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Capítulo 20 de 87
Parte 20 de 87
A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro
Mas se foi dito que o Todo do Pai habita n’Ele mas não em nós, eu digo que é uma opinião e nada mais, e também ilógica; porque o Pai como um Todo habita no Cristo, também o Cristo é o Pai sem distinção, e ninguém mais, ou o Pai Total habitando no Cristo deve cessar de habitar n’Ele por necessidade. Isto também não é razão. Então é necessário primeiramente que entendamos que o Pai é o Nome que damos ao mais alto aspecto de Deus que somos capazes de pensar. E ainda isto não entendemos, pois é francamente confesso que Ele está além de nosso entendimento. Não posso definir Ele a você, pois não O vi, a Quem a todos, menos a Ele mesmo, não é visível por completo.
O que vi foi uma manifestação d’Ele em Forma Presente, e isto é o mais alto que atingi até aqui. Então o Cristo em Sua Unidade com o Pai deve estar também acima de nós em nosso entendimento, como Ele está acima de nós n’Ele mesmo. Ele nos diz tanto quanto somos capazes de pensar, mas não entendemos muito bem. Ele manifestou o Pai, e tais qualidades do Supremo Sagrado quanto foi capaz de manifestar no corpo para nós. Pouco mais sabemos, a não ser crescendo em sabedoria como crescemos em humildade e amor reverente.
Como Ele é Uno com o Pai, assim somos Unos com Ele. E habitamos no Pai por nossa habitação n’Ele Que está mesclando o que chamamos de Humano e Divino. O Pai é maior que Ele, como Ele mesmo disse uma vez. Mas o quanto maior, Ele não disse, e não poderíamos ter entendido o que Ele nos dissesse. Pode ser dito pelos que lerem isto que eu cortei o andaime e não deixei a construção dentro.
Meu propósito, amigo, eu coloquei no início. Não foi agora erguer um prédio, mas apontar que a primeira coisa a construir é certamente a fundação; e que qualquer estrutura construída numa fundação que não esteja firme, deverá cair agora ou depois, e será muito trabalho em vão. E isto na verdade os homens têm feito mais do que percebem; e é o porquê de tanta coisa estar em névoa quando deveria ser plena para a visão. Não total, claro, mas o suficiente para fazer a estrada mais brilhante do que é. Eu falo, não tanto para instruir nesta presente comunicação, mas para dar aos homens uma pausa.
Porque raciocinar pode ser fascinante para certas mentes, mas não é esperado de um soldado. É persuasivo com sua perfeita lógica e argumentos bem balanceados, mas não é durável para suportar os usos e costumes de todos os elementos das esferas. Não é tão sábio afirmar sempre, como se diz, “Eu não sei isto, ainda.” Orgulho frequentemente cega as pessoas para a beleza de uma mente humilde; e não é verdade que aquele que responde questões profundas seja uma fonte de sabedoria; e a segurança está certas vezes próxima à arrogância, e de modo algum a arrogância é verdade ou amor. Você e eu, meu amigo e tutelado, somos Um n’Aquele Cuja Vida é nossa garantia de Vida contínua. N’Ele nos encontramos e abençoamos cada um, como eu o abençoo agora, e agradeçoo pelos seus pensamentos gentis em direção a mim. + Quarta, 19 de novembro de 1913.
E assim, meu querido amigo e tutelado, minhas palavras a você são tais que muitos não acolherão; porém saiba disto, que muitos deverão vir do leste e do oeste e sentarse na Festa do Cristo, os que mesmo sem conhecêlo com Sua Natural Divindade, amamnO por Sua bondade e amor; pois isto, ao menos, todos eles podem entender. E ninguém pode compreender o Seu outro aspecto no significado completo. E portanto vamos pensar em outras coisas, e primeiramente no relacionamento que os homens 114 – Reverendo G. VALE OWEN encarnados deveriam promover em direção a Ele, se progredirem da maneira que Ele lhes mostrou. Acima de tudo, devem amar.
Este é o primeiro mandamento de todos, e o maior. É difícil haver homens que o sigam. Todos concordam que amar uns aos outros é bom; mas quando vão traduzir o sentimento em ação, é quando infelizmente falham. E ainda, sem amor nada no universo se sustentaria, mas cairia em decadência e desintegração. É o amor de Deus que sustenta a tudo o que é; e podemos ver o amor, se procurarmos, em todos os lugares.
A melhor maneira de entender muitas coisas é contrastálas com seus opostos. O oposto do amor é a desintegração; porque vem da abstenção da prática do amor. O ódio vem também do oposto, apesar de que não da essência dele; porque o ódio de uma pessoa é frequentemente um método errado de expressar amor a outro. E o que é dito de pessoas é também verdadeiro das doutrinas e propósitos. Muitos expressam uma devoção a alguém causada pelo ódio a outro.
É estúpido e falho, mas não provém do mal. Quando um homem odeia outro, entretanto, ele está quase cessando de amar mais e mais, até que se torna um esforço de não amar nada afinal. Esta é uma das coisas que se faz com dificuldade nesta vida das esferas. Porque só quando um homem aprender a amar a todos sem odiar ninguém, será capaz de progredir nesta faixa onde o amor significa luz, e aqueles que não amam vagueiam nos lugares trevosos onde se perderam, e frequentemente se tornam tão duros de mente e coração que sua percepção da verdade é tão vaga quanto das coisas externas. Há, de outro lado, mansões aqui que cintilam em luz em todas as pedras, e emanam a radiação em direção ao país em torno até uma grande distância, por causa da alta pureza no amor daqueles que habitam nelas.
Você descreveria tal residência, e aqueles que habitam nela? Ajudaria mais do que esta descrição geral, penso eu. Não é fácil, como você saberá um dia. E se eu aceder ao seu pedido, você entenderá que o resultado não será condizente com a realidade, visto que será inadequado. Apesar disso, farei o que pede.
Qual residência em particular gostaria que eu descrevesse? Fale‐me sobre a sua própria. Na Décima Esfera há condições que não se encontram em degraus inferiores, menos ainda na sua própria esfera na terra. Se fosse possível que eu o levasse para aquela esfera, você não veria nada, porque sua condição ainda não é adequada a ela. O que você veria seria uma neblina de luz, mais ou menos intensa, de acordo com a região em que você estiver.
Nas esferas inferiores você veria mais, mas não tudo, e o que fosse capaz de ver não seria entendido em sua totalidade. Suponha que você pesque um peixe da água e o ponha num aquário e o leve através de uma cidade; pense, quanto ele primeiramente veria, e, em seguida, quanto entenderia? Penso que veria algumas polegadas em torno na circunferência de seu habitat –aágua, que é seu ambiente natural. Ponha sua face onde ele possa vêlo, e então sua mão. O que ele saberia destas coisas?
Desse jeito estaria você nestas esferas; e somente com treinamento você seria capaz de ativar e usar suas faculdades com facilidade e proveito. Além do mais, como você descreveria aos peixes, na linguagem deles, a Abadia de Westminster, ou mesmo sua própria igreja de vila? Se aquele peixe fosse fazêlo saber quão irracional você foi quando lhe descreveu, haveria a obstrução de suas próprias limitações; ou se ele lhe dissesse que não acreditou que houvesse tal lugar como a igreja ou a Abadia, que você mencionou mas não conseguiu descrever a ele, como você poderia convencêlo de que a irracionalidade foi dele, e não de sua parte? 115 – A VIDA ALÉM DO VÉU Mesmo assim, já que você desejou, vou falarlhe o que posso de minha própria residência e lar; e você provavelmente pensará que eu faria melhor parando de falar, e melhor de tudo, que eu parasse com tudo isto. O continente onde nós construímos nossas casas toca muitas esferas e, entre elas, aquelas cuja natureza irradia muitas cores de acordo com suas virtudes, e que coincidem muito com as das pessoas com quem habito. Estas cores são na maioria diferentes daquelas que você conhece, mas todas que você conhece estão aqui, e em quase infinitas combinações e matizes.
De acordo com as ocupações nas quais estejamos mentalmente engajados em qualquer tempo, a mistura das cores varia, e a atmosfera tomará aquela tonalidade. Então a casa também vibra e responde aos pensamentos e aspirações, tanto daquele que orou a nós, ou da ajuda desejada nas esferas atrás de nós, na direção de onde está o plano da terra. Música também emana de nós, não necessariamente da boca, mas mais frequentemente diretamente do coração; e isto também acontece com os prédios em torno de nós, que respondem, pois são parte de nossa energia; e também as árvores e flores e toda a vida das plantas é afetada e responde. Portanto cores e música não são meramente inanimados aqui, mas são cheios de nossas vidas, e vibram conforme nossa vontade. A casa é retangular, e contudo as paredes não são somente quatro, nem os ângulos iguais uns aos outros.
Elas também são matizadas, e as atmosferas interiores e exteriores mesclamse através delas. Estas paredes não são para nossa proteção, mas para outros usos, e um deles é concentrar nossas vibrações, focálas na sua transmissão às regiões distantes onde nossa ajuda é necessária e desejada. Portanto alcançamos a terra também e sentimos seus afazeres lá, e enviamos palavras de instrução, ou ajuda de outras formas, em resposta aos que oram e que vêm a nós para quetenhamos que agir. Aqui também descem aqueles das altas esferas e, por meio destas casas e outras influências preparadas, tornamse tangíveis para nós para que possamos conversar intimamente com eles sobre questões que nos deixam perplexos. Desta casa também mandamos bastante força para aqueles que de tempos em tempos são nossos encarregados das esferas mais baixas, para que sejam capacitados, no período de sua curta permanência entre nós, a suportarem as condições desta esfera sem grande desconforto; e também para conversar com eles e para que nos vejam e nos ouçam, o que de outra maneira não poderiam fazer.
Quanto ao aspecto exterior desta casa, darei a você a descrição feita por alguém de uma esfera inferior, que está mais próxima da sua própria. Ele me disse que quando a viu, vieramlhe à memória as palavras, “uma cidade que está sobre uma colina cuja luz não pode ser escondida”. Ele estava a uma longa distância, mas parou e desceu ao chão para descansar (porque veio de muito distante numa viagem aérea). Ele protegeu seus olhos, e gradualmente foi sendo capaz de observar novamente a mansão na colina, longínqua, em seu brilho. Ele disse que viu as grandes torres; mas elas brilharam tão intensamente com sua luz azul que ele não poderia dizer onde elas realmente terminavam, porque a luz saía em direção ao céu acima e pareciam ter continuidade indefinidamente.
Então as cúpulas – algumas eram vermelhas e algumas douradas, as luzes que saíam delas eram da mesma forma deslumbrantes demais para se ver onde terminavam, ou qual seria seu tamanho. Os portões e as paredes também brilhavam em prateado e azul e vermelho e violeta, e esplendia com uma luz deslumbrante que banhava a colina abaixo, e a folhagem das árvores em torno, e ele cogitou como poderia entrar e nãoser consumido. Mas nós o vimos, e mandamos mensageiros para lidar com aquela dificuldade; e quando finalmente ele chegou às bênçãos na partida, sua missão estando terminada, disse nos, “Um pensamento me ocorre neste momento de partida. Meus companheiros de 116 – Reverendo G. VALE OWEN trabalho vão me perguntar como era o lugar onde estive; e como direi a eles desta glória quando estiver mais uma vez em minha própria esfera, e reassumir seus poderes mais restritos?” E nós respondemos, “Filho, você não será mais quem foi, depois disto.
Em você restará alguma coisa da luz e da percepção desta esfera. Mas o que você em seu coração estiver apto a lembrar, serlheá custoso poder transmitir. Porque eles não entenderiam se você pudesse contar a eles, e para contar a eles você forçosamente teria que usar a linguagem que é corrente aqui. Por isso digalhes que concentrem seus desejos em um desenvolvimento para adiante, e um dia virão e verão por si mesmos o que você viu, mas não consegue relatar.” E assim ele se foi, soerguido em grande alegria. Seja isto também seu, amigo, e as palavras que demos a ele, sejam agora dadas a você. + 117 – A VIDA ALÉM DO VÉU III O TERRENO E O CELESTE Sexta, 21 de novembro de 1913.
Nem todos os que caminham leem de forma correta, porque aqueles que caminham têm algumas vezes mentes impacientes demais para observarem aquelas coisas que não são de importância aparente, sendo somente as que são aparentes as que têm importância a eles. E então, o que acontece é que o que está escrito muito claramente não são palavras para eles, e a mensagem significativa é negligenciada. Isto é assim nos vários signos que são escritos naquilo que o homem denomina natureza, ou seja, os fenômenos superficiais do poder espiritual atuando na matéria e através dela. Assim é também no movimento de povos e nações, como trabalham seus destinos de acordo com suas próprias e peculiares características. Assim é, talvez num menor grau, nos descobrimentos da ciência, como são popularmente conhecidos.
Vamos por um pouco de tempo considerar estes últimos, e ver se há alguma mensagem para estes que investigariam mais profundamente que a maioria, que tem tempo somente para caminhar e não para ler. A ciência, como a história, repetese a si mesma, mas nunca numa exata duplicação. Amplos princípios governam, de tempos em tempos, a pesquisa pelo conhecimento, e são sucedidos por outros que, a seu tempo, tendo já servido, também caem num segundo plano para que outros princípios possam receber atenção mais concentrada e indivisível na competição. Mas, de tempos em tempos, conforme as épocas passam, estes princípios retornam novamente – não na mesma ordem de sequência – para receberem atenção numa nova corrida. E assim a marcha do progresso humano segue adiante.
Itens de descobrimentos são também perdidos e novamente encontrados, normalmente com nova aparência que não a original, e com algumas características notáveis acrescentadas, e outras características antigas faltando. A fim de que se possa fazer mais claro o que foi exposto, entrarei em detalhes através de um exemplo. Houve um tempo em que a ciência não tinha a importância que tem hoje ao homem: quando havia uma alma na ciência, e uma manifestação externa na questão era de interesse secundário. Assim foi com a alquimia, astrologia, e mesmo a engenharia. Era sabido naqueles dias que o mundo era regido por leis de muitas esferas, e administrado por incontáveis hostes de servidores, atuando livremente em sua própria vontade mas dentro de certos limites estreitos estabelecidos por aqueles de poder maior e mais alta autoridade.
E os homens naqueles dias estudavam para encontrar os diferentes graus e degraus destes trabalhadores espirituais, e a maneira pela qual trabalham nos diferentes departamentos da natureza da vida humana, e o montante de poder exercido por cada uma das várias categorias. E eles encontraram um número considerável de fatos, e classificaramnos. Mas por estes fatos, leis e regulamentos e condições não serem da esfera terrestre mas da espiritual, prazerosamente expressaram tudo numa linguagem longe da usual. 118 – Reverendo G. VALE OWEN Quando outra geração surgiu, suas energias foram direcionadas em outras direções; eles, não considerando bem as questões de sabedoria que estavam contidas no conhecimento de seus ancestrais, disseram que a linguagem era alegórica, ou simbólica; e assim fazendo, tambémfizeram os fatos por si mesmos assumirem uma forma sombria, até que por fim havia restado pouco da realidade. Assim aconteceu em relação ao estudo dos poderes espirituais de variados graus e tipos, e isso redundou nas histórias de fada da Europa e as mágicas histórias do Leste.
Estas é que são realmente as descendentes lineares e legítimas da ciência do passado, acrescidas a eles, subtraídas deles, e distorcidas de muitas maneiras. E contudo, se você estudar a leitura destas lendas à luz do que lhe disse, verá então, quando separar o essencial daquilo que são enfeites mais modernos, que serão encontrados engastados, como as cidades do Egito sobre as areias dos tempos, sólidos fatos científicos ou conhecimento como foram considerados espiritualmente. Poderia, por favor, dar uma exemplificação, a fim de ilustração? 11 Há a história de João e o pé de feijão . Em primeiro lugar olhe o nome. João é a forma coloquial de John, e o John original foi o que escreveu o Livro das Revelações.
O Pé de Feijão é uma adaptação da Escada de Jacó, pela qual as esferas superiores, ou espirituais, são alcançadas. Aquelas esferas, uma vez atingidas, são vistas como regiões e continentes reais, com cenários naturais, casas e tesouros. Mas estes são algumas vezes guardados por guardiães não de todo amistosos em relação à raça humana porque, apesar de tudo, por audácia e mente habilidosa, alguns são capazes de arrancar estes tesouros e retornarem para a terra com eles. E também são capazes, por sagacidade de caráter, de se prevenirem contra estes guardiães pela retomada de posse destes tesouros de sabedoria, despojando a raça humana do direito adquirido da conquista pelo mais audacioso. Agora, isto é pitoresco, e assume uma face estranha ou mesmo ridícula pela razão de ser transcrita de tempos em tempos por aqueles que não entenderam sua importância mais profunda.
Se tivessem entendido isto, certamente não teriam apelidado o original de João. Mas, conforme seus usuais trajes de vestir mostrarão a você, isto acontece mais ou menos numa época em que coisas sagradas e espirituais eram tidas em fraca estima pela razão da inabilidade dos homens de perceberem a presença verdadeira dos seres espirituais entre eles. Por isso, também, eles arranjaram um demônio, e deramlhe orelhas pontudas e um rabo, e por uma razão similar – pois sua realidade para eles era mítica. A personalidade que deram a ele era mítica também. 12 A história que mencionei é uma de muitas. Punch e Judy representariam os procedimentos dos dois que surgiram como os mais depravados, que foram Pilatos e Iscariotes.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.