1920. E qual é o significado de sua parábola, Arnel?

Como ela se encaixa na fundação  daquele Colégio? Não, meu filho, prefiro que você dê a interpretação. É o porquê de eu lhe dar estas  parábolas. Bem, parece que vagueamos um pouco, não é? Foi aquela via à evolução que fez  tudo, não acha?

Quando as mensagens são mandadas destas esferas até a sua, estamos sempre  sob esta limitação, isto é, que não podemos pensar por vocês. Fazemos os tijolos, vocês  constroemo prédio. Por este método vocês obtém mais benefício. Não obstante, desde que o  que eu tenha escrito a você esteja obscuro em seu significado, então pode estar também a  outros. Então vou dar­lhe a pedra angular e deixá­lo erigir o arco no qual deverá ser  colocada.

Quando  eu  falei  da  Escola  Secundária,  eu  tinha  em  mente,  basicamente,  a  instituição em si e não os prédios nos quais deveria ser instalada. O erro daquelas garotas  foi  o  erro  que  está  em  sua  mente:  elas  estavam  planejando  uma  enorme  planta  de  construção, e escolhendo o mais apropriado local onde erigir os prédios do Colégio. Este  erro  delas  foi  realmente  o  tema  da  canção  pela  qual  o  passarinho  as  reprovou. Elas  estavam confundindo exteriores com essenciais. A matéria aqui é muito mais plástica à ação da vontade, elas deveriam ter isto  em  mente  e  não  tinham.

O  método  delas  deveria  ter  sido  muito  mais  simples. Indubitavelmente  ao  final  chegaram  a  isso,  depois  de  muito  raciocinar. Quando  descobriram, puseram em execução rapidamente. Este  método  era  congregar  a  escola  toda,  colocá­la  na  região  escolhida,  e  começar a instruir. Os edifícios são meros acessórios.

Seriam levantados conforme surgisse  a necessidade deles, independente da evolução do conhecimento dos alunos. Tão fortes são a vida e o poder da mente aqui, que não é bom ou útil que se 383 – A VIDA ALÉM DO VÉU  construa o prédio primeiro, para depois moldar e formar os escolares naquelas proporções  e planejamento. Não, pois, como eu e outros explicamos a você, árvores e construções, e  todas as coisas aqui que correspondem ao que vocês chamam de material na terra, são  responsivas e muito sensíveis à personalidade daquelas pessoas que se aproximam delas. Também esta resposta sensível é mútua entre estas coisas e as pessoas. Estes Senhores  Criativos que planejaram e desenvolveram o caracol não adequaram o animal à sua casa,  mas em outro sentido.

Nos caracóis ou humanos é a mesma Vida Divina que é operativa,  somente qualificada diferentemente em graus de poder e métodos de expressão. Por esta lembrança, meu filho, retomo em sua mente a bolha, e por que ela  estourou, e o Quê não estourou quando a bolha cumpriu seu desastre. Isto deveria ser suficiente para a pedra angular, penso eu. Agora construa seu arco e deixe a pedra angular bem no meio, em cima – bem no  meio, meu filho, ou seu arco nem será verdadeiro, nem estável. Bem.

Eu agora estou pensando em ir a campo com você e restabelecer nossa função. Você quer dizer a missão que esteve por iniciar? Mas claro, este é o nosso objetivo, não é? Suponho que sim; mas parece que estamos em um lugar agradável naquele  jardim de Recreio. Estou gostando de lá.

Aquilo me lembra  bastante “Alice no País das  Maravilhas”. Não tem nada a me dizer a mais de lá, Arnel?  (Pausa de quase um minuto)  Devo apagar isto? Quero dizer “Alice no País das Maravilhas”. É isto que o  preocupa, Arnel? Desculpe‐me se for assim.

Não, não, meu filho. Conheço o livro e parei para relembrar a história. Já sei dela. É um livro muito bom, porque força a imaginação e treina­a. Você se surpreenderia se eu  lhe  dissesse  que,  com  poucos  detalhes  de  diferença,  nós  a  tivemos  algum  tempo  atrás  encenada algum tempo atrás.

Não, eu não assisti. Mas alguém que viu contou­me dela. Foi  um experimento relativo à mesma série de leis que lhe mencionei em relação ao prédio da  Escola Elementar, aquelas que agem entre a pessoa e seu ambiente. Resumidamente o caso foi este: Foram feitos muitos experimentos nos diferentes  elementos que fazem parte do ambiente – vegetação, vida animal e então a atmosfera. O  grupo  que  estava  na  experiência  então  buscava  o  ambiente  mais  próximo,  e  alguém  sugeriu seus próprios corpos, onde o individual, o espírito, funcionava.

Isto  era  ousado,  mas  amamos  empreendimentos  ousados  por  aqui. Bem,  a  execução  tinha  um  plano  bem  cuidadoso. Os  atores  foram selecionados  e  conduziram,  depois de algumas falhas, a elaboração de quase todo o âmbito de maravilhas naquela  narrativa. Foi meramente uma maneira pitoresca de dar uma lição objetiva para uma  grande escola infantil de poder de mente sobre  o que é exterior. Muitas das crianças  sabiam da história e ficaram extasiadas quando tudo foi visto, não num livro, mas na vida  real, com as personalidades atuando diante de seus olhos.

Quando tudo terminou, os atores revisualizaram a si próprios em seus próprias  personalidades, e gradualmente as reassumiram. Fizeram  a  representação  do  pescoço  comprido,  e  Alice  ficando  enorme  e  encolhendo até ficar pequenina? Sim, sim, estas partes foram muito fáceis. Foram os animais que trouxeram maior  dificuldade. Pararemos  por  agora,  e  penso  que  alguns  de  seus  leitores  murmurarão,  “basta”.

Ah, bem, meu filho– algum dia... 384 – Reverendo G. VALE OWEN VII COMO SÃO TREINADAS AS CRIANÇAS  Terça, 27 de janeiro de 1920. Como você me disse que quer continuar brincando naquela região agradável da  qual lhe falei por último, seguirei seu rumo, desta vez, para obsequiá­lo, pois tantas vezes  seguiu o meu. Também o faço porque, quando me coloco em suas condições, acho que há  muitos a quem os elementos mais simples de nossa vida celestial são estranhos e, para  estes, uma narrativa mais leve, como esta que acaba de terminar, é confortante e útil para  a instrução. Naquele mesmo conjunto de edificações dos quais o Hall dos Pilares é o principal,  há outros de menor magnificência, onde os estudantes recebem instruções.

Em um destes,  dedicado principalmente aos mais jovens de nossos alunos, aqueles do episódio da Fonte  foram agrupadoslogo depois de sua magnífica experiência nos reinos da ciência criadora. O Salão de Conferências era retangular, e o Pretor tomou seu lugar no meio entre  os dois arcos centrais da arcada que dá para os jardins abaixo. Era como uma secção de  uma Pérgola seria, se tivesse parede no final. Pois a arcada era aberta para os jardins, com  um terraço acompanhando pela direita e pela esquerda, além dos arcos, e descendo em  degraus toda a extensão do terraço para os jardins abaixo. Aqui, então, sentou­se a professora, e os escolares sentaram­se em grupos sobre  os divãs colocados aqui e ali, diante dela.

Ainda mais, na parede oposta a ela e nas duas  paredes menores, como acabamento, havia quadros como os que eu descrevi a você na  Pérgola. Outros estudantes mais velhos e professores sentaram­se ou ficaram aqui e ali  espalhados  pela  sala,  e  davam  sua  ajuda  fácil  e  silenciosamente  quando  viam  uma  oportunidade de serviço secundário ao da Pretora. Disse ela, em prelúdio, “Meus queridos jovens exploradores, vocês retornaram do  reino do mistério no qual foram audazes o suficiente para entrarem sem guia para lhes  mostrar  os  passos  seguros,  e  estou  novamente  aqui  para  dar­lhes  sua  lição  ordenadamente,  para  que  futuramente  estejam  armados  de  antemão  para  quaisquer  projetos que empreendam com estas leis inflexíveis que governam o Reino de Deus”. Então  ela  explanou  a  eles,  em  detalhes,  aqueles  pontos  que  já  lhe  coloquei  resumidamente. Não vou enumerá­los detalhadamente, para que não me torne prolixo  demais, mas concluirei contando­lhe da parte experimental que serviu para ajudar digerir  os diversos pratos de carnes que compunham a refeição.

Havia um grande pássaro sentado sobre um dos arcos, assim como também  outros pássaros estavam e que, de tempo em tempo, vinham dos jardins e voavam aqui e ali  sobre o Salão de Conferências. Alguns pousavam sobre o pavimento, entre as crianças, ou  sentavam­se sobre seus bancos, ou sobre seus ombros, ou ainda em seus colos. Este era  maior de todos os outros. A professora, apontando para ele, disse, “Agora que vocês podem pôr à prova o  que lhes explanei e assim colocar os princípios em prática, vou lhes passar um problema. Este grande pássaro avalia que sua dignidade seja maior que a de seus primos menores, 385 – A VIDA ALÉM DO VÉU  penso eu.

Pois ali ele se sentou durante toda a explanação, em sua solene e encantadora  pose lá no alto, enquanto estes pequeninos fizeram companhia a vocês e uns aos outros. Agora eu os deixo, em breve retornarei, quando então espero vê­lo, se não com orgulho  menos exaltado, pelo menos mais fraterno em seu comportamento. Vocês devem trazê­lo  para baixo, minhas crianças, aqui entre seus companheiros que cantaram canções alegres  e fofocaram entre vocês, como se vocês pudessem ser seus avôs ou avós, ou mesmo primos. Mas, reparem, crianças – pois este jogo tem suas regras – vocês devem fazer isto, mas sem  gritos  ou  chamados  a  ele,  nem  qualquer  incentivo  com  gestos,  mas  apenas  com  suas  vontades em concentração criadora”. E assim, com uma feliz risada de felicidade por um nó tão cego tê­los amarrado  para que se desamarrassem, ela beijou um ou outro que encontrou em seu caminho, e  passou através da Arcada para os jardins adiante.

A maioria dos alunos mais velhos saiu com ela. Eu fiquei para trás, para ver o  divertimento resultante, e assim fizeram quase a metade deles. Há mais de um método de se proceder, pelos quais aquilo pode ser feito. Não é  meu  propósito  agora  contá­los,  mas  somente  como  foi  que  estes  jovens  estudantes  desembaraçaram­se deste encargo. Você deve ter em mente que seus estudos foram, nesta  época, principalmente dirigidos para a esfera da faculdade criadora, e também que eles  estavam ainda no estágio  inicial  daquele  departamento  de  ciência.

Para  alguém  mais  adiantado, o problema não teria apresentado dificuldade maior. Mas estes impetuosos  jovens cientistas ficaram, por momentos, paralisados, por causa da qualificação proposta  pelo  problema dado pela Pretora. Eles deviam usar criativamente sua vontade. Este, e  somente este, era o ardil, já que seria fácil eles desejarem a descida daquele pássaro e  clamar por obediência. Mas aquilo não combinava com a qualidade criadora.

Vê, meu  filho? Percebe claramente este ponto, não é? Por instantes estiveram em silêncio, impotentes e desesperados. Oh! Era bonito  vê­los, aqueles queridos e doces meninos e meninas na liberdade de sua desenvoltura uns  com os outros, e tudo em envolvente amor.

E quando quebraram o silêncio, a desordem  irregular da melodia de suas vozes era, por si, um Te Deum espontâneo e inconsciente a Ele  Que, penso, delicia­Se muito com a liberdade, tão alegre como esta. Tomarei a liberdade de confessar, meu filho, que quando revi o problema por  todas as facetas, uma por uma, e todos os estágios pelos quais avançaram em seus estudos,  fiquei  muito  em  dúvida  de  seu  sucesso. Mas  pensei,  com  rigoroso  prazer,  que  minha  vingança agora estava chegando em defesa do que suportei quando falhei em resolver o  problema de seus atos na Fonte. Mas não, foi­me negado este benefício. Eles realmente  encontraram o caminho.

Não foi o método que os mais adiantadosteriam empregado. Mas  foi um bom método. Observava as condições propostas e atingiu o objetivo colocado. Disso, meu filho, falaremos amanhã. Quarta, 28 de janeiro de 1920.

Foi uma das garotas que propôs o método, que veio a ser adotado depois de  muita discussão barulhenta. As crianças fizeram um círculo de sofás que foram colocados  de forma irregular na sala. Então, cada um e todos, arrumaram­se em ordem, com as  crianças  menores  distribuídas  entre  eles,  e  dedicaram­se  a  sua  tarefa  com  a  correta  seriedade. O  primeiro  estágio  de  seus  procedimentos  era  agrupar  todos  os  passarinhos  pequenos dentro do círculo. Isto foi fácil.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.