Voltar ao livro A Vida além do Véu

Capítulo 29 de 87

Parte 29 de 87

A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro

Poderia dizer seu nome, por favor? Pode escrevê­lo, Bepel. Continuemos. Aproximei­me de alguém, entretanto, que não tinha tanta saúde no aspecto, e isto  também comentei e perguntei o porquê; pois eu não fui informado de qual razão poderia  haver que, nesta esfera, pudesse embargar o progresso de alguém. Bepel sorriu e respondeu, “Você conhece o homem que vive aqui, ele e sua irmã.

Vieram das Esferas Oito e Nove um bom tempo atrás, juntos. Progrediram até aqui e, de  vez em quando, voltam para a Quarta Esfera onde têm entes queridos e, em especial, seus  pais. Isto  eles  têm  feito  a  fim  de  ajudá­los  a  progredir. Mais  tarde  vieram  a  ter  um  pouquinho menos de seu sossego destas paragens por causa do amor que dedicam a estes 158 – Reverendo G. VALE OWEN  de trás.

Parece que eles estão fazendo seu progresso muito vagarosamente, e levará tempo  antes que alcancem este estado. Estes dois, entretanto, esperam a chegada de alguém que  tenha autoridade para permitir que partam para residir com aqueles que querem ajudar,  para que sua presença mais contínua pudesse estar à disposição deles, para capacitá­los a  progredir”. “Verei estes dois”, respondi, e fomos jardim adentro. Agora,  você  pode  estar  interessado  em  saber  como  um  caso como  estes  tem  ligação com isto aqui, e por isso vou prosseguir, em mais ou menos detalhes, descrevendo o  que ocorreu. Encontrei o irmão num pequeno bosque ao lado da casa e aproximei­me dele,  inquirindo sobre sua irmã.

Ela estava perto, e fomos procurá­la. Encontramo­la ali, em  profunda meditação. Ela estava em comunhão com seus pais distantes em outra esfera. Eu  deveria dizer que ela estava mandando sua ajuda e força sustentadora para eles, porque  “comunhão” implica numa ação mútua, e os outros pouco podiam, se nada, ao retornarem  seus pensamentos a ela. Então falei com eles uns instantes, e dei­lhes minha conclusão sobre esta conduta:  “Parece que a força  requerida para construir seu próprio progresso nesta Esfera está  sendo  derrubada  por  aqueles  da  Esfera  de  alguns  degraus  abaixo.

Vocês  estão  sendo  puxados para trás pelo amor àqueles que estão ali, e retardaram seu progresso. Agora, se  forem à Quarta Esfera e lá fizerem sua habitação, serão capazes de ajudá­los um pouco,  mas não muito. Pois, se estiverem por perto, por que teriam eles que se esforçar para  galgarem degraus além do que presentemente estão? Não é bom, entretanto, que vão até  eles desta maneira. Mas o amor é maior que qualquer coisa, e como é encontrado em vocês  e neles, será de grande valia que prevaleça, até quando os obstáculos que agora obstruem  tenham sido removidos.

Advirto­lhes de que abandonarão seu grau nesta Esfera, mas que  virão comigo ao seu Chefe, e pedirei que ele lhes dê ordem para fazerem outro trabalho no  qual seu próprio progresso esteja assegurado, e nada impeça o de seus queridos.”  Quando parti eles vieram comigo e, depois de consultar seu Senhor Chefe, eu  estava  feliz  em  ver  que  ele,  principalmente,  aprovou  o  que  estava  em  minha  mente. Portanto ele os chamou, e deu­lhes palavras de aprovação por seu grande amor, e disse­  lhes que, se pudessem, se tornassem daqueles cuja missão era ir a esferas abaixo de vez em  quando e, lá aparecendo (condicionando­se ao ambiente da esfera na qual devem chegar),  despachassem sobre algumas incumbências que ele determinaria. Em tais ocasiões ele  poderia requisitar que seus pais tivessem a permissão de vê­los e conversar com eles. Em se  fazendo  assim,  eles  poderiam  ser  atraídos  para  adiante  e  para  o  alto  a  fim  de  se  aproximarem daquelas suas duas crianças pertencentes aos reinos superiores. Além  disso,  ele  aconselhou  muita  paciência,  pois  de  nenhuma  forma  eles  poderiam ser forçados a subirem, mas devem progredir por seu desenvolvimento natural.

Eles concordaramcom isso com muita alegria e gratidão no coração. Então o Senhor Chefe  abençoou­os em Nome do Mestre, e eles partiram felizes para sua nova casa. Desta  forma  você  verá,  meu  amigo  e  tutelado,  que  nos  reinos  superiores  de  progresso surgem problemas com as características daqueles das esferas apenas acima do  plano da terra. Porque muitos lá, também, são atraídos de volta pelo amor daqueles na  terra que não progrediram tanto que possam vir em comunhão com seus queridos e com os  ajudantes  espirituais,  e  portanto  não  sobem  muitos  degraus  acima  do  estado  destes  retardatários encarnados. Mas  há  outros,  também  encarnados,  que,  pelo  seu  próprio  avanço  fazem  realmente pouco ou nada para retardar seus espíritos guias, avançando com eles com  esforço árduo, com humildade de coração e aspirações santas, são os que ajudam sempre e  não obstruem.

Tenham isto também em mente junto às muitas coisas que aprendeu. É possível, e 159 – A VIDA ALÉM DO VÉU  não somente isso, inevitável, que vocês encarnados na terra realmente ajudem ou puxem  de volta seus bons amigos deste lado. Pense na luz dos Anjos daquelas Sete Igrejas a quem o Cristo enviou palavras pela  mão de João. Pois cada um, pelas virtudes ou pecaminosidades da Igreja que tivessem a seu  encargo,  foi  julgado  pessoalmente,  assim  como  aquela  Igreja  que  lhe  foi  dada  como  responsabilidade por Ele Que avaliou cada uma em seu exato valor; e foi premiado com  louvores ou culpas o Anjo guardião de cada Igreja, de acordo com o que mereceu, um ou  outro. À medida que o Cristo, o Filho do Homem, identificou n’Ele mesmo a característica  dos filhos dos homens, e Ele próprio foi contado para a salvação de seus companheiros por  causa  da  concupiscência  deles  diante  do  Pai,  assim  é  cada  Anjo­guia  contado  e  identificado, ele, ou a comunidade na qual ele esteja colocado para servir.

Ele se regozija  com eles e sofre com eles; alegra­se com eles e lamenta suas falhas. Lembre­se do que Ele  disse, pois isso eu vi, não uma vez, nem duas nem três, mas muitas, “Há a felicidade dos  Anjos  diante  da  Presença  de  Deus  nos  Céus  quando  um  pecador  arrepende­se.”  E  acrescente isto, meu irmão, os Anjos brilhantes nem sempre estão rindo – apesar de que  riem, e constantemente. Mas os Anjos também podem derramar lágrimas – lamentar e  sofrer pelas tristezas e pecados dos que lutam a luta lá embaixo. Isto não ficará sintonizado com os nossos pensamentos em muitas mentes. Não  faz  mal,  transcreva.

E  também,  por  qual  razão  nos  alegraríamos,  se  não  pudéssemos  também lamentar? +  Terça, 23 de dezembro de 1913. Pois tudo isso está tão claramente escrito, que homens e Anjos trabalham juntos  no  serviço  único  de  Deus,  e  ainda  os  homens  acham  difícil  de  acreditar  que  isto  seja  verdade. É porque direcionam muito os pensamentos às coisas da terra, e muito pouco à  origem das coisas materiais. Não é destas forças que entram imediatamente em contato  com a matéria para moldá­la e usá­la, mas além, onde eles usam aquelas forças como um  oleiro usa argila para fazer seu jarro ou vaso. Isto já foi, de alguma forma, dito a você para  transcrever.

Esta noite contar­lhe­ei umas narrativas dos feitos deles, como os vemos em  seus trabalhos deste lado da fronteira. Nem todos progridem igualmente em qualquer uma das esferas, mas alguns  avançam além dos outros. Aqueles de quem falei por último eram da Décima Esfera. Contarei agora de alguns que avançaram para uma vida maior e mais poderosa. Em meu caminho, conforme fui seguindo depois de sair da vila onde habitavam o  irmão e a irmã, cumpri minha visitação de inspeção a muitos outros locais.

Um destes  ficava entre as montanhas em direção à zona que marca o começo da próxima Esfera,  superior a esta – não naquele lugar onde encontrei meu guardião, mas a uma altitude  similar, e algo mais distante. Neste lugar, subi por um caminho aberto que leva aos planos  superiores por entre os picos da cordilheira. Quando comecei a subir, a grama ficou muito  verde e as flores grandes e profusas. Os pássaros cantavam no caminho aveludado dentre  as árvores folhosas das profundezas da floresta, com suas luzes púrpuras e sombras, e  muitos espíritos dos bosques brincavam e trabalhavam com sorrisos brilhantes, e fui dando  e  recebendo  saudações  de  bênçãos  à  medida  que  eu  passava  por  eles,  acrescentando  alegria à beleza pelo caminho. Então  as  vizinhanças  começaram  a  mudar,  e  as  árvores  tornaram­se  mais  estáticas  e  imponentes,  a  floresta  menos  densa  e  folhosa.

Enquanto  antes  tínhamos  clareiras no mato florido e arbustos de folhagem, ali agora apareceram sublimes catedrais  de  pilares  e  arcos,  como  se  as  árvores  lá  estivessem  e  inclinassem  suas  cabeças  para  construí­las. Ainda  profundas  e  encantadoras  eram  as  luzes  e  sombras,  mas  agora 160 – Reverendo G. VALE OWEN  pareciam mais com as de um santuário que as de uma cobertura de folhagens. De largas  proporções eram as avenidas pelas quais passei, espalhando­se para todos os lados. Aqui,  também, havia um clima de meditação e de poder maior que anteriormente.

E fiquei  atento aosEspíritos nas colunatas, que eram lindos, com uma beleza maior e mais sagrada  que aqueles que deixei lá atrás, nas primeiras colinas. Isto também, à medida que andei, foi  dando lugar a cenas mais majestosas e inspiradoras. Gradualmente o país das árvores foi  deixado para trás, e sobre o branco, dourado e vermelho dos cumes brincavam luzes que  contaram das presenças dos altos reinos descendo para algum assunto, para permanecer  um tempo entre estes desta altitude. Então cheguei a meu destino. Descreverei como posso.

Havia um espaço plano,  talvez de uma milha para cada lado, num quadrado pavimentado com pedras de alabastro  que aparentavam ter cor de chamas, como se fosse um chão de vidro estendendo­se sobre  um reino de fogo, cujos raios pulavam sobre ele e cintilavam através dele, tingindo o ar até  algumas centenas de jardas acima. Não havia fogo de tal jeito. Mas é o aspecto que tomou. Neste espaço deste nível havia um prédio. Tinha dez lados, e cada lado era de cor  diferente  e  numa  arquitetura  diversa  de todos  os  seus  pares.

Tinha  muitos  andares,  e  elevava­se um pilar resplandecente cujo topo captava a luz que vinha sobre os picos das  montanhas, algo longe, algo perto ­ tão alta era esta torre, como estava lá, parecia um  sentinela entre as montanhas do céu, uma coisa muito bonita de se ver. Cobria uma oitava  parte do quadrado, e tinha pórticos em cada lado. Então havia dez caminhos para entrar, e  alguém vigiando cada um dos dez caminhos. Era um sentinela verdadeiro; pois esta é a  Torre de observação das mais altas regiões desta esfera. Mas era mais que isto.

Cada lado estava em contato com uma das primeiras dez esferas; e aqueles que  observavam ali estavam em constante comunicação com os Senhores chefes destas esferas. Há muito movimento passando entre estes Cabeças de diferentes esferas continuamente. Aqui elas são agrupadas e coordenadas. Se eu precisasse descer à terra por uma chamada,  eu chamaria a Central de Câmbio daquela vasta região, compreendida em todas aquelas  esferas,  estendendo­se  daquelas  com  fronteiras  na  zona  terrestre,  sobre  continentes  e  oceanos e montanhas e planícies do Segundo, e daí o Terceiro, e assim em diante até o  Décimo. Necessário é que aqueles que servem aqui sejam de elevada evolução e sabedoria,  e  vi  que  eram  assim.

Eles  eram  diferentes  dos  habitantes  comuns  desta  esfera. Foram  sempre  corteses  com  amor  e  bondade,  gentis,  e  ansiosos  por  ajudar  e  agradar  seus  companheiros. Mas havia estabelecida uma absoluta calma neles que nunca dava lugar à  agitação descortês quando novidades apareceram em seus afazeres e na vida extenuante  que  eles  têm,  no  contato  direto  entre  eles  mesmos. Eles  recebem  todos  os  relatórios,  informações,  requisições  de  soluções  para  alguma  dificuldade,  ou  de  ajuda  de  outras  formas, em perfeita quietude mental. Quando alguma coisa mais tremenda que o habitual  recai  sobre  eles,  ficam  imóveis  e  sempre  prontos,  silenciosamente  confidentes  para  enfrentar suas empreitadas como devem ser, e com sabedoria para não cometerem erros.

Sentei­me no caminho do pórtico cujo lado estava em comunhão com a Sexta  Esfera, estudando alguns de seus registros de eventos passados e seus apontamentos neles. Enquanto eu lia, uma cálida voz sussurrou sobre meus ombros, “Se você não estiver muito  interessado, Zabdiel, naquele livro, talvez gostasse de ver o que fazemos ali dentro”. Olhei  em torno e para cima,  procurando quem falou, e encontrei seu lindo sorriso silencioso com  um gesto de assentimento. Fui com ele. Havia um grande saguão de formato triangular e, no alto, o chão do  próximo andar.

Fomos à parede onde ela faz um ângulo, e ali meu amigo fez­me ficar em  pé e escutar. Logo ouvi vozes, e pude discernir as palavras que diziam. Estas estavam sendo  pronunciadas num lugar sobre nós, cinco andares acima, e eram transmitidas para baixo,  passando através dos andares ao chão, onde havia outras câmaras. Perguntei qual seria a 161 – A VIDA ALÉM DO VÉU  razão disto e ele informou­me que todas as mensagens são recebidas por aqueles que têm  sua estação no alto do prédio. Estas extraem as palavras que necessitam para seu trabalho,  e permitem que o restante siga abaixo para a câmara abaixo deles.

Aqui a mensagem foi  tratada de certa maneira, e novamente enviada abaixo. Isto foi repetido novamente e  novamente, até que foi deixado passar pelas paredes deste andar térreo, ser mais uma vez  peneirado, e o resíduo passa para baixo. Em cada sala havia uma grande multidão de  trabalhadores, todos ocupados mas sem pressa, dando conta de seus afazeres. Agora você pensará que esta é uma maneira estranha de ir ao trabalho. Mas a  realidade era mais estranha ainda.

Pois quando eu digo que escuto as palavras, eu apenas  conto­lhe a metade. Elas eram audíveis visivelmente. Agora, como poderei pôr isto em sua  língua? Não posso fazer melhor que isto: Enquanto se olha para a parede (que era feita de  diferentes metais e pedras, cada uma vitalizada pelo princípio que aqui corresponde à  eletricidade  para  vocês)  é  vista  uma  mensagem  no cérebro em vez de opticamente, e,  quandose é sensibilizado de sua importância, ouve­se a voz que provém de alguma região  distante. Desta maneira fica­se inteirado, na consciência profunda, do tom de voz do que  falou, ou seu aspecto, e estatura, e a forma de sua fisionomia, de seu grau e departamento  de  serviço,  e  outros  detalhes  de  ajuda  para  o  exato  entendimento  do  significado  da  mensagem enviada.

Este despachar e receber de mensagens é mantido em alta perfeição nestes reinos  espirituais, e nesta Torre de Vigilância com a mais alta perfeição com que eu me defrontei. Não fui competente para traduzir o que vi e ouvi, porque a comunicação veio através das  condições  de  todas  aquelas  esferas  intervenientes,  e  tornou­se  mais  complexa  do  que  conseguiria esclarecer. Então ele me explicou tudo mais simplesmente. Foi por causa de um grupo ter sido mandado da Sexta Esfera para a Terceira,  para auxiliar na construção de algumas obras que lá estão sendo encaminhadas. Aqueles  que  haviam  feito  o  projeto  eram  de  maior  evolução,  e  incluíram  nos  aparatos  e  na  estrutura de contenção alguma coisa de mais avançado no projeto que não seria possível  construir  com  sucesso  sem  uma  substância  daquela  esfera.

Eu  poderia  colocar  este  problema  assim  a  você:  se  você  fosse  chamado  a  construir  alguma  máquina  para  manufaturar o éter e  convertê­lo  em  matéria,  você  não  encontraria  à  mão  nenhuma  substância na terra suficientemente sublime para reter o éter, que é de uma força maior e  mais  tremenda  que  qualquer  outra  coisa  para  ser  retida  dentro  daquilo  que  vocês  entendem como matéria. Foi  um  problema  algo  similar  que  tiveram  que  enfrentar  agora,  e  queriam  conselhos  de  como  melhor  precederem  para  que  a  planta  pudesse  ser  cumprida  tão  completamente quanto possível. Este é um dos mais simples problemas que estes do mais  alto recebem pararesolver. Agora, direi mais sobre isto em outra hora. Você está esgotado agora e não  consigo palavras em você para dizer o que deveria.

Minhas  bênçãos  à  sua  vida  e  seu  trabalho. Esteja  seguro  e  siga  em  frente  bravamente. +  Natal, 1913. Já falei da ciência daquele Alto Plano e não será de muita ajuda se eu continuar  nesta veia; porque a sabedoria e as obrigações existem em variações que você entenderia  muito pouco. Eu o confundiria e o que eu poderia trazer a você serviria pouco. Portanto,  rapidamente direi o que posso e começarei outro tema.

Fui ao andar seguinte e o encontrei, como os restantes, repleto de serviços, com  trabalhadores completamente empenhados neles. As paredes destes amplos saguões são 162 – Reverendo G. VALE OWEN  todos utilizados para separar minuciosamente as mensagens, e outros trabalhos parecidos. Não  são  paredes  planas  como  vocês  conhecem,  mas  todas  brilham  com  radiações  multicoloridas, ornamentadas com emblemas, em outras partes em relevo. Tudo isto são  instrumentos  de  sua  ciência,  e  todos  são  observados,  e  suas  realizações  gravadas  e  consideradas e manuseadas para seu próprio destino, ou para outros dentro do edifício, ou  para mais altas ou mais baixas esferas, conforme o assunto em pauta demandar.

Meu  bondoso  guia  levou­me  ao  topo  da  Torre,  e  aqui  pude  contemplar  amplamente a região. Abaixo vi os bosques pelos quais subi. Mais adiante espraiavam­se  cadeias e cadeias de altas montanhas, todas banhadas em intensa luz celestial, cintilando  comojoias de muitas cores. Sobre alguns destes picos pairava uma beleza cintilante que os  alcançava  vinda  da  Décima  Primeira  Esfera;  e  eles  pareciam  vivos  e  respondendo  à  presença dos altos seres cuja natureza era de um grau tão refinado que suas formas  estavam quase além do círculo de visibilidade para alguém, como eu, da DécimaEsfera. Mas eu sabia que estes tinham vindo de suas regiões brilhantes e estavam em  algum compromisso de amor engajado neste meu.

Por isso regozijei­me muito ao tomar  conhecimento da beneficência de amor e poder enviados a mim, e meu único discurso foi o  silêncio, que é mais eloquente que poderiam ser minhas palavras. Finalmente,  quando  eu  me  deleitava  nesta  grande  beleza,  meu  companheiro  gentilmente pôs sua mão em meu ombro e disse, “Agora, meu bom irmão, estes são os altos  planos deste céu. A quietude é tal que, em sua beleza, preenche­o em reverência, mais, em  aspirações santas. Você agora está no topo e na fronteira de seu próprio alcance; e você  encontrou  aqui  um  ambiente  no  qual,  por  seu  próprio  esforço,  não  está  habilitado  a  penetrar. Mas é dado a nós numa confiança sagrada, e a ser usada frugalmente e com  discrição, tirar o véu do que está encoberto e observar o que é invisível para nossa visão  normal.

Você imaginaria que seria dado a você, por poucos momentos, poder olhar para  aquilo que está em seuentorno, invisível até agora?”  Neste momento ponderei, algo assustado, porque aquilo que via era tudo o que  devia esforçar­me por atingir. Mas, enquanto considerava o assunto, resolvi que, onde tudo  fosse amor e sabedoria, nada poderia ferir­me. Então enchi­me de confiança para esta  empreitada; e disse­lhe que estava bem. Então ele se afastou de mim e foi a um Santuário que estava sobre a cobertura  desta Torre, e ficou ausente uns instantes, conforme pensei, em oração. Naquele instante ele chegou, e estava muito mudado; pois sua vestimenta não  estava nele, mas ficou nu diante de mim, a não ser um diadema de pedras brilhantes em  sua testa.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.